Programa Fôlego e eu.

Tive o grande prazer de conhecer Gustavo Maia numa corrida no sul do Chile. Dividimos o quarto e passamos vários dias com a turma de convidados trocando muitas ideias. Em poucos dias tive muito boas impressões sobre o Gustavo, apesar dele ser corintiano.

Ao voltar pra casa lhe escrevi propondo para fazer parte do Programa Fôlego. Confesso que ao escrever não consegui propôr nenhuma ideia que pudesse melhorar o programa, já me parecia tudo muito bem feito. Queria apenas conversar, sabia que as ideias surgiriam e que ele toparia esse bate papo. Os poucos dias que passamos no evento me indicaram essa característica de abrir portas que ele tem. 

Pois bem, a conversa foi muito produtiva e a partir de hoje passo a fazer parte dos colaboradores do programa Fôlego. Terei uma coluna no programafolego.com.br/ com vídeos sobre treinos, as provas etc…

O Blog do Amato continua no MidiaSport, que também terá um link para os vídeos do fôlego.

Fique ligado, meu vídeo da Ultra Fiord sai do forno semana que vem!

Enzo Amato

Maratona Asics Golden Run SP.

A Asics Golden Run será a melhor maneira de conhecer a selva de pedra. E perceber que não só de pedra ela é.

Esse percurso me fez ter orgulho da cidade onde nasci, de convidar os amigos de fora não com o pretexto ou argumento de que o clima é ameno, que tem poucas subidas ou curvas… Não, vai ter tudo isso, mas principalmente vai mostrar o que tem de bom, de ruim, e toda a diversidade de uma cidade cosmopolita.

Passará por cartões postais no centro antigo como a praça da Sé, pátio do colégio, teatro municipal, viaduto do chá, praça da república etc… contrastando a riqueza e beleza de outrora com a pobreza e vadiagem de hoje. Vias arborizadas com casarões enormes, bairros ricos, a subida da Brigadeiro, os arredores do Ibirapuera, prédios suntuosos de escritório, o fétido rio Pinheiros, a USP, o museu do futebol ao lado da largada no estádio do Pacaembu… enfim, vários lugares que levaria um amigo de fora de SP para conhecer.

Durante a corrida tem a diversidade da paisagem. Depois da prova sugiro um passeio pela Av. Paulista e Rua Augusta, para ver a diversidade da gente, das tribos. Para o jantar escolha a cozinha típica de qualquer nacionalidade ou região do país, ou um boteco com cervejas artesanais e comemore com a medalha no peito.

Esqueça a altimetria, anos atrás a Revista Contra Relógio publicou uma matéria que comparava os resultados de corredores que fizeram várias maratonas aqui no Brasil com diferentes altimetrias e seus tempos eram quase sempre os mesmos.

Treine seu ritmo de prova no plano, faça os longos com subidas e descidas para adaptar seu corpo, musculação para suportar as descidas e ir mais longe, e talvez, quebrar só no finalzinho, dia 31/7/2016.

A selva de pedra não vai tolerar uma preparação meia boca, serão muitas curvas com quebras de ritmo que te tirarão do piloto automático. Prepare-se com treinos bem direcionados para sofrer menos e aproveitar mais. Os bem treinados terão o prazer de descobrir São Paulo correndo.

Só faltou almoçar no mercado municipal, fazer um happy hour na Vila Madalena, um curso de café, comer pizza… são bons motivos para voltar.

Enzo Amato

Ultra Fiord 2016, a brasileira que ficou.

(click para leer en español)

A corredora brasileira que, sabiamente, abandonou a Ultra Fiord na parte mais difícil do percurso conta como foi ficar 3 dias na montanha.

Por Eliane Carvalho

Deixo aqui meu relato como amadora de Ultra maratonas. Já tive experiências na Patagônia, San Martin de Los Andes, El Cruce, Espanha, mas a Ultra Fiord, na Patagônia chilena foi o maior desafio da minha vida. Lugar com paisagens de uma beleza exuberante e ao mesmo tempo com o clima imprevisível, as vezes fatal. Moro em um país tropical, com temperatura média de 30°C e que ultrapassam 40°C positivo.

Tudo começou quando escorreguei no rio e molhei meus pés e mãos. O tênis, meias e as luvas ficaram encharcadas. Independentemente da cor, marca do tênis e roupas…

Não sou uma corredora profissional e veloz, apenas gosto de correr e tenho resistência. Mas nesse caso eu apenas escutei meu corpo. Meus dedos congelaram, ficaram rígidos e inchados, causando uma dor insuportável, não conseguia mais mexer os dedos e com isso não comia e nem bebia, ficando sem energia. Corria quando possível e caminhava no meio da nevasca. Um casal parou e colocou luvas plásticas nas minhas mãos, mas não resolveu. Pedi a um corredor para pegar a manta de sobrevivência na minha mochila e enrolar minhas mãos, e continuei andando. Não conseguia mais raciocinar, tendo dificuldade de visualizar a marcação. Caí várias vezes, fiquei toda lesionada. Até que um corredor pegou pelo meu braço e foi me puxando até o staff em Chacabuco.

Chegando lá, o paramédico Luis Augusto me atendeu rapidamente, me fez segurar uma caneca quente com café para beber e aquecer as mãos, e me colocou em um saco para me aquecer, mas estava com muito frio, e não tinha condições de continuar com os equipamentos necessários molhados. Troquei a meia, mas o tênis estava congelado, tendo em vista o aumento da nevasca.

Logo em seguida chegou a Argentina Micaela. Então o melhor seria esperar até que a nevasca diminuísse para continuarmos. No dia seguinte a nevasca estava mais forte, com 1m de neve, e tivemos que dividir a barraca e comida entre 7 pessoas. Teve momentos que pensei que seríamos soterrados por uma avalanche, pois o vento devia estar a 80 ou 100km/h e a barraca balançava muito, ficávamos segurando a barraca e batendo para tirar a neve. 

No final do sábado, dia 16-04, dois socorristas Guillermo e Julian, resolveram descer para pedir ajuda, pois o rádio não estava funcionando. Ficamos em 5 na barraca, Micaela, Pablito, Carlos, Luis Augusto e eu. Passou um filme na minha cabeça, pensava na minha filha, família, amigos, tudo que gosto de fazer e no que já tinha vivido. Praticamente 3 dias e 3 noites presa em uma barraca com 7 e 5 pessoas, deitada ou sentada, dormindo em sacos de dormir, sem banho, sem escovar os dentes, sem tirar as lentes de contato e saindo da barraca 1 vez por dia, somente para fazer as necessidades fisiológicas. Sem saber se ia conseguir sair da montanha.

O que me deixou mais confortável foi a calma dos 3 socorristas, isso foi fundamental. O poder da mente.

Para passar o tempo eles tentavam nos distrair conversando e cantando. Para mantermos a energia e calor, eles faziam mate, café, mingau, sopa, arroz e macarrão, em uma boca de gás, tudo na mesma panela. Dividíamos a mesma caneca e tinha alguns pratos, que limpávamos com papel higiênico.

No domingo a nevasca continuava forte e o resgate não chegou. Como a comida já estava acabando, eles resolveram emprestar roupas para Micaela e eu. Amarramos sacos nos pés para não entrar neve e congelar.

Saímos da barraca na segunda, dia 18-04 as 09:30h, a nevasca tinha diminuído. Carlos foi na frente procurando a marcação e abrindo caminho, Luis foi segurando Micaela, e Pablito me segurando, pois a neve estava muito alta, afundávamos e caíamos muito.

Quando passou a parte da neve e conseguimos andar sozinhas, me senti mais segura e confiante que chegaríamos bem.

Depois de umas 6 horas andando, conseguimos descer as montanhas, paramos em uma fazenda onde fomos muito bem recebidos, nos aquecemos na lareira e tomamos mate.

A polícia chegou na fazenda e foi muito atenciosa, nos deixando no hotel, salvas. Uma experiência que vou levar para o resto da vida e devo a Micaela por estar comigo e pela competência dos socorristas. Muito obrigada de coração, pelo cuidado e paciência. 

Chacabuco. Sim, faria tudo novamente. Infelizmente não consegui completar a corrida, que era meu objetivo, mas quem sabe em uma nova oportunidade. Amo correr, me sinto livre. Liberdade não tem preço. 

Eliane Carvalho

Ultra Fiord 2016, la brasilera que quedó en la montaña.

(Clique para ler em português)

La corredora brasilera que, sabiamente, abandonó Ultra Fiord en la parte más difícil del recorrido cuenta como fue quedarse 3 días en la montaña.

Por Eliane Carvalho

Les dejo mi relato como amateur en ultra maratones. Ya tuve experiencias en la Patagonia, El Cruce en San Martín de los Andes, en España, pero la Ultra Fiord en Chile fue el desafío más grande de mi vida. Un lugar con paisajes de una belleza exuberante y al mismo tiempo con un clima imprevisible y a veces fatal. Vivo en un país tropical, con temperatura media de 30ºC y que pasa de los 40ºC.

Todo empezó cuando me resbalé en el río y me mojé piés y manos. Las zapatillas, las medias y los guantes quedaron empapados. Independientemente del color y marca de las zapatillas y de las ropas…

No soy una corredora profesional y veloz, solo me gusta correr y tengo resistencia. Pero en este caso, simplemente escuché a mi cuerpo.

Se me congelaron los dedos y quedaron rígidos e inchados, causándome un dolor insoportable, no conseguía moverlos y por eso no comía ni bebía, quedándome sin energía. Corría cuando era posible y caminaba en la nieve. Una pareja se detuvo y me puso guantes plásticos en las manos, pero no resolvió nada. Le pedí a un corredor que sacara la manta de mi mochila y que me cubriera las manos y seguí caminando. No podía raciocinar y tenía dificultad para ver la demarcación. Me di vários golpes, quedé toda lesionada. Hasta que un corredor me agarró del brazo y me fue arrastrando hasta el staff en Chacabuco. 

Cuando llegué, el paramédico Luis Augusto me atendió rápidamente, me hizo sostener una taza caliente para calentarme las manos con café para que bebiera y me puso una bolsa para calentarme, pero estaba con mucho frío y no estaba en condiciones de continuar con los equipamientos mojados, me cambié las medias pero las zapatillas estaban congeladas, dado que la nieve había aumentado. Enseguida llegó la argentina Micaela. Entonces lo mejor sería esperar hasta que dejara de nevar para continuar. 

El día siguiente la nieve había aumentado, 1 metro de nieve, y tuvimos que compartir la carpa y la comida entre 7 personas. Hubo momentos en que pensé que seríamos enterrados por una avalancha, ya que el viento debía estar a 80 o 100km/h y la carpa se movía mucho, tuvimos que sostener la carpa y dar golpes para sacar la nieve. Al final del día 16/04, dos socorristas, Guillermo y Julián, decidieron bajar para pedir ayuda, ya que la rádio no estaba funcionando. Nos quedamos 5 en la carpa, Micaela, Pablito, Carlos, Luis Augusto y yo. 

Una película pasó por mi cabeza, pensaba en mi hija, mi familia, amigos y todo lo que me gusta hacer y lo que ya había vivido. Practicamente 3 días y 3 noches presa en una carpa con 7 y 5 personas, acostada o sentada, durmiendo en bolsas de dormir, sin baño, sin cepillarse los dientes, sin sacarme los lentes de contacto y saliendo de la carpa una vez por día, solo para hacer las necesidades fisiológicas, sin saber si iba a poder salir de la montaña. 

Lo que me dejó más tranquila, fue la calma de los tres socorristas, eso fue fundamental. El poder de la mente.

Para pasar el tiempo intentaban distraernos conversando y cantando. Para mantener la energía y el calor, preparaban mate, café, vitina, sopa, arroz y pasta, en una boca de gas, todo en la misma olla. Compartíamos la misma taza y había algunos platos que limpiábamos con papel higiénico. 

El domingo, 17/4, seguía nevando fuerte y el rescate no llegó. Como la comida se estaba acabando, ellos decidieron prestarnos ropa a Micaela y a mí. Nos atamos bolsas en los piés para no entrar nieve y congelarnos. Salímos el 18/04 a las 9.30, había disminuído la nieve. Carlos fue adelante, buscando la demarcación y abriendo camino, Luis fue sosteniendo a Micaela y Pablito a mí, ya que la nieve estaba muy alta, nos enterrabamos y caíamos mucho. Cuando pasó la parte de la nieve y pudimos caminar solas, me sentí más segura y con confianza de que llegaríamos bien.

Después de unas 6 horas caminando, conseguímos bajar la montaña, paramos en una hacienda donde fuimos muy bien recibidos, nos calentamos en la hoguera y tomamos mate. La policía llegó a la hacienda y fue muy atenta, dejándonos a salvo en el hotel.

Una experiencia que me llevo para el resto de mi vida y se la debo a Micaela por estar conmigo y a los socorristas por su competencia. Muchas gracias de corazón por su cuidado y paciencia.

Chacabuco. Si, lo haría todo de nuevo. 

Lamentablemente no pude terminar la corrida, que era mi objetivo, pero quien sabe en otra oportunidad. Amo correr, me hace sentir libre. Libertad no tiene precio.

Eliane Carvalho.

Ultra Fiord 2016 (en español)

(Clique para ler em português)

No tuve dudas de que estaba en un lugar de la tierra donde una decisión equivocada puede costar la vida.

Fue este el lugar de la Ultra Fiord y todos los atletas sientieron en carne propia lo que es correr en el fin del mundo en un dia de mal tiempo. Corrí esta prueba el año pasado y desde entonces vengo diciendo que es una corrida salvaje e inhóspita, pero este año fue feroz, y atacó. 

El recorrido fue alterado 2 días antes por medidas de seguridad, cruzaríamos un glaciar a 1250 m.s.n.m. que fue correctamente descartado, el nuevo recorrido llegaría a 850m., pero con clima de alta montaña. Así fue como la organización finalizaba el texto donde justificaba la modificación: “se recomienda a todos los corredores preparar su equipamiento para estas condiciones de montaña”.La frase se quedó en mi mente mientras preparaba la mochila de la corrida, con más ropa de lo que había pensado llevar. 

Nuevo mapa con aviso sobre condiciones climáticas de montaña.

La prueba.

Minutos antes de la largada de los 70km.

La ansiedad era tan grande como el frío en el área de la largada, pero a las 10 de la mañana, apenas empecé a correr, el frío pasó y me detuve para sacarme uno de los abrigos. El sol apareció por pocos minutos y luego empezó a nevar. Fueron 14km de senderos, a veces abiertos, otros tupidos, para después entrar a un bosque que llevaría al punto más alto de la prueba, aproximadamente el km 27 para mí, que participaba de los 70km. Y km 60 para los que corrían 100 millas. El trecho más alto, y peligroso, tenía cerca de 8km de extensión, con piedras, fuertes vientos y 3 puntos de control.

Era notoria la caída de la temperatura a medida que subía. Sin aliento, pero no por la altura si no por la inclinación. Al salir de la vegetación y cerca de alcanzar el punto más alto, llegué a la primera carpa, me detuve para filmar un poco el espectacular paisaje que dejaba atrás. Seguí subiendo y alcancé el área abierta con viento fuerte, y claro, la sensación térmica disminuyó. Inmediatamente saqué la mochila, me puse el abrigo y el otro par de guantes. El paisaje era fantástico, estaba en un valle con montañas altas y nevadas de los dos lados, pero la orden era no parar nunca para no congelar. Admirar, pero sin vacilar. Filmé desde varios puntos y algunos corredores me pasaron, dos o tres mujeres de short (cada uno sabe el frío que siente) yo todavía tenía otro abrigo en la mochila, un pasamontaña, un pantalón impermeable y claro la manta de supervivencia. 

Seguí ese trecho extasiado por el paisaje. Sacarse los guantes hacía que las manos perdieran movimiento por causa del frío, por eso filmaba poco. El recorrido estaba bien demarcado, una estaca a cada 20 o 30 metros, igual me mantuve alerta. Tuve la seguridad de que cortar el trecho del glaciar fue la decisión correcta y que de ningún modo la prueba había quedado más fácil. 

Al terminar este pedazo, bajé nuevamente a un trecho de bosque, ya sin viento, donde era más cómodo estar sin guantes. 

El recorrido seguía por ese bosque de vários colores, característicos del otoño. Cruzamos vários ríos estrechos, pero suficiente para mojarse y entumecer los pies con agua potable y helada. Incluso aquí, la nieve que me había acompañado durante toda la prueba, continuaba cayendo.

Tenía una barra de chocolate que había dejado para el final, para cuando ya estuviera a un ritmo más lento, estaba toda derretida por haber estado cerca del cuerpo, y mi desilusión fue total, pero fueron suficientes 5 minutos corriendo con el chocolate en mano para que volviera a ser una barra sólida (ni un congelador hace eso tan rápido). 

Pasé por aquí a la noche, con nieve alrededor del sendero dejado por los corredores.
Foto: Graciela Zanitti / iloverunn.com

El barro, que fue el mayor adversario el año pasado, marcó presencia, pero en menor intensidad, dejando el recorrido más rápido. Comenzó a caer la noche y cuando pasé por un cercado, me di cuenta que había entrado en una propiedad privada o sea estaba cerca de la estancia Perales, la llegada de los 70km. A 100 mts de la meta crucé el último río, con unos 30 mts de ancho, de agua calma y cristalina abajo de las rodillas, a temperatura ambiente (cerca de 0 grados). Eran 21.15 de la noche.

Cerca de Estancia Perales, donde muchos llegaron de noche.
Foto: Gemma Pla / Tucutun fotografia

Busqué mi bolsa, entré a un lugar calefaccionado, después de saludar a los amigos y comer. Fui al baño de afuera para cambiarme, e incluso con ropas secas me di cuenta del frío congelante que hacía. Muchos corredores aún continuaban sus pruebas de diferentes distancias.

Estaba feliz, había encontrado lo que había ido a buscar en esta prueba. Desafío, estrategia, toma de decisiones, adaptación al medio ambiente, menos barro y más corrida. Pasar el día entero corriendo y poco a la noche. No fue suficiente entrenar corrida, el lugar exigió mucho más que eso. 

Muerte en la prueba.

Al día siguiente, en el desayuno tardío, escuché que la prueba de 30km se había convertido en 15 por mal tiempo, peor que el día anterior, y que un corredor de las 100 millas había fallecido.

A la noche, en la ceremonia de premiación nos avisaron que Arturo Martinez Rueda murió en la parte alta del recorrido por hipotermia, hicimos un minuto de silencio y luego hubo una queja de una persona diciendo que no habían médicos y que el socorro demoró, en el embalo otras personas hicieron sus comentarios y quejas. Obviamente en respeto a Arturo y sus familiares, la ceremonia continuó sin el brillo que esperaba que tuviera, cuando terminé la prueba la noche anterior. 

No juzgo a nadie y expreso aquí apenas mi opinión. Leí atentamente la página web de la corrida antes de decidir correrla, apenas fue cambiado el recorrido sabía que dentro de los 70km los únicos puntos de parada, en caso de necesitar abandonar, serían o la largada o la llegada. Los otros puntos eran carpas en el medio de la nada, había elegido una corrida inhóspita y salvaje. Escuché las recomendaciones en el congreso técnico. Realmente el congreso podría haber sido más detallado, pero todas las decisiones durante la prueba son de cada atleta, también sabía esto. En un ambiente inhóspito, una decisión tardía o mal tomada puede tener consecuencias sérias. Stjepan no fue detallista al apuntar lo que encontraríamos en cada km, pero nos alertó para que tengamos en cuenta la localización geográfica. Que estábamos a 1h30 de vuelo de la Antártida y que sufríamos la influencia climática de allá más que del resto del continente.

Controlar los equipamientos no garantiza que los use. El staff que estaba antes de la parte alta, podría haber avisado que vendría mucho viento en los próximos 8km, para que me ponga más ropa y que no parara, pero yo no necesité que me avisaran para abrigarme. Incluso si hubiera paramédicos en las 3 carpas que cubrían los 8 km, podría haber sucedido, Arturo fue encontrado entre estas. Si yo parara para descansar en aquel lugar, podría haber quedado paralizado y anestesiado en pocos minutos por el frío, hasta morir.

Por último, si yo me encontrara en apuros o quisiera abandonar, haría lo posible por llegar a la próxima carpa, le hubiera pedido a alguien que me vistiera con la ropa que llevaba en la mochila, incluso con la manta de supervivencia y me hubiera quedado el tiempo que sea necesario. Fue lo que hicieron 2 corredoras, que tuvieron que quedarse arriba por 3 días esperando una tregua de buen clima para poder volver. Lo importante es que estaban seguras, con comida, agua y gas. Probablemente la decisión de parar les salvó la vida. Sabíamos también que el rescate en un lugar asi demoraría.

Cuando un atleta muere en la misma prueba que tú estás, esta pierde el brillo y muchos pensamientos controvertidos invaden la mente. Ya pasaron 10 días y continuo pensando si era tan fácil o no haber evitado esta situación.

Puedo pensar en innúmeras formas de complicarle la vida al corredor en este recorrido, sin la menor posibilidad de culpar a la organización o al corredor. Es el riesgo que se corre al elegir una corrida que pasa por lugares donde los seres humanos no acostumbran pasar.

Ayrton Senna era el mejor piloto y llevó más de 20 años para que otro piloto muriera en la F1. Maximizaron la seguridad para los pilotos, pero ellos no pasaron esos 20 años pensando que la muerte no era una posibilidad. “Después que el barco se hunde, siempre hay alguien que sabe como podría haberse evitado”. (proverbio italiano).

Existen corridas y corridas y no todas sirven para todos. No es suficiente elegir por los kilómetros, por el paisaje o ver cuantos puntos ITRA te da. La organización pidió experiencia previa y equipamiento obligatorio. No tenerlos es responsabilidad tuya y esto puede poner en riesgo a otros corredores. 

Es necesario estar conciente que la muerte es una posibilidad para todos, para los que tienen mucha o poca experiencia. El riesgo aumenta y disminuye de acuerdo a las decisiones que tomamos antes y durante la prueba.

Hice mi segunda Ultra Fiord y haría la tercera. Conservador en la distancia y exagerado en el equipamiento. Como corredor invitado haré lo máximo para ayudar a la organización a aumentar nuestar seguridad, pero voy conciente de que soy responsable por mí y que el riesgo siempre existirá.

Enzo Amato

Ultra Fiord 2016

(Hace click para leer en español)

Não tive dúvida de que estava num lugar da Terra onde uma decisão errada pode custar a própria vida.

Foi aí que rolou a Ultra Fiord, e todos os atletas sentiram na pele o que é correr no fim do mundo em dia de clima ruim. Corri ano passado e desde então venho dizendo que a prova é selvagem e inóspita, mas nesse ano ela foi feroz, e atacou. 

O percurso foi alterado 2 dias antes por medida de segurança, cruzaríamos um glaciar a 1250m.s.n.m. que foi corretamente descartado, o novo percurso chegaria a 850m, mas com clima de alta montanha. Foi assim que a organização terminou o texto onde justificava a modificação “se recomenda a todos os corredores preparar seu equipamento para estas condições de montanha”. A frase ficou na minha cabeça enquanto preparava a mochila de prova, com mais roupas do que anteriormente havia pensado em levar.

Novo mapa com aviso sobre condições climáticas de montanha…

A prova.

A ansiedade era tão grande quanto o frio que passava na área da largada, mas as 10 da manhã, assim que comecei a correr, o frio passou e parei para tirar um dos agasalhos. O sol apareceu por poucos minutos e logo começou a nevar. Foram 14km de trilhas, ora aberta, ora fechada para depois entrar num bosque que levaria ao ponto mais alto da prova, aproximadamente km 27 para mim, que fazia 70km. E km 60 para os que faziam 100 milhas. O trecho mais alto, e perigoso, tinha aproximadamente 8km de extensão, com pedras, fortes ventos e 3 pontos de controle.

Era notória a queda da temperatura conforme subia. Respiração ofegante, mas não pela altitude e sim pela inclinação. Ao sair da vegetação e próximo de alcançar o ponto mais alto, cheguei a primeira barraca, parei para filmar um pouco a paisagem espetacular que deixara para trás. Continuei a subir e logo alcancei a área aberta com vento forte, e claro, a sensação térmica despencou. Imediatamente tirei a mochila, vesti o agasalho e calcei meu outro par de luvas. O visual era fantástico estava num vale, com montanhas altas e nevadas dos dois lados, mas a ordem era não parar nunca para não congelar. Admirar, mas sem vacilar. Filmei em vários pontos e alguns corredores me passaram, duas ou três mulheres de short (cada um sabe o frio que sente) eu ainda tinha outro agasalho na mochila, uma balaclava, calça impermeável, e claro a manta de sobrevivência.

Segui esse trecho extasiado com a paisagem. Tirar as luvas fazia com que as mãos perdessem movimento por causa do frio, por isso filmava pouco. O percurso estava bem marcado, uma estaca a cada 20 ou 30mts, mesmo assim me mantive alerta. Tive a certeza de que cortar o trecho do glaciar foi a decisão certa, e que de forma alguma havia deixado a prova fácil.

Ao terminar essa passagem, desci novamente a um trecho de bosque, já sem vento, onde era confortável ficar sem luvas.

O percurso seguia por esse bosque de várias cores, característica do outono. Cruzamos vários rios estreitos, mas suficientes para molhar e endurecer os dois pés com água potável e gelada. Mesmo aí, a neve que havia me acompanhado durante toda a prova, continuava a cair.

Tinha uma barra de chocolate que havia deixado para o final, quando já estivesse num ritmo mais lento, estava toda derretida por ter ficado perto do corpo, e meu desapontamento foi total, mas bastaram 5 minutos correndo com ela na mão para que voltasse a ser uma barra sólida (nem meu congelador faz isso tão rápido).

Passei por aí a noite, com neve ao redor da trilha deixada pelos corredores.
Foto: Graciela Zanitti / iloverunn.com

O barro, que foi o maior adversário ano passado, marcou presença, mas em menor intensidade, deixando o percurso mais rápido. A noite começou a cair e, quando passei por uma cerca, percebi que entrara em propriedade privada e portanto estava perto da estância Perales, chegada dos 70km. A 100mts da chegada cruzei o último rio da prova, com uns 30mts de largura, de água calma e cristalina pouco abaixo dos joelhos, a temperatura ambiente (perto de zero). Era 21:15 da noite.

Peguei minha sacola entrei num lugar aquecido, depois de cumprimentar os amigos e comer. Fui ao banheiro de fora para trocar as roupas, e mesmo com roupas secas percebi o frio congelante que fazia. Muitos corredores continuavam suas provas de diferentes distâncias.

Estava feliz, havia encontrado o que vim buscar nessa prova. Desafio, estratégia, tomada de decisões, adaptação ao meio ambiente, menos barro e mais corrida. Passar o dia inteiro correndo e pouco a noite. Não bastou treinar corrida, o lugar exigiu muito mais que isso.

Morte na prova.

No dia seguinte, num café da manhã tardio, ouvi que a prova de 30km virara 15 pelo mal tempo, muito pior que dia anterior, e que um corredor das 100 milhas havia morrido.

A noite, na cerimônia de premiação nos avisaram que Arturo Martínez Rueda morrera na parte alta do percurso por hipotermia, fizemos um minuto de silêncio e logo após houve protesto de uma pessoa dizendo que não haviam médicos e que o socorro foi demorado, no embalo outras pessoas fizeram seus comentários e protestos. Obviamente em respeito a Arturo e seus familiares, a cerimônia prosseguiu sem o brilho que esperava que tivesse, quando terminei a prova, na noite anterior.

Não julgo ninguém e coloco aqui apenas minha opinião. Li atentamente o site da prova antes de decidir corrê-la, assim que o percurso foi mudado sabia que dentro dos 70km, os únicos pontos de parada caso eu precisasse desistir, seriam ou a largada ou a chegada. Os outros pontos eram barracas no meio do nada, sabia disso, havia escolhido uma prova inóspita e selvagem. Ouvi as recomendações do congresso técnico. Realmente o congresso poderia ter sido mais detalhado, mas todas as decisões durante a prova vem de cada atleta, também sabia disso. Num ambiente inóspito, uma decisão tardia ou mal tomada pode ter consequências sérias. Stjepan não foi detalhista ao apontar o que encontraríamos em cada km, mas nos alertou para levarmos em consideração nossa localização geográfica. Que estávamos a 1h30 de voo da Antártica, e que sofríamos mais influência do clima de lá do que do resto do continente.

Checar os equipamentos não garante que eu os use. O staff que estava antes da parte alta, poderia ter me avisado que viria muito vento nos próximos 8km, para vestir mais roupas e não parar, mas eu também não precisei do aviso dele para me vestir. Mesmo que houvesse paramédicos nas 3 barracas que cobriam os 8km, Arturo foi encontrado entre elas. Se eu parasse para descansar naquele lugar poderia ficar paralisado e anestesiado em poucos minutos pelo frio, até morrer.

Por último, se eu estivesse em apuro ou quisesse desistir, faria o máximo para chegar a uma barraca, pediria para que alguém me vestisse com as roupas que tinha na minha mochila, inclusive a manta de sobrevivência, e ficaria lá o tempo que achasse necessário. Foi o que fizeram 2 corredoras, porém tiveram que ficar lá por 3 dias esperando uma janela de tempo bom para poder retornar. O importante é que estavam seguras, com comida, água e gás. Provavelmente a decisão delas de parar lhes salvou a vida. Também sabíamos que o resgate num lugar tão inóspito seria demorado.

Quando um atleta morre na mesma prova que você está, ela perde o brilho e muitos pensamentos controversos invadem a mente. Já se passaram 10 dias e continuo pensando se era tão fácil assim ter evitado aquela situação.

Consigo pensar em inúmeras outras formas de complicar a vida do corredor naquele percurso, sem a menor possibilidade de culpar a organização ou o corredor. É o risco que se corre ao escolher uma corrida que passa por lugares onde seres humanos não costumam passar.

Ayrton Senna era o melhor piloto, e levou mais de 20 anos para que outro piloto morresse na F1. Maximizaram a segurança para os pilotos, mas eles não passaram esses 20 anos achando que a morte não era uma possibilidade. ”Depois que o barco afunda há sempre alguém que sabe como ele poderia ser salvo.” (provérbio italiano).

Existem corridas e corridas, e nem todas servem para todos. Não basta escolher os quilômetros, a paisagem ou ver quantos pontos ITRA ela dá. A organização pediu experiência prévia e equipamentos obrigatórios. Não ter um dos dois é responsabilidade sua e isso pode colocar em risco outros corredores.

É preciso consciência de que a morte é uma possibilidade para todos, mais ou menos experientes. O risco aumenta e diminui de acordo com as decisões que tomamos antes e durante a prova.

Fiz minha segunda Ultra Fiord e faria a terceira. Conservador na distância e exagerado no equipamento. Como corredor convidado, farei o máximo para ajudar a organização a aumentar nossa segurança, mas vou ciente de que sou responsável por mim, e que o risco sempre existirá.

Enzo Amato

Manu Vilaseca nos 70km da Ultra Fiord

(Abajo en español) 1ª mulher disparado nos 70km da Ultra Fiord de 2015, só 3 homens chegaram antes dela sendo um deles nada menos que o bi campeão da UTMB.

Ou seja, se você não corre muito rápido, a única chance de vê-la na prova, é na linha de largada. Ou esbanjando sorriso e simpatia nos dias anteriores a prova.

Saída do ponto de apoio do km 29 com glaciar Balmaceda, encoberto ao fundo.

Nascida no Rio de janeiro, Manuela começou a praticar hipismo aos 11 anos de idade, e aos 25 migrou para os esportes de aventura. Praticante de canoagem, corrida e mountain bike. Já teve passagens pelo triathlon e corridas de aventura expedicionárias.

Atleta fez parte da equipe North Face Brasil de 2012 a 2015 e foi recém contratada pela equipe Buff Internacional.

Atualmente mora na Espanha e seu foco para 2016 segue nas Ultra Trails, com calendário internacional repleto de desafios em provas de 80 a 170km. Desde que começou na modalidade, em dezembro de 2011, Manuela obteve títulos importantes como Campeã do La Mision (160km, Patagônia 2011), Campeã do STY (85km, Japão 2013), Campeã do Endurance Challenge (Chile 80km 2013 – Argentina 80km 2014 – Chile 160km 2014), Campeã Ultra Fiord (70km, Patagônia 2015), Trail del Viento (50km, Argentina 2015) e Campeã Vulcano Ultra Trail (100km, Patagonia 2015). No circuito mundial Ultra Trail World Tour 2015, Manuela conquistou a oitava colocação em 2015 com os importantes resultados: 5º lugar Transgrancanaria (125km), 5º lugar Lavaredo Ultra Trail (120km) e 10º lugar Ultra Trail du Mont Blanc (170km).

Amante da natureza, busca dentro do esporte uma maior proximidade, respeito e contato com o meio ambiente. Seu maior prazer está no fato de viajar o mundo conhecendo pessoas, e culturas, fazendo o que mais gosta.

A segunda edição da Ultra Fiord acontece entre 14 e 16 de abril e Manu gentilmente respondeu a algumas perguntas, deixou dicas importantes sobre a corrida e suas percepções.

1. Que distância vai fazer na UF 2016 e qual seu objetivo?
Esse ano vou correr os 70km, como fiz no ano passado. Embora a distancia seja “curta”, a Ultra Fiord é uma prova lenta e deve ser encarada com muito respeito. Meu objetivo principal sempre é cruzar a linha de chegada, pois nesse tipo de prova nunca podemos considerar que isso seja garantido. Se o clima ajudar, vou tentar fazer um tempo melhor do que fiz no ano passado, mas isso depende muito do clima. A progressão pode ficar mais lenta ou mais rápida devido a ele.
2. O que mais gostou na UF de 2015?
O que mais gostei da Ultra fiord em 2015 foi a característica tão selvagem da prova. Tive inclusive muito medo de não acabar ou de ficar perdida pela montanha. Gostei muito do fato de estar sozinha naquela imensidão. O visual também não tem igual. Cada passo era necessário ter atenção porque o terreno era muito complicado. Considero que a Ultra Fiord é uma prova única e especial!
Também preciso ressaltar que uma das coisas que me marcou na Ultra Fiord foi o Hotel Remota, em Puerto Natales. É um hotel muito especial e inesquecível.
3. O que vai fazer de diferente com relação a 1ª edição de 2015 e o que vai procurar fazer igual?
Creio que vou fazer tudo muito parecido com o que fiz no ano passado. Mudaria algo de vestimenta, de acordo com o clima, mas creio que será tudo muito parecido.
4. Conte sobre um dos treinos que fez que te deixou mentalmente confiante para a prova.
Esse ano eu não comecei com muita sorte, pois a Transgrancanaria, que foi minha primeira prova grande, eu tive que abandonar. A Ultra Fiord será minha primeira “maior distância” de 2016 e o que mudou muito no meu treino esse ano é a minha geografia e o clima. Estou morando na Espanha e aqui o inverno acabou recentemente. Talvez eu esteja um pouco mais preparada para o frio do que no ano passado. Isso, sem dúvida, me deixa mentalmente mais confiante. O fato de ter feito a primeira edição também me faz sentir mais preparada, pois já sei o que vem pela frente.
5. Qual sua prova mais importante de 2016, em que mês?
Tenho provas muito importantes pela frente e não sei dizer qual é mais, mas entre elas estão a Transvulcânia, Lavaredo Ultra Trail, Buff Epic Trail e Ultra Trail du Mont Blanc.
6. Tem alguma mania / ritual pré corrida?
Não tenho nenhum ritual nem mania antes da corrida. Tento apenas dormir o máximo possível e me alimentar o melhor possível.
7. Faz atividades que considera complementares a corrida de montanha? Quais?
Eu uso o mountain bike como atividade complementar nos treinos de corrida de montanha e inclusive esse ano fiz uma prova de 3 dias de mountain bike aqui na Catalunha.
8. Considerando sua experiência em provas, em que aspecto a UF leva destaque?
A Ultra Fiord leva destaque pelo visual e por ser uma prova no estilo “aventura”. O corredor não pode ir para lá esperando um banquete nos pontos de controle, pois não vai encontrar. Além de correr é importante saber se cuidar e administrar o desconforto muito bem. O terreno é complicado e a progressão é lenta. Acho que foram os 70km mais lentos que já fiz, (11h45) e não pelo desnível, mas pelo tipo de terreno. Muitas vezes não tem uma trilha marcada e é necessário navegar. É uma prova incrível e por isso fiz questão de voltar.
9. Que dica poderia deixar para os corredores que vão pela primeira vez a Ultra Fiord?
Tomar a prova com muito respeito, independente da distância e do desnível. Esse ano pode ser muito mais rápido que no ano passado, se não chover, mas pode também ser muito pior que no ano passado. Minha dica é sempre buscar curtir, respeitando a prova e a si mesmo. Também creio que é melhor levar coisas demais que de menos, pois é difícil prever o tempo que se demora para acabar.
Desejo boa sorte a todos os corredores e que desfrutem muito dos dias na Patagônia, dentro e fora da prova. É um lugar único e o fato de estar lá já é um presente. Nos vemos na Ultra Fiord!
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Lejos la 1° mujer en los 70km de la Ultra Fiord 2015, solo 3 hombres llegaron antes que ella siendo uno de ellos nada menos que el bi campeón de la UTMB.

O sea, si no corres muy rápido, tu única oportunidad de verla en la corrida es en la línea de llegada. O mostrando su sonrisa y simpatia en los dias antes de la corrida.

Nacida en Rio de Janeiro, Manuela empezó a practicar hipismo a los 11 años de edad y a los 25 migró para los deportes de aventura. Practicante de canotaje, corrida y mountain bike. Ya pasó por el triathlon y corridas de aventura expedicionarias.

La atleta fue parte del equipo North Face Brasil de 2012 a 2015 y fue recientemente contratada por el equipo Buff Internacional.

Actualmente vive en España y su foco para 2016 continuan siendo las Ultra Trails, con calendario internacional repleto de desafios en pruebas de 80 a 170km. Desde que empezó en la modalidad, en diciembre de 2011, Manuela obtuvo títulos importantes como Campeona de La Misión (160km, Patagonia 2011), Campeona del STY (85km, Japón 2013), Campeona del Endurance Challenge (Chile 80km 2013 – Argentina 80km 2014 – Chile 160km 2014), Campeona de la Ultra Fiord (70km, Patagonia 2015), Trail del Viento (50km, Argentina 2015) y Campeona de Vulcano Ultra Trail (100km, Patagonia 2015). En el circuito mundial Ultra Trail World Tour 2015, Manuela conquistó la octava posición en 2015 com importantes resultados: 5° lugar Transgrancanaria (125km), 5° lugar Lavaredo Ultra Trail (120km) y 10° lugar Ultra Trail du Mont Blanc (170km). 

Amante de la naturaleza, busca en el deporte más proximidad, respeto y contacto con el medio ambiente. Su placer más grande está en viajar por el mundo conociendo personas y culturas, haciendo lo que más le gusta.

La segunda edición de la Ultra Trail es entre el 14 y 16 de abril y Manu gentilmente respondió algunas preguntas, dio consejos importantes sobre la corrida y sus impresiones.

1. En qué distancia vas a participar de la UF 2016 y cuál es tu objetivo?
Este año voy a correr los 70km, como el año pasado. Apesar de ser una distancia “corta”, la Ultra Fiord es una prueba lenta y debe ser encarada con mucho respeto. Mi objetivo principal siempre es cruzar la línea de llegada, ya que en este tipo de prueba nunca podemos considerar que estos es un hecho. Si el clima ayuda, voy a intentar hacer un tiempo mejor que el año pasado, pero eso depende mucho del clima. El avance puede hacerse más lento o más rápido dependiendo del clima.
2. Qué te gustó más de la UF 2015?
Lo que más me gustó de la UF 2015 fue la caracteristica tan salvaje de la prueba. Inclusive tuve mucho miedo de no terminar o de perderme por la montaña. Me gustó mucho el hecho de estar sola en esa inmensidad. El paisaje no tiene comparación. En cada paso era necesario estar atento porque el terreno era muy complicado. Considero que la Ultra Fiord es una prueba única y especial! También quiero resaltar que algo que me marcó en la Ultra Fiord fue el Hotel Remota, en Puerto Natales. Es un hotel muy especial e inolvidable.
3. Qué vas a hacer de diferente en comparación a la 1° edición de 2015 y qué vas a tratar de hacer igual?
Creo que voy a hacer todo parecido a lo del año pasado. Cambiaría algo de la vestimenta, de acuerdo con el clima, pero creo que será todo muy parecido.
4. Contanos sobre algun entrenamiento que has hecho que te dejó mentalmente confiante para la prueba.
Este año no lo empecé con mucha suerte, Transgrancanaria, que fue la primera prueba grande, tuve que abandonarla. La Ultra Fiord será mi primer “mayor distancia” de 2016 y lo que cambió mucho en mi entrenamiento este año es mi geografia y el clima. Estoy viviendo en España y aquí el invierno terminó recientemente. Talvez esté un poco más preparada para el frío que el año pasado. Eso, sin duda, me deja mentalmente más confiante. El hecho de haber participado de la primera edición también me hace sentir más preparada, pues ya sé lo que viene por delante.
5. Cuál es tu prueba más importante de 2016 y en qué mes?
Tengo pruebas muy importantes por delante y no sé decir cual lo es más, entre ellas la Transvulcania, Lavaredo Ultra Trail, Buff Epic Trail y Ultra Trail du Mont Blanc.
6. Tienes alguna manía/rital pre corrida?
No tengo ningún ritual ni manía antes de la corrida. Solo trato de dormir lo máximo posible y alimentarme lo mejor posible.
7. Haces actividades que consideras complementarias a la corrida de montaña? Cuáles?
Uso el montain bike como actividad complementaria en los entrenamiento de corrida de montaña e incluso este año hice una prueba de tres días de montain bike aqui en Cataluña.
8. Considerando tu experiencia en pruebas, en que aspecto la UF se destaca?
La Ultra Fiord se destaca por el paisaje y por ser una corrida del estilo “aventura”. El corredor no puede ir esperando un banquete en los puntos de control, ya que no lo va a encontrar. Además de correr es importante saber cuidarse y administrar muy bien la incomodidad. El terreno es complicado y el avance es lento. Creo que fueron los 70km más lentos que he hecho, (11h45) y no por el desnivel si no por el tipo de terreno. Muchas veces no hay un sendero marcado y es necesario navegar. Es una prueba inceíble y por eso vuelvo.
9. Qué consejo podrías darle a los corredores que van por primera vez a Ultra Fiord?
Tomar la prueba con mucho respeto, indpendiente de la distancia y del desnivel. Este año puede ser más rápido que el año pasado, si no llueve, pero tabién puede ser mucho peor que el año pasado. Mi consejo es tratar de disfrutar siempre, respetando a la prueba y a sí mismo. También creo que es mejor llevar cosas de más y no de menos, ya que es difícil prever el tiempo que se lleva para terminar.

Les deseo buena suerte a todos los corredores y que disfruten mucho los días en la Patagonia, dentro y fuera de la prueba. Es un lugar único y el hecho de estar allí ya es un regalo. Nos vemos en la Ultra Fiord!

Fernando Nazário defende título dos 100km na Ultra Fiord. (también en español)

(Abajo en español) Na 2ª edição da Ultra Fiord o campeão dos 100km, que na verdade são 114, retorna para melhorar sua marca.

Fernando é a boa revelação brasileira do trail running. Tive o prazer de dividir o quarto com ele numa outra prova na patagônia chilena, a Ultra Trail Torres del Paine, em 2015. Pude conversar sobre treinamento, dar boas risadas, e também acompanhar de perto a concentração e organização que tem antes de uma prova.

Além de abocanhar os 100km da Ultra Fiord de 2015 (114km) com 15h50, também foi campeão da Ultra Trail Torres del Paine 2014, 67km em 7h30.

Ao cruzar a linha de chegada em Puerto Natales, depois dos 114km em 15h50.

Há duas semanas da Ultra Fiord, conheça um pouco mais sobre ele, suas percepções sobre a Ultra Fiord, estratégias e dicas para a prova.

Nome: Fernando Nazário-de-Rezende
Profissão: Professor Universitário / Preparador Físico e Personal Trainer da Assessoria Science Fitness Club – Uberlândia.

Formação: Mestre em Educação Física na área de Aspectos Biodinâmicos e Metabólicos do Exercício Físico.

Sou de Uberlândia – Minas Gerais – Brasil, tenho 34 anos, sempre gostei de esportes de motanha e outdoor. Era corredor de aventura inicialmente e só iniciei nas corridas de montanha em 2013.

1. Além da corrida, que outro esporte gosta ou gostaria de praticar?
Corrida de Aventura (pedalar – Remar – Correr)
2. Que distância vai fazer na UF 2016 e qual seu objetivo?
100km / quero ser mais rápido que 2015.
3. O que mais gostou na UF de 2015?
O clima entre os atletas, o carinho da organzação e a natureza selvagem do lugar.
4. O que vai fazer de diferente com relação a 1ª edição de 2015?
Pegarei os Bastões de caminhada para ajudar a subir a montanha e serei mais rápido nas transições do km 30 e km 70.
5. Conte sobre um dos treinos que fez que te deixou mentalmente confiante para a prova.
Ano passado desde o inicio de 2015 treinei 1510 km até a competição. Este ano conseguirei chegar com 1600 km de corrida treinando em um ritmo ainda mais rápido que o ano passado.
6. Qual sua prova mais importante de 2016, em que mês?
Ultra Fiord 100k e/y Ultramaratona dos Perdidos (105k em julho).
7. Tem alguma mania / ritual pré corrida?
Gosto Muito de criar uma boa estratégia de toda a competição, estudando cada detalhe pra elaborar uma logística muito adequada para a competição.
8. Faz atividades que considera complementares a corrida de montanha? Quais?
Bike,  Musculação e Treinamentos de Equilíbio funcional
9. Considerando sua experiência em provas, em que aspecto a UF leva destaque?
A prova mais impressionante em todos os sentidos que senti.
10. Que dica poderia deixar para os corredores que vão pela primeira vez a Ultra Fiord?
- Cuidem da sua alimentação e Hidratação – coma o macarrao no km 30 e tambem no 70.
- Aproveite tudo que a prova tem pra oferecer
- antes de chegar nos postos de apoio, mentalize o que irá fazer e a ordem certa das coisas sem correria pra não esquecer nada
- não fique muito tempo nos postos de apoio
- Tenha boas lanternas de cabeça
 

En la 2da edición de la Ultra Fiord el campeón de los 100km, que en realidad son 114, vuelve para mejorar su marca.

Fernando es una buena revelación brasilera del trail running. Tuve la suerte de compartir la habitación con él en otra corrida en la patagonia chilena, en la Ultra Trail Torres del Paine, en 2015. Pude conversar sobre entrenamientos, reírnos y acompañar de cerca la concentración y organización que hay antes de una corrida.

Además de conseguir los 100km de la Ultra Fiord de 2015 (114km) con 15h50, también fue campeón de la Ultra Trail Torres del Paine 2014, 67km en 7h30.

A dos semanas de Ultra Fiord, conocé un poco más sobre él, sus percepciones sobre la Ultra Fiord, estrategias y consejos para la prueba.

Nombre: Fernando Nazario-de-Rezende.
Profesión: Profesor Universitario/Preparador Físico y Personal Trainer de la Assessoria Science Fitness Club - Uberlândia.
Formación: Master en Educación Física en el área de Aspectos Biodinámicos y Metabólicos del Ejercicio Físico. 
Soy de Uberlândia, Minas Gerais, Brasil, tengo 34 años, siempre me gustó el deporte de montaña y outdoor. Era corredor de aventura inicialmente y recién inicié con corridas de montaña en 2013.
 
1. Aparte de corrida, qué otro deporte te gusta o gustaría practicar?
Carrera de aventura (bici – remo – corrida).
 
2. De cuál distancia vas participar en UF 2016 y cuál es tu objetivo?
100km / quiero ser más rápido que en 2015.
3. Qué es lo que más te gustó en la UF de 2015?
La buena onda entre los atletas, el cariño de la organización y la naturaleza salvaje del lugar. 
4. Qué vas a hacer de diferente comparado a la 1ª edición en 2015?
Voy con los bastones de trekking para ayudarme a subir la montaña y voy a ser más rápido en las transiciones del km 30 y 70.
5.Contános sobre alguno de los entrenamientos que hiciste y que te dejó más confiante para la corrida.
El año pasado desde el princípio de 2015 corrí 1510km hasta la corrida. Este año llegaré a los 1600km a un ritmo más fuerte que el año pasado.
6. Cuál es tu carrera más importante de 2016, en qué mes?
Ultra Fiord 100km y Ultramaratona dos Perdidos (105k en julio).
7. Tienes alguna maña / ritual pre-corrida?
Me gusta mucho crear un buen plan de toda la competencia, estudiando cada detalle para elaborar una logística adecuada para la competición.
8. Haces actividades que consideres complementarias a la corrida de montaña? Cuáles?
Ciclismo, musculación y entrenamientos de equilíbrio funcional.
9. Considerando tu experiencia en carreras, en qué sentido la UF se destaca?
Es la carrera más impresionante en todos los sentidos que viví.
10. Qué consejo podrías dejarles a los corredores que van por primera vez a Ultra Fiord?
- Cuiden su alimentación e hidratación – coman la pasta en el km 30 y también en los 70.
- Aprovecha todo lo que te proporciona la carrera.
- Antes de llegar a los puntos de apoyo, mentaliza lo que vas a hacer y su orden sin apuro para no olvidarse de nada.
- No te quedes mucho tiempo en los puntos de apoyo.
- Lleva buenas linternas de cabeza.

Treino de esteira 3 – por Enzo Amato

Tiro ou intervalado, seja lá o nome que você prefira, o mais importante é acertar a intensidade para ser efetivo, como sempre.

Seguindo a linha e parâmetros dos treinos 1 em pirâmide, e o 2, em onda, ambos treinos de ritmo para melhorar a resistência ao desconforto. Abaixo um treino para melhorar velocidade e alcançar alta intensidade. É feito em ritmo desconfortável para a distância da prova. Só assim para justificar o descanso.

Supondo que o objetivo seja fazer 10km a 15km/h (4min p/km). Segue um exemplo:

500m a 10km/h

500m a 11km/h

1km a 12km/h (até aqui aquecimento)

5x 1km a 16 ou 17km/h por 2min de descanso parado entre eles, ou a 3km/h. (descansar parado é melhor, mas algumas esteiras desligam sozinhas se não tiver alguém sobre elas, por isso a caminhada sem vergonha no intervalo)

Os batimentos, a partir do segundo tiro, vão passar do L2, chegando perto do limite pessoal.

Imagem: Shutterstock

A esteira propicia regularidade, algo que na rua pode variar muito de acordo com a experiência do corredor. Menos experiente = muita variação de velocidade durante o tiro, o que é errado para esse tipo de treino. Caso prefira a rua, faça sempre no mesmo trajeto para poder comparar um com o outro.

  • Variações: Caso 1km acima do L2 seja muito, faça 500m, pois mais importante que cumprir a distância, é conseguir correr acima da velocidade alvo da prova. Ao longo das semanas você deve conseguir chegar a 1km. Outra opção pode ser descansar 3min ao invés de 2.

Ler o texto ensinou tudo que você precisava saber?

Não! Importante dizer que para iniciante, até treino errado funciona, pois a evolução no início é vertiginosa. Para esses, o maior risco é o de lesão por excesso da carga e/ou volume de treino. Percebe-se diferença de desempenho num corredor treinado, quando existe um planejamento coordenado, entre diferentes tipos de treino, direcionados individualmente às suas características e rotina. É o que justifica, comprovadamente com resultados, o investimento num treinador experiente. O maior risco para um corredor treinado, ao fazer por conta própria, é estagnar o desempenho, fazendo-o treinar mais, e equivocadamente, errar pelo excesso.

Se tiver alguma pergunta é só escrever.

Outros treinos legais de esteira, clique.

Enzo Amato

Treino de esteira 2 – por Enzo Amato

Mais um de ritmo para melhorar tempo.

O treino 1 (clique para ler) é progressivo até a velocidade alvo. Abaixo segue uma variação também atingindo a velocidade alvo, porém em “onda”.

Supondo que a velocidade alvo para uma prova de 10km daqui algumas semanas seja de 15km/h. Suba da velocidade aproximada de L1 para a velocidade alvo, em 3 blocos de 400m, por 6 a 8x. Exemplo a seguir:

  • 400m a 12km/h (vel. aproximada de L1)
  • 400m a 14km/h (vel. aproximada de L2)
  • 400m a 15km/h (vel. alvo nos 10km daqui algumas semanas)
  • 6 a 8 vezes (os batimentos devem ficar próximo do L2 e diminuir uns 15bpm a cada série iniciada). 

    Imagem: Shutterstock

Como sempre a intensidade correta faz toda diferença, por isso preocupe-se em ajustá-la. 1, ou até 2km/h a menos continua sendo um treino exigente, mas pode não te levar ao objetivo.

Outros treinos legais de esteira, clique aqui.

Se tiver dúvida é só me escrever.

Enzo Amato