Preparação psicológica?

Você já ouviu alguém dizer que estava com medo de fazer determinada prova, que a “cabeça atrapalhou” em um momento difícil, que “faltou cabeça” para agüentar a pressão e o cansaço, que a ansiedade estava muito alta, que a autoconfiança deixou a desejar, que estava muito difícil se concentrar, que o jeito da pessoa ser a impediu de ter um melhor resultado, que as preocupações não a deixaram dormir direito no dia anterior, ou algo parecido? Com certeza alguns desses fatos já deve inclusive ter acontecido com você!

Tudo isso faz parte do universo esportivo, e convivemos com isso nas diferentes provas e nas mais diferentes modalidades. No entanto, tais aspectos são muitas vezes negligenciados, como se não fizessem parte da vida do atleta (profissional ou amador).

Quando penso uma preparação esportiva, penso em quatro tipos de preparações: técnica, tática, física e psicológica. E algo que chama atenção é que normalmente nos dedicamos a treinar apenas três delas: a técnica (a qualificação dos fundamentos, a execução correta dos movimentos, etc), a tática (conhecer a prova, criar uma estratégia, fazer um plano de treino, etc) e a física (o condicionamento físico, a alimentação correta, a prevenção de lesão, etc). Mas e a preparação psicológica? Na maioria das vezes é deixada de lado, como se a condição psicológica de um atleta não pudesse ser treinada. Mas não só pode como deve!

Justamente por isso falamos de uma preparação psicológica, uma vez que não envolve apenas intervenções pontuais, ou dicas/ sugestões para o dia prova (que também são válidas), mas sim um processo de preparação, que começa com uma avaliação psicológica do atleta que tem como objetivo mapear suas principais limitações e potencialidades e montar um Programa de Preparação Psicológica, em que escolhemos os temas, caminhos e estratégias para fazer seu acompanhamento visando desenvolver suas habilidades e competências psicológicas, deixando-o melhor preparado para os treinos e as provas.

Sempre brinco que psicólogo não tem bola de cristal nem varinha mágica. Muitas vezes as pessoas fazem perguntas do tipo: “Antes da prova começo a ficar com medo de não conseguir terminar e isso compromete toda a minha prova, o que eu faço?” E minha resposta só pode ser: “Não sei!”. É preciso conhecer essa pessoa, sua história, e a partir daí entender o que acontece e pensar formas de solucionar tal questão. É claro que existem dicas generalizadas e algumas “fórmulas” que muitas vezes são divulgadas, mas não podemos nos esquecer de que cada pessoa é única, e que muitas vezes as fórmulas não se aplicam a todas elas.

Ainda é rara a procura pelo acompanhamento psicológico em atletas amadores que tem no esporte um lazer ou uma prática não profissional, no entanto, a Psicologia do Esporte e do Exercício tem muito a contribuir, principalmente para qualificar a prática esportiva, tornar mais prazerosa, sem grandes medos ou cobranças, o objetivo não é focar no resultado, mas sempre na qualidade do processo, na crença de que o resultado é a simples conseqüência de um processo bem vivenciado.

Fazer atividade física com foco na saúde envolve também a saúde mental das pessoas, para muitos funciona como uma prática que podemos chamar de terapêutica, e a preparação psicológica para os atletas é também uma ótima ferramenta de autoconhecimento e autodesenvolvimento. Vocês sabiam que existia essa preparação psicológica? O que acharam?

Mandem sugestões de temas ou questões para que eu organize os próximos posts de acordo com os temas de maior interesse para tod@s. Todo mês estarei por aqui!

Forte abraço, e divirtam-se nos treinos e provas!

Rafa Dutra

Rafa Dutra é psicólogo e tem como áreas de atuação a clínica, a educação e o esporte. É parceiro da Assessoria Esportiva Enzo Amato, parte da equipe de psicólogos do “Espaço da Psicologia” e da “Clínica Esporte Vivo”, psicólogo da seleção brasileira de handebol juvenil, da Academia Winner Tennis e faz parte da atual diretoria da ABRAPESP – Associação Brasileira de Psicologia do Esporte.

10 ideias sobre “Preparação psicológica?

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  4. Olá Rafa e Todos,
    Este post foi ótimo! Eu, volta e meia tenho isto. Na véspera da Meia-Maratona do Rio de ste ano, só consegui dormir 3 horas, tamanha era a ansiedade… E olha que não era a primeira Meia… A cabeça não parava, tentei de todas as formas dormir, perdi a conta dos carneirinhos várias vezes…

    Mas o meu problema foi mesmo ansiedade pura… Acho que era muita vontade de chegar logo de manhã para ir, só pode ser…. O pior é que eu sabia que tinha que dormir bem, eu estava bem treinada…

    E eu corro as competições porque eu gosto do esporte em si, nunca fui ligada em ser a melhor, quero apenas participar da festa! O engraçado é que este meu pensamento faz com que eu fique calma e na grande maioria das provas eu sempre vá bem melhor que na anterior!!

    Mas é isso aí, queria muito aprender a lidar com a ansiedade para que isto não ocorra novamente e eu possa ir para provas mais importantes bem descansada!!

    O lance é correr!! :-) )))

    bjs

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  7. Olá Caio, Otavio, e tod@s!

    Bacana os comentários. De fato, principalmente aos que se dedicam ao esporte como uma atividade não-profissional, a diversão é um ingrediente que não pode faltar!

    Otavio, sugestão anotada, não prometo para o próximo post, mas em breve escrevo sobre as treinos e provas de longa distância, ok?
    Sugestões são sempre bem-vindas!
    Forte Abraço!

  8. Gostaria muito de saber sobre o treinamento psciologico para grandes distâncias (maratonas, ironmans). Tranto treinamoentos, como provas.
    Grato

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  10. Verdade Rafa, realmente o estar bem e não estar depende muito de nossos sentidos, conceitos, vontades…acho que nossa mente por ser tão viva e envolvida com principios de se manter focada acabamos por esquecer o foco que deveria ser o principal para uma vida esportiva mais saudável, a atividade como simples diversão…eu por exemplo penso na atividade como diversão…conseguindo se expressar a meu corpo e dá-lo um momento de paz…apenas correr por correr…

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