Agora falta muito pouco!!!

A equipe toda já está em Floripa e o ambiente é espetacular, o bairro todo respirando Ironman, pessoas bonitas fazendo uma festa incrível. O clima ótimo, calor durante o dia com céu azul e frio a noite por causa do vento.

Hoje, dia 27, foi o jantar de massas, muito bem organizado, sem filas e com muitos lugares disponíveis para sentar. No ano passado esses pontos deixaram a desejar, a comida muito boa como sempre. Mas depois eu conto com mais calma e mais detalhes, a intenção deste post é fazer com que as pessoas e leitores que sempre nos acompanharam, mas que por qualquer motivo não puderam estar aqui em Floripa, acompanhem os atletas pelo site do evento durante a prova.

Abaixo deixo os números dos atletas que durante o transcorrer da prova vão gritar palavras de incentivo uns aos outros e lembrar que muita gente torce por eles.

Nome                                Número

Clodoaldo                            188

Edu Coimbra                      521

Edu Virtual                        479

Enzo                                    782

Evandro                             288

Leo                                    1058

Marcio                              472

Otavio                               438

Witney                              170

Grande abraço a todos.

Falta pouco.

Faltando apenas alguns dias para o Ironman Brasil 2011 todos os integrantes da equipe já estão ansiosos faz tempo, mas principalmente muito auto-confiantes com o trabalho físico, nutricional e psicológico realizado ao longo dos últimos 4 meses e meio.

Como atleta também estou ansioso para que o dia chegue logo e como treinador dessa equipe que se tornou um grupo de amigos, estou muito orgulhoso pelo esforço, dedicação e companheirismo que pude observar e presenciar durante a preparação.

Conquistamos muito mais do que preparo para concluir uma prova gigantesca e desafiadora, o aprendizado, a amizade, o companheirismo, a troca de experiências, a raiva, os desafios que o ciclo da vida nos impõe sem marcar hora, são provas de que é preciso muito mais do que vontade para ser um Ironman. Como treinador já os vejo como Ironman, e como amigo, agradeço pelo aprendizado que tive com todos vocês.

Só nos falta participar da festa no domingo. Os familiares e amigos acompanharam a rotina de treinos tentando imaginar ou acreditar no que fazíamos, mas neste final de semana eles também farão parte desta celebração e isso ajuda a tornar essa prova tão mágica quanto desafiadora.

Vejo vocês em Floripa!

Caros leitores, podem esperar por boas histórias e causos a partir da semana que vem.

Abraço a todos.

Perda de peso durante a corrida.

Num dos treinos mais longos de corrida dentro da preparação para o Ironman Brasil 2011 pesei os corredores imediatamente antes e depois do treino, foram 35km, confortavelmente feitos em 3h30min, num dia de temperatura agradável, veja os resultados:

Nome                              Antes       Depois      Perda     Percentual

Clodoaldo                        56,9           55,5         1,4kg        2.4%

Edu Coimbra                  73,2            70,7        2,5kg         3.4%

Enzo                                 53,8            51,7         2,1kg          3.9%

Marcio                             78,8            76,3         2,5kg         3.1%

Witney                             76,2            74,1          2,1kg         2.7%

É importante observar que o percentual de peso perdido esteve entre 2.4% e 3.9% sem contar a quantidade de líquidos ingerido durante a atividade. Quanto maior a perda, pior, os batimentos se elevam e dão a impressão de que o exercício fica mais difícil, e maior também é o risco de lesões.

É muito difícil repor, durante uma prova ou treino longo, a mesma quantidade de líquido perdido, a perda sempre é maior, por isso tão importante quanto se hidratar durante o evento é ter a mesma atenção no dia anterior.

Você pode fazer esse cálculo e saber se tem se hidratado corretamente durante seus treinos. Pese-se antes e subtraia pelo peso pós treino, juntamente com a quantidade de líquidos que você ingeriu durante a atividade (500ml equivale a 0,5kg). O resultado é o total de peso em quilos, e a partir dele você calcula a porcentagem.

Até 2% de perda de peso corporal, apenas água é sufuciente para a reposição, a partir daí uma bebida isotônica é bem vinda, porém se a perda chegar a 6% você precisará de orientação de um nutricionista para que isso não ocorra novamente, pois é um sério sinal de desidratação que compromete a funcionalidade dos órgãos e a execução do exercício.

Sonhando para o sucesso

Você tem sonhos regulares? Cuida deles como cuida de sua saúde? Saiba que pessoas sonhadoras são melhores sucedidas que as que não ligam muito para eles.

Os nossos sonhos são as lentes pelas quais enxergamos o futuro. É mantendo o foco nele que construímos a nossa vida. O prêmio dos sonhadores é, quase sempre, o sucesso e já os que não sonham, é invariavelmente a dura realidade de uma vida cheia de atropelos.

Os sonhos nos ajudam a construir e manter o foco nos objetivos aos quais, sem eles, dificilmente chegaremos ao triunfo e conquistaremos aquilo que tanto desejamos. Saiba que não basta sonhar e cruzar os braços a espera de milagres. Para transformá-los em realidade, precisamos trabalhar duro continuamente, de forma inteligente, direcionada e disciplinada. Caso contrário, os sonhos fugirão por entre os dedos assim como água ou areia.

Dê passos concretos, e aja com persistência em direção àquilo que mais deseja. Tenha em mente que os sonhos servem para dizer-lhe para onde devemos ir, já as metas nos mostra como chegaremos lá. O ilustre Zig Ziglar ressalta: “Seja disciplinado em fazer as coisas que você tem de fazê-las quando você precisa fazê-las, e um dia verá o quanto você será capaz de fazer as coisas que você quer fazer quando você deseja fazê-las!”

Não fique a vida toda esperando que o sonho caia do céu. É preciso decidirmos o que mais desejamos da vida e concentrarmos todas as nossas energias para obtê-la. Se é de sonhos que estamos falando, não há razão para almejarmos coisas pequenas. Não tenha medo de ousar e pensar grande para ser grande. Sonhadores ilustres não se contentam com a mediocridade. Eles nunca sonham pela metade e jamais deixam de focarem metas ousadas.

Mas se você não materializou ainda o seu sonho, não se preocupe tanto, nem o abandone tão facilmente, pois pode ser apenas um teste para saber se está pronto para obtê-lo. Tenha muita fé, mantenha a sua mente concentrada nele, busque novos caminhos e logo constatará que, como em um passe de mágica, ele iluminará sua vida. A sabedoria popular ensina que “A preocupação olha em volta, a tristeza olha para trás, a fé olha para cima”.

Lembre-se sempre, do que dizia Chico Xavier: “embora ninguém possa voltar atrás e fazer um novo começo, qualquer um pode começar agora e fazer um novo fim”.

Texto de Evaldo Costa

Fonte: HSM Online

Homen de ferro e coração derretido.

Esta crônica foi escrita pelo amigo Edu Coimbra alguns dias depois de ter concluído seu primeiro Ironman ano passado.

Por: José Eduardo Osias Coimbra

No dia 26 de Maio de 2010,  a Angela, o Lucca e a Laura partiram para o sul do País rumo ao sonho do Papai, eu, Zé Eduardo, um atleta amador de 42 anos que iniciou no esporte aos 3 anos de idade. Durante todo o trajeto pensava na prova, no desafio, no sonho da linha de chegada. Em alguns momentos partia do banco traseiro do carro um gritinho: “Papai, você está me ouvindo? Estou falando com você!” Graaaande mancada, mais uma bronca.

Chegando em Floripa a ansiedade aumentou, a cidade respirava esporte com 36 países representados, havia mais bikes nas ruas do que carros… Fiquei morrendo de vontade de colocar minha roupa e sair para treinar, sabia que se fizesse um “quebra gelo”, um trotezinho meia boca, eu já me acalmaria. Mas não! Lembrei do meu técnico que me disse várias vezes: “Edu, o descanso é total nos três dias que antecedem a prova, você tem que acumular energia, não se impressione com o treinamento dos outros competidores etc, etc, etc”. Foi difícil, mas consegui ficar parado todos esses dias comendo basicamente macarrão, atum, queijo fresco, e geléia.

Chegou o grande dia. Consegui dormir até às 3 horas da matina, levantei e fui logo fazer a barba… queria sair bonito nas fotos, preparei minha alimentação pré-prova e mais alguns detalhes finais, e às 5 horas em ponto fui ao encontro do meu técnico e colegas. A cidade já estava muito movimentada, faróis de carros nos dois sentidos, agitação total.

Quando o local da largada foi se aproximando, meu coração ficou mais agitado. Iniciamos todo o ritual de troca de roupa e conferência dos últimos detalhes. Os alto-falantes anunciavam a contagem regressiva para a largada… fomos para a praia. Ainda estava escuro. Hino nacional e o anúncio da diretora da prova: “Senhores atletas, dentro de instantes será dada a largada do IRONMAN BRASIL 2010 e, conforme nosso contato com a natureza o Sol acaba de nascer no horizonte bem à nossa frente” Não me contive e fui às lágrimas, não acreditando que aquilo estava acontecendo. Pensei comigo: “Já vi esse filme por repetidas vezes, só que dessa eu estou fazendo parte” Nos abraçamos, amigos e treinador, e choramos. Rezei! Pedi proteção, força, sabedoria e inteligência na condução da minha prova.

Largada dada!!!!! Muita trombada, coices, tapas, etc. A impressão que dava era a de que não havia mar para tanta gente, os primeiros 20 minutos foram de paciência em buscar uma posição mais adequada e ritmo. Meu objetivo era terminar os 3800 metros de natação em 1h:20min. Tive bastante calma, economizei energia e quando sai da água e olhei para o relógio… 1h:09min. Pensei comigo: “Maravilha!!!!! Vamos para a bike! Transição feita, agora são 180km de pedal”.

Em cima da magrela passei 6 horas, pensei em tudo e todos. Ritmo encaixado, frequência cardíaca baixa, começo a cantar, isso mesmo, a cantar literalmente revendo todos os episódios que antecederam a prova. Logo na primeira grande subida comecei a chorar  lembrando das pessoas, dos treinos, das grandes subidas pelas quais passei na fase de treinamento, e continuei cantando, chorando e subindo, subindo, subindo sem me cansar… Minhas pernas estavam muito fortes. No final da primeira volta de 90km mais emoção, logo na entrada da cidade estavam lá a Angela, o Lucca e a Laura acenando e gritando: “vai Papai, força!!!! ” Que emoção!!! Meus Pais, Tios, Primos, Irmão, Cunhada, sobrinho e amigos também.

Iniciei a segunda volta de 90km, sem dores e com o espírito renovado pois havia encontrado todos os meus familiares. Hora da concentração e de executar o planejamento que inicialmente previa uma bike um pouco mais forte na segunda metade, já que a primeira tinha como objetivo me dar mais confiança e conhecimento do percurso com seus perigos. Entretanto, nesse momento, mudei minha estratégia, resolvi manter a mesma cadência da primeira volta e terminar o pedal em 6 horas, ou 30km/h de média. Eu precisava economizar energia, nunca havia feito uma maratona após 180km de bike e 3,8km de natação, e fiquei com a convicção de que minha decisão me traria boas surpresas.

Outra transição, troca de roupas e vamos para a maratona, 42km! Lembrei do meu treinador: “Edu, comece devagar, ensinando seu corpo a se acostumar com a troca de modalidade”. E assim foi, 1km, 2km… 6km e eu já estava totalmente adaptado a corrida, não sentia dores, cansaço e meu ritmo estava encaixado de forma surpreendente. Minha confiança aumentava a cada metro e a amplitude das minhas passadas também. Minha velocidade aumentou, comecei a ultrapassar outros competidores, alguns já estavam sofrendo, andando e flexionando o tronco na direção dos joelhos já evidenciando algum cansaço.  E eu seguia firme, naquela batidinha, me sentindo cada vez mais forte, tão forte, tão forte, que quando terminei a primeira volta de 21km aconteceu um dos momentos mais emocionantes da prova para mim, depois de beijar a minha Mãe,  eu parei, abracei meu Pai demoradamente e chorando disse-lhe, entre outras coisas, ao pé do ouvido: ” PAI… ACABOU, EU SOU UM IRONMAN! “. Mesmo faltando mais duas voltas de 10,5km eu já tinha a certeza que o desafio estava vencido, tamanha era minha confiança, força, fé em Deus e principalmente alegria. Quando deixei a bike eu estava na colocação 959 ( havia exatos 1626 participantes), fiz a corrida e terminei a prova na posição 717. Ultrapassei 242 atletas só na maratona! Muito bacana!

Na última volta de 10,5km a emoção foi plena, chorei quase ela todinha, cumprimentei e agradeci ao público,  a gentileza dos voluntários que trabalharam na organização do evento e segui rumo ao pórtico derradeiro.

Já era noite, clarão adiante, faltam 500m: “Cadê a Angela, o Lucca e a Laura, minhas vistas estavam embaçadas, o sacrifício maior foi deles, cadê, cadê, cadê?” Foi então que apareceu na minha frente meu filho Lucca gritando: “Papai, Papai, Papai!!!!” Noooooossssa! Entramos todos juntos na arena e nos abraçamos de joelhos após a linha final. Indescritível a emoção!

O Ironman me fez uma grande revelação, que na verdade acho que já estava no meu coração. Essa prova não foi feita para que os competidores busquem inconsequentemente seus tempos e metas como único fim, ela deve ser contemplada e degustada na mesma proporção em que é bela e mágica, não merecendo ser agredida com a dor e o sofrimento dos atletas.

Fundamentalmente estive lá com este propósito, celebrando a minha saúde e a oportunidade divina de tê-la, a minha paixão pelo esporte e o meu amor pela minha família e amigos. Esse Ironman, de forma muito intensa me possibilitou tudo isso e muito mais. NÓS VENCEMOS! E foi com esse espírito que terminei a prova. As pessoas olhavam para mim com a  impressão de que eu ainda não havia passado sequer pela linha de largada.

Fechei meu primeiro Ironman em 11h42min, mas isso pouco me importa, aprendi que o mais importante é o atleta nutrir-se da energia que ele carrega, realizando e concluindo a prova de forma FELIZ.

José Eduardo Osias Coimbra

Onde está seu Everest?

Foram meses de treino e dedicação, e faltando praticamente um mês para meu quinto Ironman, ainda não consigo responder à pergunta que já me fizeram algumas vezes.

Por que fazer um Ironman?

Depois da conquista do Pólo Norte em 1909 e do Pólo Sul em 1911, o Everest tornou-se o desafio mais cobiçado entre os exploradores terrestres. Chegar ao topo, declarou Gunther O. Dyrenfurth, um influente alpinista e cronista das primeiras expedições ao Himalaia, era “uma questão de empenho humano universal, uma causa da qual não há como fugir, sejam quais forem as perdas que exija”.

Os primeiros a tentar o Everest tinham que percorrer, a pé, árduos 640km do platô tibetano para alcançar apenas o sopé da montanha. Naquela época, 1924, apenas o governo tibetano abria suas fronteiras aos estrangeiros, ao contrário do Nepal. O conhecimento dos efeitos mortais de altitudes extremas era mínimo e os equipamentos patéticos para a realidade atual. 

Durante um ciclo de palestras nos Estados Unidos, George Mallory foi questionado por um jornalista, por que motivo queria escalar o Everest. A resposta ”porque está lá” é famosa até hoje.

Em junho de 1924 George Mallory e Andrew Irvine deixaram o acampamento base em direção ao topo, subiam com extrema dificuldade, a neblina encobriu a parte superior da pirâmide, impedindo que os companheiros de expedição, mais abaixo na montanha, acompanhassem o progresso dos dois alpinistas, eles não voltaram à barraca naquela noite e nunca mais foram vistos. Desde então a dúvida, se chegaram ao cume ou não, persiste até hoje.

Dia 29 de Maio de 1953, o neozelandês Edmund Hillary e o nepalês Tenzing Norgay conquistaram oficialmente o monte Everest (8848m).

Dia 29 de Maio de 2011, quase dois mil atletas se colocarão a prova num desafio extremo, mesmo para pessoas muito bem treinadas.

A resposta “porque está lá” já é motivo suficiente para os que gostam de se desafiar, mas que para isso também precisam de uma dose de ousadia, meses de comprometimento, dedicação, preparo e força de vontade. No vocabulário dessas pessoas, palavras como, desafio, absurdo, loucura, extremo, vontade, saúde, gratidão, conquista, vida, amor, vigor, disposição, esporte, família…são constantes, tendenciosas e até inspiradoras. Talvez todas elas não consigam responder à pergunta, porque fazer um Ironman, mas mesmo que a resposta não convença, certamente ela faz parte da jornada.

Se o seu Everest é um Ironman ou uma prova de 5km prepare-se com dedicação e prazer e aproveite a jornada, não só a conquista, pois todo o processo faz parte dela.

Parte do texto foi extraída do livro “No ar rarefeito” de Jon Krakauer.