Que venham os 180km.

Faltando exatamente 8 semanas para o Ironman Brasil 2012 faremos nosso primeiro treino de 180km de ciclismo. Desde Janeiro, quando ainda fazíamos entre 50 e 70km, o grupo vem adaptando o corpo e a mente a suportar distâncias cada vez maiores.

O detalhe do descanso é difícil de ser agregado à rotina, no início, os futuros Ironman querem treinar mais e mais e isso pode deixá-los estagnados no desempenho. Lembro que este texto é dirigido à atletas amadores.

Dar ao seu corpo um estímulo de 180km é mais eficaz, para um Ironman, do que fazer 100km todos os dias da semana acumulando 700km. Isso acontece muito na corrida, onde os atletas se preocupam em cobrir distâncias médias na semana, onde nem conseguem ir tão forte quanto num tiro, e nem tão longe quanto o que a prova vai exigir. O corpo e a mente sofrem depois que você entra na distância a que não está acostumado e a partir daí, o sofrimento só aumenta.

O ponto chave para se completar um Ironman é cobrir as distâncias de cada modalidade em dias separados e descansar muito, para não só se recuperar, mas acumular energia para suportar outros treinos longos. Aos que vão com objetivo de baixar tempo, além da distância, inclui-se na matemática treinos menores de velocidade, também sabendo a hora exata de colocá-los em prática.

Voltando ao nosso grupo, os 180km é o tipo de treino que nos dá confiança, mesmo terminando super cansados e com dificuldade de imaginar que no Ironman teremos que correr 42km depois dele. É importante por nos acostumar a suportar praticamente mais do que o tempo que faremos na prova, já que no treino vamos um pouco mais lentos.

Esse treino será feito longe de casa, a partir da estrada, simplesmente vamos 90km e voltamos, por isso deve ser encarado como uma expedição onde levaremos mais peso do que no dia da prova.

Abaixo, divido com você leitor, alguns lembretes que costumo passar a todos para esse tipo de treino:

  • Carregue o tipo de comida e suplementos que pretende usar na prova;
  • Coma e beba com a mesma frequência que fará na prova;
  • Leve consigo kit reparo, bomba, câmaras reserva e pneu reserva;
  • Capacete obrigatório, óculos e luvas ajudam muito;
  • Use roupas claras para ser visto mais facilmente pelos carros e caminhões;
  • Comida e água para sobrar, pois caso aconteçam imprevistos, o tempo do treino aumenta e a fome também;
  • Dinheiro para comprar mais água e comida no caminho;
  • Celular com créditos e os números dos colegas de treino gravados;
  • Saco plástico para deixar celular, dinheiro e documentos, pois o suor e água da chuva podem arruiná-los. Leve com você e não na bike, caso você seja assaltado os ladrões levarão só a bike;
  • Pense em coisas boas, numa prova longa, e treino, sua mente passa por altos e baixos;
  • Quando você começa o treino em grupo, você termina em grupo também. No grupo de 2012 somos em 10 atletas, não é necessário que os 10 parem por conta de um pneu furado, mas sozinho e no fim do grupo, nenhum atleta deve ficar;
  • O grupo não precisa permanecer junto por todo o treino, mas os mais rápidos devem marcar pontos de encontro no caminho para o grupo se reunir novamente. Acredite, seu treino não será comprometido por isso;
  • Treine pesado para fazer a prova leve. A comida e líquido extra que você levar nos treinos podem salvar seu parceiro que eventualmente tenha calculado mal a alimentação ou até mesmo a tenha perdido pelo caminho;
  • Imprevistos acontecem, principalmente em provas ou treinos que duram o dia inteiro. Seja precavido.

Depois desse treino de ciclismo de 180km no sábado, faremos um de 30km de corrida no domingo. Escreverei sobre os dois treinos em breve, aguarde.

Enzo Amato.

160km de bike com Titãs na cabeça!

No sábado, dia 10/3 fui com os atletas que se preparam para o Ironman pedalar 160km.

Acordei as 5 da manhã, tomei café, me arrumei, peguei toda comida e líquido que usaria no treino, por volta de 4kg e as 6:10 me encontrei com alguns deles, seguimos para o ponto de encontro e as 6:45 começamos realmente o treino, éramos 9 nesse dia, Imigrantes, Rodoanel, Imigrantes, interligação 2x e retorno para casa. O sol matando, o pessoal arrepiando o pedal, cheguei em casa as 13:00, pouco antes da chuvarada. Ao ler parece que passou rápido não é? E passou mesmo!

Culpa da noite anterior onde a Paula e eu assistimos ao show dos Titãs, passei o dia relembrando as músicas e da grande noite que tivemos. Show no SESC Belenzinho, ingresso a preço justo R$40, estacionamento coberto a R$6, pão de queijo a R$1, espaço de sobra e limite de pessoas, só 500 por show, enquanto esperávamos, podíamos escolher entre comer no buffet ou tomar um café, todos sentados confortavelmente. Na hora marcada o show começou, nos levantamos e fomos para perto do palco, como todos os outros, não importava o local que ficássemos, sempre estávamos perto do palco e sem tumultos, mais de 1h30 de show, todo álbum Cabeça dinossauro e várias outras, apenas 4 horas de sono para encarar os 160km do dia seguinte, mas muito satisfeito.

Ser Ironman é saber curtir a vida, treinar para viver e não viver para treinar.

Enzo Amato.

O início!

Sair da zona de conforto é difícil, nossos músculos e cérebro optam pela lei do mínimo esforço, isso é natural do ser humano, se você precisa carregar um pacote, seu corpo vai se organizar de forma que o pacote fique mais fácil de carregar, e assim para todas as outras atividades diárias.

Você se acostuma a sair de casa com o carro e nem se dá conta de que existem várias outras alternativas de fazer o mesmo trajeto, me refiro a pequenos trajetos. Subir um ou dois andares de escada certamente leva menos tempo do que esperar o elevador chegar até você e te levar, mas nem cogitamos pegar as escadas, a zona de conforto nos deixa cegos e preguiçosos.

Pra começar uma atividade física é mais difícil ainda, a desculpa mais comum é a falta de tempo, mas na hora de falar sobre o fim da novela, big brother ou compartilhar frases prontas no facebook, a história é outra.

Com a finalidade de incentivar as pessoas a experimentar a corrida como atividade física, por ser uma atividade de fácil execução, não necessitar de equipamentos ou local fixo, o projeto Fênix PRÓ-SAÚDE do núcleo de formação humana do Colégio Fênix Santa Paula e a Enzo Amato assessoria esportiva convidam aos interessados a calçar um par de tênis, vestir roupas confortáveis, mostrar disposição e atitude como ingredientes básicos para colher os frutos de uma rotina saudável.

O mais difícil no começo é encarar a corrida como um compromisso, com hora e data marcada, encaixá-la na rotina e na agenda, pois uma vez no local, o treino se desenvolve dentro dos limites de cada pessoa, com o benefício de ser uma atividade em grupo e a vantagem de poder fazer novos amigos. Depois de incorporada à rotina fica muito mais fácil continuar com a atividade e deixar pra trás aquele estigma de pagar academia e não ir.

Convido a todos para um treino sem compromisso para que entendam um pouco melhor como trabalho, tirem dúvidas e experimentem, acima de tudo o hobby que escolhemos deve ser algo prazeroso.

Local: Av. Pres. Kennedy em frente ao teatro Paulo Machado de Carvalho, altura do nº2300 segundas e quartas, entre 19:30 e 21 horas.

Me conheça um pouco mais através do meu blog e site.

http://www.midiasport.com.br/blog/sobre/

http://www.enzoamato.com.br/

Um abraço, Enzo Amato.

Bike na Serra da Anta. Rumo ao Ironman Brasil 2012

Era cedo, muito cedo! 4:30 da manhã toda turma já estava na frente de casa, prontos para carregar a van rumo a Juquiá, onde começaria nosso treino de força na bike. Colocar 10 bikes na carreta, amarrar e proteger com todo cuidado leva tempo, por isso só conseguimos partir lá pelas 5:20, todos animados para pegar 4 horas de estrada antes de começar o pedal, paramos no caminho para um rápido café da manhã depois de um pouco de trânsito na Regis Bittencourt.

Gustavo, Marchi, Witney, Diogo, Edu, Enzo, Silvio, Rafa, cachorro passeando (Léo, Clodoaldo e Robson demoraram no banheiro e perderam a foto)

Chegamos em Juquiá, desmontamos as bikes da carreta, carregamos os bolsos e caramanholas e exatamente as 10 horas começamos a pedalar, ambiente de cidade do interior, calmaria e estrada tranquila, tínhamos 30km antes de chegar no pé da serra da anta, cerca de 1 hora pedalando, carros cuidadosos nas ultrapassagens e outros nem um pouco.

No início da serra todos nos reunimos novamente e começamos o que realmente queríamos fazer. Treino de força, 27km de subida, alguns querendo o título de rei da montanha, outros apenas vencê-la com toda vontade de superação pessoal, seja lá quanto tempo levasse, mas todos no mesmo lugar para curtir o treino. Os mais rápidos subiram em 1h17, ou 21km/h de média. O esforço foi extremo, tão grande quanto a confiança conquistada depois dele.

O visual ajuda muito, mata atlântica dos dois lados, plantações de banana, que significa que o lugar é quente, pássaros, silêncio quebrado apenas por alguns veículos que passavam vez ou outra. O restaurante que serviria de ponto de parada ficava no meio da serra e por isso ao chegarmos ao topo ainda tínhamos que descer 15km. Impossível descer a toda velocidade, pois uma pancada de verão molhara a pista nos obrigando a descer com mais cautela.

Deixamos as bikes com o Diogo que as organizaria na carreta novamente e logo saímos para correr 10km, começando com o pior, pra cima. Por um lado é bom, já que dá pra treinar com batimentos altos sem precisar alongar tanto a passada ou correr feito louco. Alguns correram pra valer, outros focaram o treino só na bike e aliviaram na corrida.

Com um grupo bem heterogêneo conseguimos treinar no limite de cada um, e nos divertimos muito. No final de tudo, a natureza que nos cobrou para subir, nos recompensou com uma pequena cachoeira ao lado de uma fonte com água refrescante. Não tivemos dúvida para entrar debaixo da cachoeira.

Pra quem acha que depois de tudo isso voltamos imundos dentro da van, estão enganados. Chuveiro quente no restaurante e depois um almoço de comida simples e farta. Mesmo tendo que encarar outras 4 horas para chegar em casa, o passeio valeu a pena, e mesmo que não tivéssemos o Ironman como objetivo, tenho certeza que faríamos esse passeio novamente. Mês que vem tem outro, mas dessa vez para um destino mais difícil ainda. Aguardem!

Enzo Amato.

30km que valem a pena. Rumo ao Ironman Brasil 2012.

O fim de semana dos dias 17 e 18 de Março foi recompensador, mas a sensação não veio só depois que o treino termina. Estar onde estávamos, e ainda correndo, já era o prêmio.

Sábado praticamente repetimos a distância da semana passada, cerca de 170km de bike fazendo todo o trecho sul do Rodoanel mais a Imigrantes. Como a distância já não era novidade, o treino rolou numa boa com até umas disputas saudáveis na ponta do pelotão. Mas como nem todos tem o mesmo ritmo, marcamos alguns pontos de encontro no caminho para reunir todo o pessoal novamente e seguir o treino. Entre todas as paradas e percurso dentro da cidade, levamos cerca de 6 horas para terminar a aventura, que por mais que pareça muito, a sensação é que dura cada vez menos já que o corpo e a mente vem se acostumando a isso para enfrentar o Ironman em maio.

Dá pra imaginar que, por mais que estejamos treinados, ninguém acorda 100% recuperado no domingo para correr, mas isso é propositalmente calculado, transformando o fim de semana num treino de transição, muito parecido com o que enfrentaremos no Ironman.

Domingo, 6:30 da manhã nos encontramos em São Caetano do Sul para, de carro, seguirmos até Ribeirão Pires. Chegamos em 45min, estacionamos num posto de combustíveis, protetor solar, caramanholas, cintos de hidratação, gel, esparadrapos e vaselina nos pontos que mais incomodam nos pés, e pontualmente as 7:30 começamos a correr pela estrada sentido Paranapiacaba. Nesses treinos longos sempre oriento a ir mais lento do que o ritmo de prova, para que o corpo e a mente se acostumem com muito tempo de corrida, e se recuperem mais rapidamente durante a semana.

A estrada é bem sinalizada, praticamente deserta e inteiramente de subidas e descidas. Dos 7 que estávamos correndo, apenas o Marchi conhecia o percurso. Por isso, os que seguiam na ponta, esperariam por todos assim que chegassem numa lanchonete pelo caminho. Fizemos 10km e chegamos na tal lanchonete, bem simples e rústica. Especialidade da casa, torta de frango. Havíamos feito apenas 10km e ainda nos faltavam 20. Já sabia que ia sentir muita fome, pois naquele ponto já havia comido praticamente a comida do treino todo. O jeito foi deixar uma torta encomendada para a volta. Nesse ponto saímos do asfalto e pegamos a estrada de terra, que aumentaria o trajeto em 2km, e que valeram a pena. Mata atlântica dos dois lados, silêncio quebrado apenas pelos pássaros e treino seguindo tranquilo apesar dos 170km de ontem. Chegamos em Paranapiacaba, cidade construída por ingleses, para os trabalhadores da estrada de ferro. Hoje as casinhas simples de madeira são restaurantes de comida caseira e residências, mas todas mantêm a fachada original. Demos uma rápida passada pela cidade, enchemos as garrafinhas na fonte e retomamos a corrida pelo outro lado da cidade, dessa vez pelo asfalto. Com 20km completados, sem contar a passagem pela cidade, paramos novamente na lanchonete, dessa vez para quebrar as regras da boa nutrição esportiva. O pedaço da torta era maior que um pedaço de pizza e tão alta como uma xícara. Impressionante! Muita torta, com muito frango e muito ovo, pedimos uma Coca-Cola de 2 litros que foi dividida entre os 7 e saímos para os últimos 10km do trajeto para completar os 30km. Estávamos correndo por volta de 6 minutos por km (10km/h), logo após a torta passamos para 7, e com motivos de sobra para transformar o último terço do treino em caminhada, mas Ironman exige esforço, apesar de fazermos tudo com muito prazer. Inacreditavelmente o Otavio e o David retornaram ao ritmo forte, para um treino longo, 4:50 por km, mesmo depois da torta. Realmente um treino de superação, daqueles que fica na memória. Valeu pessoal!

30km depois... Da esquerda, Robson, Marchi, Witney, David, Enzo, Gustavo e Otavio de verde.

Todos mandaram muito bem e a sensação de dever cumprido foi tremenda, pois ainda faltando mais de dois meses para a prova, fizemos um dos treinos mais difíceis da preparação. Nos restam mais dois como este, para todos termos certeza e confiança de que o Ironman será concluído com êxito.

O restante da turma teve que dispersar por compromissos pessoais, mesmo assim fizeram o treino de domingo mais perto de casa.

O próximo texto será sobre o treino de bike na Serra da Anta. Faz parte do percurso 30km de subida ininterrupta. Não percam!

Enzo Amato.

Como o Léo resolveu fazer o Ironman Brasil 2012.

Nunca pratiquei esportes de maneira contínua, quando adolescente jogava futebol na rua e andava de skate, mas isso não era sempre.

Comecei a fumar com 15 anos, os anos foram passando e o ganho de peso, o fumo e a falta de atividade física me levaram a 82 kg, sobrepeso pelo IMC pra uma pessoa com 1,72m.

Em 2007, minha esposa e eu resolvemos ter um filho. Com este objetivo, em Setembro de 2007 resolvemos parar de fumar.

Com esta decisão ouvi de todos os amigos que já que eu estava parando de fumar, iria engordar.

Como dito, eu já estava acima do peso e não queria engordar mais, então decidi ir contrário ao que acontece e resolvi perder peso, e escolhi, além de um regime de restrição de calorias, a corrida.

Os resultados apareceram rapidamente e acabei pegando gosto pela corrida, então peguei uma planilha da revista O2 para 5k e comecei a segui-la.

Em Dezembro/2007 estava com 72kg e coloquei como objetivo de, no feriado de 1 de maio de 2008 estar pesando 65kg. Cheguei na data com 63kg e continuei perdendo peso por conta da reeducação alimentar e corrida até chegar a 58,5 kg, fiz meus primeiros 5k em julho/2008 e comecei a treinar para 10 km.

Em Setembro/08 minha esposa e eu estávamos com tempo livre pela manhã. Eu disse a ela que sempre tive vontade de fazer natação e ela disse que também tinha a mesma vontade, então nos matriculamos numa academia.

Em novembro/08 alguns colegas daqui da empresa me incentivaram a comprar uma bike Road e começar a pedalar na estrada velha de Santos, comprei a bike e comecei a ir lá aos domingos.

Em dezembro/08 enquanto pedalava na estrada velha vi uma placa escrito “retorno do simulado de triathlon” e fiquei curioso pra saber o que era aquilo que, até então, só tinha ouvido falar do tal do triathlon, mas não sabia nem a ordem das modalidades que o compunham.

Em 25 de janeiro/09 fui com minha esposa num domingo lá na serra pra ver o que era esse tal de simulado de triathlon, gostei da coisa, da área de transição montada, das pessoas que me atenderam e resolvi que iria treinar para fazer um simulado desses pra ver como é que era. (lembro bem deste dia e com muito carinho, pois foi no mesmo dia em que descobrimos que minha esposa estava grávida, ela fez o teste de farmácia as 5 da manhã, comemoramos muito e fomos pro simulado).

Léo, Davi e Bianca

Comecei a treinar na academia e em março/09 fiz meu primeiro simulado de triahtlon e fui correndo provas de short triatlhon por diversão até que, em Maio/11 tive a oportunidade de ir até Floripa assistir à mais maravilhosa manifestação de esporte, superação, vencimento de desafios, etc, etc, etc, o Ironman Brasil 2011.

Estive na praia de Jurerê desde a largada até a chegada (naquele frio danado, dançando pra aquecer ao som do DJ), vi o Garth Barfoot de 75 anos que chegou às 23:55 dançando, cantando e comemorando a vida.

Naquele dia decidi que eu tinha que fazer o Iron 2012.

Falei com o Enzo e ele me disse que eu tinha condições para tal feito, conversei com minha esposa e ela, junto comigo, aceitou o desafio.

Fiquei conectado e à meia-noite do dia 06/06/2011 eu fazia minha inscrição pro IMB 2012.

Inscrição feita, tive que literalmente, correr atrás. Fiz minha primeira maratona em Floripa em Out/2011 e meu primeiro long distance (distancia meio-ironman) em Nov/2011.

Maio próximo ostentarei o número 929 no IM Brasil 2012 e, se tudo der certo cruzarei aquela linha de chegada com um enorme sorriso no rosto, pois tenho certeza que não será só apenas prova e sim, como nosso treinador e psicólogo disseram, será uma das maiores experiências da minha vida.

 

Gostaria de agradecer às pessoas que me incentivaram e continuam me incentivando a continuar em frente e a superar esses desafios meio malucos que eu invento, rs.

Em primeiro lugar obrigado à minha esposa Bianca por sempre estar ao meu lado, mesmo quando eu não estou ao seu lado treinando, ao Anselmo Yamada por ter sido meu primeiro incentivador na corrida e ter me dado um monte de dicas, ao Isaac Razzante e Luciano Capas por terem insistido comigo pra eu comprar minha primeira bike speed mesmo eu sendo tão resistente em gastar “tanto” dinheiro numa bike, rs , e por compartilharem muitos treinos comigo até hoje, ao Francisco Fruett por ter corrido centenas de kms comigo nos treinos pra maratona e ter trocado um monte de experiências comigo, tanto de esporte quanto pessoal nos nossos longões, ao Eduardo Anjos que tem me dado vários toques para melhorar minha natação.

6 meses antes, mas já com pinta e espírito de Ironman.

E um especial ao meu filhinho Davi, que mesmo sem saber, me incentiva quando ele me pega pela mão e diz, “papai fazê zecício” e me leva até a parede pra alongar e depois deita no chão pra fazer flexão de braço comigo (isso é demais, qualquer dia eu faço um vídeo e posto pra todos verem), este é, com toda certeza meu maior incentivo. Ele me ensina cada dia mais que criança aprende mesmo é com nosso exemplo e, se queremos fazer dos nossos filhos cidadãos de bem, antes de tudo temos de sê-lo.

Um obrigado também ao Enzo, que tem a difícil tarefa de me colocar naquela finish line, rs.

Leonardo Coriteac

Circuito das Estações.

Era pra eu ser coelho, mas só servi como motor de arranque.

Corrida das estções 2012, etapa que abre o outono, mas logo cedo ainda com cara e temperatura de verão. Enquanto esperávamos a hora de aquecer, o sol já brilhava forte e esquentava.
Como sabem, estamos nos preparando para o Ironman Brasil, que acontece em maio e a corrida de ontem se encaixa na preparação como treino de velocidade, já que é uma prova concorrida, mas que dá para cravar recorde pessoal. Os 10km não era novidade para ninguém, um dia antes havíamos feito 160km de ciclismo como treino de adaptação à distância, e os 10km no domingo serviam para melhorar nossa velocidade, pois havíamos feito 21km uma semana antes e ainda temos 2h30 semana que vem, ou seja, nesta corrida era simplesmente para “sofrer” pela intensidade e não pela distância.

Largamos 8h30, Léo, Clodoaldo e eu, na cara do gol, para correr abaixo de 40min. Marchi e Sergio um pouco mais atrás, pois pretendiam fazer em 45 e 50min respectivamente. Dias antes o Clodoaldo havia dito que nunca havia feito 10km em menos de 39min, e como ele teve que adiar os 160km do dia anterior, combinei com ele de buscar sua melhor marca, e para isso começaríamos a prova forte, ganhando um pouco de tempo, já que os 2 primeiros quilômetros são em descida, e depois bastaria suportar a prova no limite de esforço possível, já que ele vinha fazendo treinos de tiro muito fortes. (Essa estratégia foi pensando nas características do Clodoaldo, não sugiro isso a corredores iniciantes)

Para terminar abaixo de 39min a média seria de 3:52 por km, por isso nas descidas precisávamos ganhar tempo, pois as subidas nos cobrariam esse tempo de volta. Assim foi, fizemos o primeiro em 3:30, o segundo em 3:37 e logo na subida ingrime de um quarteirão, o Clodoaldo me mostrou que bateria sua marca, me deixou pra trás cerca de 50 metros, a esquerda no minhocão ele manteve a vantagem, no retorno dos 5km disse a ele que estava em 17º no geral e para manter o ritmo forte, a partir daí ele só aumentou a vantagem. Nessa hora eu já pensava na primeira frase deste texto. Continuei com minha corrida no limite que conseguia seguir, a intenção era que os batimentos ficassem bem elevados, mantive média de 185 e concluí em 39min, já havia perdido o Clodoaldo de vista, o que significava um ótimo tempo para ele e não deu outra, 37:30, melhor marca e dentro de uma preparação de Ironman, que não visa esse tipo de estímulo.
O Léo cravou 40min, e o Marchi 45min, ótimos tempos para quem vai para o primeiro Ironman, fiquei muito contente, pois na preparação deles o que me importa é que suportem os treinos longos, como os 160km de sábado, mas se além disso eles ainda conseguem correr 10km forte, mérito deles! O Sergio cumpriu o prometido, 50min.

Fazia muito tempo que não participava de uma corrida do circuito das estações, sem contar os flanelinhas, tudo me agradou, rapidez para retirar chip, guardar sacola no guarda volume, espaço na concentração e dispersão, staff para água, quantidade de água, frutas e isotônico no final, o kit com squeeze térmico, toalha de treino e camiseta Adidas.

Tive tempo de sobra para voltar pra casa e dar uma boa dormida ainda antes do almoço.
Vida boa!

Enzo Amato.

Desenho animado de 1950 mostra a realidade atual!

O desenho é antigo, mas as pessoas continuam as mesmas.
Sempre lembro desse desenho do pateta quando tento decifrar as pessoas no trânsito, e sem a menor hipocrisia, até eu mesmo.
Pessoas educadas e respeitosas que atrás do volante deixam a máscara cair e são capazes de qualquer coisa para não perder alguns segundos.
Dirigindo máquinas de pelo menos 1500kg contra pedestres ou ciclistas de 70kg, aplicando a lei do mais forte, quando nosso código de trânsito diz que o maior é responsável pelo menor.
Não é preciso de mais do que 6 minutos para mostrar várias situações reais das pessoas no trânsito.
Deixo apenas um adendo. Existem idiotas em todos os tipos de veículos no trânsito e temos que conviver e sobreviver a eles.
Assista ao vídeo e reflita.
Enzo Amato.

http://youtu.be/cfnrHz_gM20

Encontro Ironman 2. Quando e qual estímulo treinar?

No texto anterior falei sobre o princípio da supercompensação onde a importância do descanso dentro da preparação ficou bem evidente. No decorrer do encontro com os atletas falei também sobre como saber a hora de treinar cada modalidade, e se esse treino deveria ser resistência ou força.

A grosso modo e comparando as modalidades do triathlon.

  • Nos recuperamos de um treino de natação rapidamente, muitas pessoas podem fazer 3,8km por dia e se recuperar bem nesse tempo.
  • O ciclismo é de recuperação média, muitas pessoas podem fazer 180km uma vez por semana.
  • Enquanto a corrida exige uma recuperação mais demorada, onde muitas pessoas podem fazer 42km uma vez por mês.

3.8km natação, 180km de ciclismo e 42km de corrida é a distância de um Ironman. Para terminar uma prova dessa é preciso ter resistência. Para poder terminar um pouco mais cedo, além da resistência é preciso também ser veloz. Portanto treinos longos e treinos de tiros são os dois tipos de treino que considero mais importantes dentro de qualquer preparação que vise condicionamento e não emagrecimento.

Como no texto anterior, podemos usar como exemplo uma escala de 0 a 10 para essas duas capacidades, resistência e velocidade, em cada modalidade. Onde a resistência nota 10 seria a sensação de que a distância da prova será concluída. E a nota 10 para velocidade é aquela sensação de que se sente muito bem numa sequência de tiros, e que está muito perto do seu melhor.

Cada um de nós temos nossos limites e não adianta treinar mais para superá-lo. Como diz o ditado – quem nasce lagartixa não vira jacaré. Ou até como digo, Cielo não vira Bolt. Você deve treinar para alcançar seu máximo em cada modalidade e em cada capacidade, mas isso não quer dizer que você vai ficar bom em todos. Se fosse fácil assim bastaria escolher em qual esporte você gostaria de ser campeão mundial e treinar bastante, mas cada um de nós temos nossos limites.

Dito isso, se aos finais de semana você consegue perceber evolução na sua resistência, aumentando o volume a cada 15 dias por exemplo, se sentindo bem e confiante, quer dizer que você está cada vez mais resistente. Se entre esses treinos longos você também consegue encaixar um treino de tiros, e da mesma forma se sentindo veloz e disposto para fazer esse tipo de treino, quer dizer que você está forte e veloz. Cada modalidade deve ter seu treino longo e forte dentro da mesma semana, algumas semanas serão mais focadas em uma modalidade do que outra, mas todas devem ser estimuladas.

Os atletas mais experientes já sabem seus próprios limites quando falamos de velocidade ou volume e se você estiver dentro desses parâmetros, está no caminho certo, mesmo treinando relativamente pouco.

Pode até parecer que ao detalhar e simplificar o processo de evolução meu trabalho como treinador fique cada vez menos essencial, pelo contrário, se o atleta amador entender tudo o que envolve o treinamento esportivo, basta para o professor saber dosar a carga e volume dos treinos, bem como a hora certa de aplicar cada um deles, dentro da agenda apertada do atleta amador, de seus objetivos e condicionamento, que mudam a cada ano.

Aguarde o último texto referente a esse bate papo sobre Ironman.

Ciclista atropelada #naofoiacidente

Sempre tive dificuldade em explicar, com clareza, o que passo no trânsito quando estou usando a bicicleta ao invés do carro ou da moto, mas tomei a liberdade de copiar 2 parágrafos do blog “vá de bike” dentro do texto que Willian Cruz relata com mais detalhes que a morte de Juliana Dias também não foi acidente.

“Quem pedala nas ruas sabe: há motoristas que se irritam com a simples presença do ciclista na via e fazem questão de passar no espaço onde o ciclista está, mesmo que haja pistas livres para ultrapassagem. O motorista buzina, ameaça com o tamanho do carro e o barulho do motor e o ciclista que bata as asas para sair dali. Ou, pior, dão a conhecida “fina educativa”, em que o motorista passa propositalmente perto do ciclista para “educá-lo” a não utilizar as vias. E é isso que o motorista desse ônibus (e também daquele carro) parece ter feito.

Por isso dizemos #naofoiacidente. O simples respeito ao artigo 201 do Código de Trânsito Brasileiro, que determina distância de 1,5m ao ultrapassar um ciclista, teria evitado essa tragédia. Quem o desrespeita, deve levar em consideração o risco de uma lesão corporal ou morte. Se ainda assim o faz, não se pode dizer que foi um acidente. Acidente é o que não poderia ter sido evitado.”

Comecei a usar a bike como meio de transporte como alternativa aos congestionamentos. De lá pra cá os congestionamentos pioraram, o número de ciclistas aumentou, a educação do povo continua a mesma e as punições não existem. Desse jeito uma coisa é certa, teremos mais protestos e bicicletadas, a única incerteza é saber quem será o homenageado na próxima.

Meus sentimentos à família e amigos da vítima.

Enzo Amato.