70.3 Penha 2012

70.3 (Meio Ironman) na pele do Robson, superação ao extremo.

O Robson está inscrito no Ironman Brasil 2013 e queria fazer seu primeiro 70.3, distância total de meio Ironman em milhas, como parte da preparação e coincidindo no final de suas férias. Depois de me falar sobre seus objetivos com certa antecedência, planejamos os treinos com aumento do volume progressivamente, e cautelosos, pela pouca bagagem no ciclismo e em provas longas de triathlon. No meio da preparação ele resolveu viver as férias e passar 23 dias na Itália, voltando para o Brasil no mesmo dia que iria embarcar para Santa Catarina, 2 dias antes da mais dura prova que ele faria até agora. Daqui pra frente deixo você com o relato escrito pelo próprio Robson de como foi seu meio Ironman, que valeu por um inteiro.

Início de Agosto, treinos na Itália.

Corrida, fiz 3 treinos, sendo um de 8km com calor de 34° em Salerno, outro de 10km com calor de 30° província de Roma e um outro de serra de 6km com um calor que beirava os 34° em Felito. Esses foram meus treinos de corrida de Agosto.

Bike, não consegui treinar durante as férias

Natação treinei um pouco na piscina de 25 mts em Felito e um pouco no mar Mediterrâneo quando fui passear por lá.

Dia 23 de agosto, cheguei da Itália desfiz as malas e comecei a fazer outra mala pro Meio Iron, peguei a bike da revisão, passei plástico bolha etc… Chegamos ao aeroporto e mandamos passar outro plástico para dar uma maior protegida, tirei as rodas amarrei do lado e bora… Chegando em Navegantes o pessoal da Opalatur já nos esperava com a van rumo ao Hotel.

Dia 24 de agosto, dia anterior a prova.

Acordei cedo, tomei café e me mandei pro mecânico que ficava no nosso hotel para ele montar e regular a bike, depois de uns 45 minutos fui ver como estava a garota. Ao chegar escuto a pior frase ”Quebrou a gancheira da sua bike durante o transporte aéreo e eu não tenho essa peça e provavelmente você não vai achar outra por aqui.”

Pensei em todos os meses que havia treinado, toda logística, dinheiro gasto com passagem inscrição etc… nessa hora o fácil seria desistir, mas ao invés disso fui batalhar e tentar encontrar a peça para que pudesse ser substituída. O primeiro lugar que fui procurar foi na Expo, mas nada, havia apenas de marcas diferentes, perguntei em 2 lojas e nada, pensei “meu pai virá logo mais a tarde, vou tentar com meu mecânico”, tirei uma foto da peça e mandei por mensagem para o celular dele, em alguns minutos veio a resposta “não temos essa peça” nesse caso eu havia 3 possibilidades, a primeira seria desistir (essa estava fora) a segunda seria comprar uma bike de TT specialized de alumínio no valor de R$4.990,00 (que por sinal iria me dar um baita prejuízo) e a terceira seria alugar a bike do mecânico que estava no hotel, que é maior que a minha, modelo speed e ir pra guerra assim mesmo.

Corri para o ônibus da Opalatur e voltei para o hotel rezando para que o mecânico não tivesse alugado para outra pessoa, ou até mesmo vendido, assim que cheguei subi correndo e fui ver a situação da bike, pois até o momento eu estava fora da prova e já era quase 2 da tarde. Começava o check in da bike, eu não havia arrumado minhas sacolas ainda. Quando o mecânico me viu já perguntou se eu aceitaria, e eu não tive dúvida, fizemos um mix para que eu não sentisse tanta diferença, colocamos meu banco na altura que estava na minha e  meus pedais. Bike pronta agora precisava ir para rua testar e aprender a mudar as marchas, embora fosse uma bike de carbono, roda de carbono ela era de ciclismo, geometria totalmente diferente e tamanho 52, mas no momento era o de menos, até com uma mountain bike eu iria pra prova. Voltei pro hotel separei as sacolas, peguei o ônibus e fui pro check in entregar bike e sacolas.

Check in feito eu estava na prova, só ai pude parar, respirar e botar fé que eu ia participar, se ia ou não me dar bem isso eu nem estava preocupado, estava na PROVA.

Dia 25 de agosto… (o grande dia)

Acordei, tomei café, peguei as últimas coisas e segui para a prova, chequei a bike, verifiquei os pneus, suplementação, fixei as 4 cápsulas de sal para tomar durante o ciclismo, tudo certo, fui encontrar os amigos Clodoaldo, Marcio e Leandro, pois havíamos combinado de ficarmos juntos.

Robson, Leandro, Marcio e Clodoaldo de preto.

Nos encontramos, era um passando energia positiva para o outro, nesse momento eu só queria era entrar naquele mar e começar a prova.

Entrei na água para sentir a temperatura, estava muito boa, o único porém é que estava com ondas grandes, quebrando forte e jogando para o fundo.

Natação

Hora da Largada…

Começou a tocar aquela música clássica das largadas do Iron, aquilo me arrepiou, adotei uma estratégia tranquila de largada, deixei o pessoal ir na frente e saí sossegado sem dividir o mar com ninguém, não tinha risco de levar socos e pontapés, fui tranquilo, quando a primeira grande onda veio tentei passar por cima, e CALDO… fui para o fundo, me levantei e veio a próxima, tentando mudar a estratégia pensei, vou passar por baixo… OUTRO CALDO… me levantei, quando deu uma parada entre as ondas foi o tempo certo para dar umas braçadas e pegar a próxima onda ainda se formando, respirei fundo e segui na prova, até a primeira boia tudo tranquilo, sem contar o desconforto da roupa de borracha, quando fui buscar a segunda boia percebi que estava nadando contra a  correnteza, nadava, nadava e nadava, e nada de chegar a segunda boia, enfim contornei e apontei para a praia, agora a favor da correnteza, só pensava em sair da água e beber uma coca, pois aquele gosto de sal já estava me embrulhando,  sai com 54 min da água…

T1

Peguei minha sacola do ciclismo, segui para área de transição, coloquei o capacete, óculos, relógio, carreguei a sapatilha na mão, pois como a bike não era minha não quis arriscar deixando presa na bike, água e coca pra dentro bora, pois 1/3 da prova já havia finalizado.

Ciclismo

Saí para os 90km de ciclismo confiante, quando olhei estava fazendo uma média entre 28 e 30km/h fiz a 1ª volta conhecendo o circuito, por sinal muito bom, com poucos trechos de subidas, para nós que treinamos na estrada velha a prova estava tranquila, sem vento, era focar e mandar ver, entrei na segunda volta, na ida tudo ok, quando fiz o retorno pra voltar, percebo um fortíssimo vento contra e algumas rajadas de vento lateral ao passar sobre as pontes. A bike balançava e tinha que segurar forte para não cair, minha velocidade caiu para 15 a 20km/h, fazia força pra subir e a bike demorava para andar, mudava de marcha, tinha hora que eu olhava e não acreditava, haviam acabado as marchas e continuava pesada, foquei no trajeto e continuei, foi assim até o final sempre na volta pegando o vento contra e cada vez que passava o vento aumentava ainda mais, foquei na suplementação, para não quebrar usei a cada 1 hora uma cápsula de sal, endurox nos intervalos e no km 30 e 60 mandei um gel, sempre pegando gatorade e água nos pontos de apoio, foi o que me ajudou a aguentar firme e forte, o pior momento da bike foi no trecho final que a perna começou a dar sinais de cansaço, mas ia massageando e usando a técnica do nosso amigo Marcio, passei a dor pra outro lugar e assim terminei a bike pra quase 4 horas.

 

T2

Fiz minha transição tranquilo, hidratei e fui para os 21km de corrida…

Corrida

Já sentia os sinais do tempo que fiquei na Itália, do esforço que fiz para pedalar contra o vento e pela bike não ser a minha, mas não desisti… fiz a primeira volta tentando achar um ritmo confortável, as vezes caminhava tentando pegar um ar, na segunda volta tive a companhia de duas pessoas que foram essenciais para que eu concluísse a prova, me dando apoio moral e incentivo a cada km, meu grande companheiro e PAISÃO Roberto e meu grande amigo “Ironman” Gustavo Velozo, e junto com a gente o árbitro, pois eu era o último no momento, minhas pernas estavam só o bagaço, mas não passava na minha cabeça em desistir, procurava sempre controlar o horário limite da prova que era de 8 horas, quando enfim estourei o limite, por isso o árbitro precisou se recolher, mas antes só perguntei uma coisa pra ele. – Posso continuar? Vou até o final mesmo que eu não ganhe a medalha! Tive a resposta – “Claro, vai que você vai conseguir” – fui até o final e na chegada uma grande emoção, pois estavam muitos fotógrafos conversando já na linha de chegada quando eu apareço, correndo, me arrastando, um começou a avisar o outro, todos ligaram as máquinas e começaram a bater fotos e me incentivar a cruzar e vencer meu desafio pessoal… no fim das contas, fiz 3 chegadas para que eles conseguissem todos os ângulos das fotos. Eu nem estava mais tão preocupado com a medalha quando um staff vem ao meu encontro com uma medalha na mão e diz, é sua garoto, você merece!

Mais tarde fiquei sabendo que o tal cara era o Carlos Galvão, nada menos que o diretor da prova e o cara que organiza o Ironman no Brasil, no dia seguinte ainda peguei com ele a camiseta de finisher, que só é entregue para os que concluem esse desafio.

Tempo final 8h15, mas realizado e campeão do meu desafio, e muito contente com as conquistas das vagas para o mundial do Marcio e Clodoaldo, grandes amigos do Triathlon…

E agora sinto o gostinho da frase

” A dor é temporária, o orgulho é para sempre”

Valeu coach pela sua dedicação comigo!

Abraços, Robson Carenzio.

Eu que deixei em negrito a última frase pelo simples motivo de sempre  acreditar e incentivar as pessoas a competirem consigo mesmas. É bem provável que pessoas perguntem a ele – o primeiro colocado terminou em quanto tempo? E a comparação entre profissionais e amadores terá sempre um enorme degrau, mas isso nunca desmerecerá o esforço de qualquer amador. Quem leu esse texto saberá que o Robson, apesar de todas as adversidades, foi o campeão do seu desafio e foi até o fim, e essa sensação nenhum número no relógio poderia dar, e além de tudo isso, ele curtiu as férias na Itália.
Parabéns Robson!
Enzo Amato

Como chegar ao alto nível no esporte.

Não se chega ao alto nível no esporte só por vontade própria ou investindo em centros de treinamento. As olimpíadas nos mostrou uma grande variedade de esportes, e em cada um deles um tipo físico diferente de atleta, que também por isso, os tornam muito bons em suas modalidades, no basquete e vôlei a altura é pré requisito, a agilidade e habilidade específica é questão de treino. Claro que não basta querer, ou treinar muito para jogar como Michael Jordan, ou correr como Usain Bolt, cada atleta tem seu limite de desempenho e o que diferencia os atletas numa olimpíada é justamente isso, o limite que cada um tem, pois numa competição desse nível todos treinaram e alcançaram 100% do seu potencial e fica claro que os 100% de Usain Bolt por exemplo, está mais além que os 100% dos outros corredores, e assim para tudo na nossa vida. Acredito que todos nós temos um talento, seja atlético, musical, artístico, em vendas, em línguas etc… isso não quer dizer que seríamos os primeiros ou os melhores, mas seríamos muito bons. Imagine quantos talentos estão escondidos ou buscando sucesso na área errada no nosso país, tanto profissional quanto esportivo, seja por falta de oportunidade em arriscar ou simples desconhecimento.

Proponho outra reflexão. A modalidade faz o atleta, ou o atleta busca a modalidade?

Sem a menor dúvida, o atleta escolhe a modalidade! A ginástica artística não deixa as pessoas mais baixas, como o basquete também não faz ninguém crescer. Explicando em poucas palavras, todas as crianças jogam basquete, mas só as mais altas continuam por afinidade e porque provavelmente jogam melhor que as mais baixas, e no esporte de alto rendimento só essas serão escolhidas. O ucraniano que treinava as ginastas brasileiras certa vez disse que era mais fácil girar um lápis do que uma vassoura. Outro exemplo é da russa Elena Isinbaeva que era ginasta quando criança, mas mudou de esporte por ser alta demais para a ginástica. Ela poderia ter seguido na ginástica e ser uma atleta mediana ou até mesmo amadora, mas acabou sendo orientada a procurar o atletismo e hoje é a recordista mundial no salto com vara.

No Quênia as pessoas não são diferentes, mas as crianças têm muitos ídolos na corrida e desde cedo usam a corrida até como meio de transporte, muitos acabam se destacando, e o país forma muitos corredores. O mesmo pensamento vale para brasileiros e argentinos com relação ao futebol, não somos melhores que outros países, só temos muitas crianças praticando e consequentemente muitos jogadores. Os Estados Unidos têm muitas pessoas praticando todos os esportes, e formam muitos atletas em tudo.

O Brasil tem que celebrar as conquistas dos atletas, mas principalmente usá-los como exemplo e ferramentas de incentivo para fomentar seus esportes no país e fazer com que o Brasil tenha muita gente experimentando vários esportes desde criança, os que podem chegar ao alto nível se destacarão e serão direcionados, mas por enquanto só precisamos de mais adeptos, e isso começa na escola e com os pais dando exemplo e incentivo em casa.

Enzo Amato.

O 2º treino para o caminho.

Com várias lições aprendidas no primeiro treino, combinamos o segundo um pouco mais conservador com relação à distância, mas muito bonito no sábado seguinte.

Foram 17km começando na estrada velha de Santos, onde costumo treinar triathlon com os amigos, mas agora, como peregrino, meu pai e eu saímos do asfalto e logo entramos numa trilha. Nossa intenção era caminhar durante a manhã e almoçar em casa num horário descente, por isso saímos cedo estacionamos o carro e começamos nossa caminhada pensando em dar meia volta quando alcançássemos aproximadamente 2 horas. Eliminei os supérfluos da mochila e por curiosidade pesei cada item e encontrei grande diferença até no peso das camisetas, algumas com 120gr. e outras com 180gr. sei que parece exagero a preocupação com algumas gramas, mas tenho que levar 4 camisetas e se eu carregar peso extra em cada item da mochila isso fará uma grande diferença no peso total, sem contar que devo levar esse peso nas costas por muitas horas, um dia após o outro, e apenas um treino foi suficiente para mostrar que só devo levar o necessário.

Duas horas para ir, mais duas para voltar e completamos 17km sem bolhas ou cansaço. Sei que foi a metade do percurso do treino passado, mas como disse no testo anterior, o corpo e a mente vão se acostumando aos estímulos e fazem o impacto mental ser cada vez menor.

Até o próximo.

Enzo Amato

Atleta olímpico e amador.

Não me canso de assistir às olimpíadas e me impressionar com o que os atletas são capazes de fazer nas suas modalidades.

Como impressiona ver os corredores dos 10km completá-los em menos de 30minutos, e ainda fazer o último km em apenas 2’35”. As ginastas fazendo acrobacias e movimentos de dança na trave que tem 10cm de largura enquanto a maioria das pessoas teria dificuldade apenas para caminhar de um lado ao outro dela. Mulheres de até 56kg levantaram mais de 125kg desde o chão até acima da cabeça, é mais que 2x o próprio peso, enquanto pessoas ativas mal conseguiriam levantar o próprio peso, e sedentários nem ao menos 50% disso. Homens correndo e saltando mais de 8 metros de distância, isso é mais do que o tamanho da minha sala. No vôlei, no tênis de quadra ou de mesa não conseguiríamos sequer recepcionar o saque de qualquer um dos jogadores. Mesmo me considerando um bom nadador, assim que eu terminasse a virada nos 50 metros os atletas terminariam os 100m.

Tantos outros exemplos em tantos outros esportes me deixariam oportunidade para escrever um texto interminável. Mesmo que as marcas desses atletas pareçam inatingíveis aos nossos olhos e nos dificulta até entender a grandiosidade delas, eles nos deixam um simples exemplo. Se no alto nível o tipo físico é determinante para otimizar o desempenho, nós amadores podemos escolher qualquer esporte só pela afinidade, podemos praticá-lo só por gosto, só por prazer, o esporte só nos exige em troca um pouco de comprometimento e determinação, que no fim das contas é para nosso próprio bem estar físico e mental, nos deixando prontos para o próximo dia de trabalho. O esporte de alto nível não é democrático, mas o esporte praticado como hobby sim, e por mais que seus benefícios físicos variem, a higiene mental que todos proporcionam se equiparam e valem ouro.

Espero que as duas semanas dos jogos olímpicos de Londres tenham mostrado que esporte vai muito além de futebol e atletas profissionais. O esporte é como viajar de férias, mas ao invés de 30 dias, temos o ano todo, por isso pratique, e vá além, incentive alguém!

Enzo Amato

Nosso 1º treino para o caminho.

Logo no nosso primeiro treino específico planejamos uma caminhada que duraria o dia todo. Tanto eu quanto meu pai estamos bem condicionados fisicamente, e precisávamos de um treino que causasse impacto e alguma adaptação. Ele tem praticado regularmente musculação há mais de 2 anos e quando sai para caminhar é comum fazer mais de 2 horas em ritmo acelerado ao menos 3x por semana. Eu como professor de Ed. Física me mantenho em forma com os treinos longos de triathlon, corridas e musculação, feitos com boa frequência.

Combinamos esse treino de 33km logo de cara para sentir o que podia dar errado e que um treino mais curto não mostraria, por exemplo bolhas, dores, roupa certa, onde a mochila incomoda etc…

1º treino específico

Saímos de casa, caminhamos 20min até chegar na estação de São Caetano, para pegar o trem sentido Rio Grande da Serra, de lá começamos nossa parte longa de caminhada, seguimos pela estrada por 16km, sendo que 6 deles por estrada de terra, até chegar em Paranapiacaba, a temperatura era amena, bem aproximado do que encontraremos na Espanha no fim de Setembro e por todo mês de Outubro. Depois de 3h20 de caminhada chegamos em Paranapiacaba para almoçar. A sensação era de cansaço, mas estávamos conscientes de que ainda faltava a metade. Depois de um almoço caseiro, mas pesado, retomamos nosso caminho, mas desta vez só pelo asfalto para facilitar e diminuir 2km com relação ao caminho de terra.

Neblina forte durante a volta

A volta foi difícil, não pelo almoço pesado ou pela forte neblina, mas pelo acúmulo dos quilômetros, das horas, e minha falta de costume em caminhar. Minha mente não estava acostumada a perceber os quilômetros passarem tão lentamente. Em boa parte do caminho de volta eu imaginava que poderia correr e chegar bem mais rápido ao destino já que corro confortavelmente entre 5 e 6min por km, enquanto que caminhando fazia em média 12min cada km, mas isso justamente é o que menos importa na nossa viagem. O importante é o caminho e não o destino, muito menos chegar rápido a ele. Acabei usando a experiência dos treinos de corrida, onde a sensação do primeiro treino longo sempre é difícil e incômoda, pois além do físico a cabeça também é treinada e adaptada ao esforço que impomos por horas, e a falta de costume em caminhar foi meu grande obstáculo mental.

Faltando pouco para terminar o dia

Depois que entramos no trem para voltar a São Caetano o sono bateu, e nessa hora a mente e o corpo acreditam que o esforço acabou e que é hora de iniciar a fase de regeneração onde qualquer incômodo, que durante a atividade estava mascarado e passava despercebido, aparece de repente, mas ainda tínhamos mais 2km até chegarmos em casa e tanto eu como meu pai ganhamos uma bolha ao longo da caminhada, e começamos a senti-la logo ao sair do trem, mesmo assim continuamos, mas o erro foi termos usado a meia fina de má qualidade, onde não basta apenas ser fina, ela deve ter a composição correta dos materiais, e sem algodão. Basicamente poliéster, poliamida e elastano. Usávamos 2 pares de meias, onde a mais fina que vai em contato com o pé, deve transferir o suor dos pés para fora e evitar o atrito, enquanto o segundo par, mais grosso deixa os pés confortáveis dentro da bota.

Lição aprendida que sem dúvida um treino curto não teria ensinado. Melhor ter sofrido e aprendido aqui do que durante o caminho onde no dia seguinte teríamos que caminhar novamente. Outra lição que pude aprender na marra é que qualquer 100g. a mais faz diferença. Minha mochila tinha mais de 15% do meu peso corporal e não me parecia preocupante carregar 1,5kg a mais, e também porque logo de manhã a mochila parecia leve, mas no fim do dia sentia esse peso extra e dava valor para cada grama, já imaginando quais itens não eram essenciais nos longos dias e que os deixaria em casa no próximo treino.

Sinto que cada dia vai nos ensinar alguma coisa e assim ficaremos mais preparados e confiantes para o Caminho de Santiago, que está cada vez mais próximo.

Enzo Amato