Nosso 1º treino para o caminho.

Logo no nosso primeiro treino específico planejamos uma caminhada que duraria o dia todo. Tanto eu quanto meu pai estamos bem condicionados fisicamente, e precisávamos de um treino que causasse impacto e alguma adaptação. Ele tem praticado regularmente musculação há mais de 2 anos e quando sai para caminhar é comum fazer mais de 2 horas em ritmo acelerado ao menos 3x por semana. Eu como professor de Ed. Física me mantenho em forma com os treinos longos de triathlon, corridas e musculação, feitos com boa frequência.

Combinamos esse treino de 33km logo de cara para sentir o que podia dar errado e que um treino mais curto não mostraria, por exemplo bolhas, dores, roupa certa, onde a mochila incomoda etc…

1º treino específico

Saímos de casa, caminhamos 20min até chegar na estação de São Caetano, para pegar o trem sentido Rio Grande da Serra, de lá começamos nossa parte longa de caminhada, seguimos pela estrada por 16km, sendo que 6 deles por estrada de terra, até chegar em Paranapiacaba, a temperatura era amena, bem aproximado do que encontraremos na Espanha no fim de Setembro e por todo mês de Outubro. Depois de 3h20 de caminhada chegamos em Paranapiacaba para almoçar. A sensação era de cansaço, mas estávamos conscientes de que ainda faltava a metade. Depois de um almoço caseiro, mas pesado, retomamos nosso caminho, mas desta vez só pelo asfalto para facilitar e diminuir 2km com relação ao caminho de terra.

Neblina forte durante a volta

A volta foi difícil, não pelo almoço pesado ou pela forte neblina, mas pelo acúmulo dos quilômetros, das horas, e minha falta de costume em caminhar. Minha mente não estava acostumada a perceber os quilômetros passarem tão lentamente. Em boa parte do caminho de volta eu imaginava que poderia correr e chegar bem mais rápido ao destino já que corro confortavelmente entre 5 e 6min por km, enquanto que caminhando fazia em média 12min cada km, mas isso justamente é o que menos importa na nossa viagem. O importante é o caminho e não o destino, muito menos chegar rápido a ele. Acabei usando a experiência dos treinos de corrida, onde a sensação do primeiro treino longo sempre é difícil e incômoda, pois além do físico a cabeça também é treinada e adaptada ao esforço que impomos por horas, e a falta de costume em caminhar foi meu grande obstáculo mental.

Faltando pouco para terminar o dia

Depois que entramos no trem para voltar a São Caetano o sono bateu, e nessa hora a mente e o corpo acreditam que o esforço acabou e que é hora de iniciar a fase de regeneração onde qualquer incômodo, que durante a atividade estava mascarado e passava despercebido, aparece de repente, mas ainda tínhamos mais 2km até chegarmos em casa e tanto eu como meu pai ganhamos uma bolha ao longo da caminhada, e começamos a senti-la logo ao sair do trem, mesmo assim continuamos, mas o erro foi termos usado a meia fina de má qualidade, onde não basta apenas ser fina, ela deve ter a composição correta dos materiais, e sem algodão. Basicamente poliéster, poliamida e elastano. Usávamos 2 pares de meias, onde a mais fina que vai em contato com o pé, deve transferir o suor dos pés para fora e evitar o atrito, enquanto o segundo par, mais grosso deixa os pés confortáveis dentro da bota.

Lição aprendida que sem dúvida um treino curto não teria ensinado. Melhor ter sofrido e aprendido aqui do que durante o caminho onde no dia seguinte teríamos que caminhar novamente. Outra lição que pude aprender na marra é que qualquer 100g. a mais faz diferença. Minha mochila tinha mais de 15% do meu peso corporal e não me parecia preocupante carregar 1,5kg a mais, e também porque logo de manhã a mochila parecia leve, mas no fim do dia sentia esse peso extra e dava valor para cada grama, já imaginando quais itens não eram essenciais nos longos dias e que os deixaria em casa no próximo treino.

Sinto que cada dia vai nos ensinar alguma coisa e assim ficaremos mais preparados e confiantes para o Caminho de Santiago, que está cada vez mais próximo.

Enzo Amato

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