Triathlon internacional de Santos 2013

Críticas construtivas.

Mais uma vez estive como espectador dessa prova que já participei algumas vezes, e que foi minha primeira prova com mais de 2 horas de duração há 13 anos atrás, confesso que dá uma vontade de ser um dos que fazem o evento acontecer, mas me contento em prestigiar de perto velhos conhecidos e novos também.

Não tem como não se encantar com uma prova de triathlon, a emoção da largada vendo os atletas correndo para o horizonte sem fim buscando por uma boia no meio do mar, dá frio na barriga só de pensar, a transição onde alguns fazem parecer fácil e rápido, mas que a maioria nos mostra a realidade, onde os braços inchados, a respiração ofegante, a falta momentânea de coordenação fina e a pressa, faz tudo parecer um momento infindável de tensão onde travar o capacete ou abrir a haste do óculos parece difícil. A corrida no litoral é sempre uma incógnita, já deixei meus tênis cobertos com saco plástico para não tomar chuva enquanto eu pedalava, mas em 2013 um sol pra cada um resolveu aparecer na corrida, e mesmo assim vi alguns conhecidos completando a prova com tempos espetaculares. O triathlon realmente me emociona, pela diversidade que oferece, tanto de estratégia em cada modalidade, quanto de exigência física, e o internacional de Santos é a distância certa para ser bem democrática e receber triatletas de todos os níveis.

Mesmo assim deixo minhas críticas construtivas, que ao meu ver, podem facilitar para o próximo ano ou servir de base para abrir mais discussões. O foco é a melhoria de tudo e todos. Assisti a prova de dentro da transição e pude reparar em pontos que competindo passariam batidos, mas que como atleta e professor me chamaram a atenção.

  1. O tapete da transição é muito estreito! Não sei se essa largura segue um padrão, se é regra ou não, mas se por um lado a organização tem culpa pela largura dele, por outro lado a culpa é dos próprios atletas pela imprudência e falta de paciência querendo ultrapassar feito loucos, com a bike ao lado. Na 1ª transição atletas deitavam no tapete para tirar a roupa de borracha enquanto outros passavam correndo, parecia que pela própria vida, com a bike, vi inúmeras oportunidades de acidentes feios, fiz careta em várias delas, na minha frente a prova de um deles acabou ali mesmo após rasgar o pé num caco de vidro entre a praia e a transição, era muito sangue e o convenci de procurar o posto médico. Sei que parece impressionante querer ter um tapete 2x mais largo e vindo da praia até a transição, mas eu quero ser impressionado, não só na hora da inscrição. Na 2ª transição pelotões de atletas chegavam querendo ganhar tempo, no corredor, que representa nada no total da prova, vi bicicletas estacionadas serem atropeladas por atletas que queriam usar o cantinho do tapete, enfim, não sei se alargar o tapete vai facilitar ou abrir espaço para mais loucuras e irresponsabilidades, mas chegou a hora de experimentar.
  2. Essa é para os treinadores, deixe seu atleta vivenciar a prova toda, ajudar a tirar a roupa de borracha, tirar ou colocar a bike do cavalete, lá vai, mas fazer a transição pra ele já é demais. Vi treinadores levando a bike por todo o tapete enquanto o atleta corria sem nada. São atletas amadores, é o hobby deles, ter carregado a bike pra ele pode ter reduzido até 5 segundos no tempo final, mas tirou dele a experiência de fazer tudo, de saber que primeiro ele deixa a bike, depois tira o capacete e calça os tênis.
  3. Outra dica para os treinadores, se seu atleta vai brigar para chegar na frente, vale a pena fazer a transição como os profissionais, com sapatilha presa na bike… porque provavelmente vocês treinam isso, mas se seu atleta é amador, pode até ser esforçado, mas amador, deixe a prova dele mais segura encoraje-o a começar o ciclismo com a sapatilha calçada, isso proporciona que ele perca poucos segundos correndo com ela no tapete, mas que comece a pedalar em boa velocidade, enquanto que calçar pedalando faz ele começar devagar, desviando a atenção, ziguezagueando pela pista podendo se acidentar e/ou causar um acidente. No final das contas, para os amadores, fica elas por elas, o tempo perdido para correr com a sapatilha nos pés é o mesmo para calçar pedalando, porém muito mais seguro.

O triathlon é extremo pela intensidade e duração e não pelo radicalismo.

Se você viu algo que pode ser melhorado pela organização ou por parte dos atletas deixe um comentário. Essa foi só minha opinião como espectador.

Enzo Amato.

Mountain Do Atacama, reta final dos treinos.

É muito frequente quando estamos prestes a participar de uma prova longa e/ou que consideramos importante termos excesso de zelo, respeito, ou como quiser chamar, e por causa desse excesso acabamos treinando demais na reta final, podendo colocar tudo a perder e chegar no dia da prova com menos energia do que deveria ou simplesmente cansados.

Ha um tempo atrás escrevi um texto com orientações para as duas últimas semanas de preparação de atletas amadores para uma maratona. Considero o texto de grande valor aos que participarão do Mountain Do Atacama, tanto nos 42 como nos 23km.

Se ficar alguma dúvida deixe um comentário.

Bons treinos!

Não esqueça de conferir o que levar na mochila e de visitar o site da prova.

Enzo Amato.