K42 Bombinhas, alguns números.

Quem estiver tão empolgado quanto eu para essa prova já deve estar na reta final dos treinos e, se for a primeira vez como eu, curioso para curtir o percurso e sentir na pele porque a K42 Bombinhas é chamada de “a maratona mais bela e dura do Brasil”. A prova nasceu na Patagônia Argentina e faz parte de um circuito internacional onde uma das etapas é disputada em Bombinhas – SC. São 3 distâncias para todos os tipos de corredores, 42km individual ou revezamento em duplas, e também 12km. Dos 1000 inscritos nas 3 provas, aproximadamente 33% são mulheres e 6% são corredores estrangeiros. Considero os dois números como pontos positivos, já que outras provas aqui no Brasil não conseguem atrair o público de fora. Vejo nas corridas em trilha um grande diferencial brasileiro, temos paisagens belíssimas, e ao invés de só exportarmos corredores/turistas, podemos muito bem recebê-los. Espero que os estrangeiros levem uma boa impressão e tenham uma ótima experiência ao participar dessa prova. Ter aproximadamente 33% de mulheres também é um fator positivo, pois em algumas provas aqui no Brasil elas não passam de 10%, o que é uma pena, pois nos EUA por exemplo, em provas de 21km elas já são maioria há muito tempo.

A prova acontece 17 de agosto de 2013, vou filmar bastante e depois conto como foi aqui no blog.

Enzo Amato.

Brasil, muitas academias e muitos obesos!

Li dois números interessantes e resolvi espalhar a informação.

O texto fala sobre um novo medicamento, ainda em testes, que substituiria a necessidade da cirurgia de redução de estômago. Realmente uma notícia importante, mas o que me chamou atenção foram números que só países com grandes populações como EUA e Brasil com aproximadamente 250mi e 192mi respectivamente podem explicar, ou não.

Os Estados Unidos e o Brasil são os países que mais possuem números de academias no mundo, no entanto são os que mais têm problemas com obesidade em sua população.

Pesquisas realizadas em 2012, mostram que 48,5% da população brasileira está acima do peso e outros 15,8% dos brasileiros são obesos. Nos Estados Unidos, nação considerada desenvolvida, os dados são ainda mais preocupantes. A porcentagem de americanos obesos já chega a alarmantes 35,8% da população.

Mais alarmante que isso é a quantidade de cirurgias de redução de estômago realizadas. O Brasil é o segundo pais com maior número de academias no mundo e, segundo o Ministério da Saúde, ocupa a mesma posição na quantidade de pessoas que recorrem a cirurgias para perder peso. São 72 mil cirurgias por ano.

Esse número cresce 10% ao ano, e desde 2006 já subiu 275%.

Não tiro conclusões de números como esses, pois como disse, são números divergentes, concorrentes, impressionantes e malucos, que só países com grandes populações conseguem alcançar.

Fonte: Fitness Brasil e Negócio e Fitness

Treino regenerativo, ele existe, o que é?

O primeiro é saber que o assunto é bem controverso, já que alguns bons fisiologistas dizem que treino regenerativo é ficar deitado no sofá, ou seja, descanso completo.

Quando treinamos nosso corpo se debilita, e a partir do final do treino ele inicia o processo de reparação, para ficar melhor condicionado do que antes, e apto para o próximo treino. Esse processo de recuperação pode levar horas e até semanas, dependendo da intensidade e/ou duração do esforço.

Já que o objetivo é ficar apto a executar outro treino exigente, uma linha tênue separa o que pode ser chamado de regenerativo de degenerativo, e atrasar a total recuperação.

Aos que sentem “necessidade psicológica” de fazer algo. Que seja de curta duração, para que o músculo contraia e relaxe o mínimo possível e os processos fisiológicos regenerem seus músculos e sistema nervoso central. Não é questão de sentir dor ou não, treinar forte ou leve, ou trocar de modalidade, mas de contração muscular.

Um bom planejamento e distribuição dos estímulos na semana elimina o que se chama “treino regenerativo”.

Se você faz, se gosta, se não gosta, se resolve ou não, certamente seu treinador é a pessoa mais indicada para dizer o que fazer, baseado no conhecimento geral e dentro dos seus objetivos e histórico na atividade.

Se tiver alguma dúvida ou curiosidade sobre o assunto me escreva.

Enzo Amato.

K21 San Juan – Argentina

Por Paula Di Luciano

Em San Juan o sol brilha mais de 300 dias ao ano e o nível anual de chuva não passa dos 250 mm, (no sudeste do Brasil é mais de 1500mm) mas no dia da corrida o sol não quis aparecer e o frio foi uma barreira a mais, pelo menos pra mim, que sou sanjuanina, mas já tenho termômetro brasileiro.

Dia de treino no percurso dos 21km, com o sol já conhecido.

A temperatura não superava os 5 graus na hora da largada da segunda edição do K21 San Juan que, apesar do frio já esperado por ser inverno, reuniu mais de 600 competidores no Dique de Ullum a uma distância de 14 km da cidade de San Juan, que fica na pré Cordilhera dos Andes, 1400 km a oeste de Buenos Aires, 160 km ao norte de Mendoza e também produz bons vinhos, porém menos exportados.

A corrida tinha dois circuitos, 21Km e de 10Km (claro que eu fiz o de 10!), ambos largaram às 11 da manhã de um dos clubes de campo que fica à beira do dique. Com paisagem desértica o percurso fazia os competidores transitarem por rios secos e cerros (morros), com apenas 3 km de asfalto, quem fez os 21k teve muito para se entreter subindo e descendo entre as montanhas do vale, chegando a uma altura de 1.051 metros passando por lugares desafiadores, e para completar, lá em cima caía o que chamamos de “água nieve” que é a chuva congelada, ou seja, estava frio mesmo!

Durante o percurso, todos com a camiseta da prova por cima das roupas de frio.

As pessoas que moram em San Juan estão acostumadas com os circuitos de montanha, a maioria dos grupos treinam naquela área, mas tinham também pessoas de diferentes partes da Argentina que acharam o circuito muito exigente, ao mesmo tempo que estavam maravilhadas com a paisagem. Pra se ter ideia da dificuldade, os primeiros colocados nos 21km masculino e feminino respectivamente completaram o percurso em 1h45 e 2h16. Eu que faço 10km no asfalto em 1h, levei 1h50.

O primeiro posto de hidratação estava no km 5, e o segundo no km 7, eu não senti sede, talvez porque não tinha sol, nem calor,  mas se tivesse água antes teria tomado, acho que eu era das poucas pessoas que não levava um cinto com garrafinhas d’água, no caso dos 21k todos os corredores levavam cinto ou mochila. A água que nos davam parecia recém tirada da geladeira, mas na verdade estava na temperatura ambiente.

Na vestimenta quase todas as pessoas usavam uma primeira pele de manga comprida, boné, ou cuellito(bandana) que a organização fornecia, a camiseta da prova, e alguns também um corta vento. Eu não cheguei a sentir calor, só tinha uma camiseta manga comprida de poliamida e a camiseta da prova, realmente o sol fez falta ou mais agasalho. Todas as pessoas pareciam muito bem equipadas para o frio, eu achei que iria esquentar durante a corrida, mas isso não aconteceu e poderia ter levado uma primeira pele ou um corta vento.

Cada kit esperando por seu corredor.

A retirada do kit foi no dia anterior a prova em um hotel da cidade, e muitas pessoas fizeram sua inscrição de última hora no próprio local. No domingo, às 10h30, antes da largada teve uma pequena palestra técnica, que eu não escutei porque estava na fila do banheiro feminino, rsrs…

Minha amiga de infancia Anheli, já agasalhada, e eu logo após terminarmos a prova com um improvável céu nublado em San Juan.

Via enfermeiros da Cruz Vermelha e uma equipe reforçada de colaboradores na parte alta do circuito de 21Km. Frutas e gatorade a disposi na chegada.

Foi minha primeira corrida fora de estrada e adorei, os percursos desafiaram tanto os experientes quanto os novatos, como eu. Os organizadores estiveram sempre presentes e prestativos.

Para chegar em San Juan desde São Paulo, basta fazer conexão em Buenos Aires, e o voo Buenos Aires – San Juan dura 1h40. Outra opção é desde Mendoza pegar um carro, são aproximadamente 2 horas dirigindo pela Ruta 40. Nos arredores da cidade é possível visitar vinícolas e estabelecimentos onde se elabora azeite de oliva.

Quem tiver interesse em um circuito similar de montanha, no próximo 29 de setembro acontece a quarta edição do K21 San Rafael, ao sul da província de Mendoza, com uma temperatura mais amena por já ser na primavera.

Em breve o vídeo da prova estará disponível aqui no blog e no MidiaSport.

Paula Di Luciano

Quanto se gasta no Caminho de Santiago?

Meu pai e eu fizemos a rota conhecida como caminho francês. Foram 33 dias contando com os dias parados nas cidades maiores entre Set e Out de 2012.

É bem relativo o quanto se pode gastar durante os dias, os fatores que mais pesam são, alimentação e hospedagem, sendo esse último o que mais pode influenciar e variar no custo, pois depende do tipo de habitação que se escolhe, desde albergues públicos a base de doações, passando por albergues privados, entre 7 e 10 euros até os hostais entre 20 e 45 euros por noite.

Noite bem dormida por 40 Euros pelo quarto.

Como estávamos em 2 pessoas a opção do hostel se tornava atrativa, já que nele se escapa dos roncadores dos albergues e ainda tínhamos um banheiro privado.

É muito importante saber e planejar o quanto se pode gastar por dia para ter uma viagem tranquila. A princípio, com um estudo prévio e com base nas palestras que assistimos, planejávamos gastar cerca de 80 euros por dia, por pessoa, porém na média, com nossa rotina econômica, mas confortável, acabamos gastando 45 euros, da seguinte forma:

Café da manhã, 4 euros: acordávamos e em qualquer bar pela rua tomávamos um café com leite e pão com manteiga ou geleia.

Com tudo comprado, era só escolher um lindo lugar para sentar, montar e comer nossos “mini lanches”

Almoço, 4 euros: durante o percurso parávamos em algum mercadinho para comprar pão e frios. Se for expert como meu pai, que sabia escolher e variar entre queijos de ovelha, vaca ou cabra, com presunto cru, salame ou até pimentões, vai passar muito bem com esse almoço de marcha. Água tomávamos das inúmeras fontes pelo caminho, já outros preferiam comprar.

Jantar, 10 euros: já na cidade de destino e de banho tomado, todos os lugares oferecem o  menu do peregrino, que consta de entrada, prato principal, sobremesa e uma garrafa de vinho ou água. Entre os pratos sempre haviam cerca de 3 opções para escolher. Além de física e espiritual, o caminho te oferece uma experiência gastronômica também, pois se come muito bem em todo trajeto, sem exceções.

Habitação 20 Euros: as construções na Espanha são muito novas, ficamos em vários lugares recém-inaugurados, outros nem tanto, mas ter um livro recente sobre o caminho é muito útil para saber sobre a cidade que vai escolher parar no dia seguinte e sobre onde se hospedar. Os quartos eram em média 40 euros. Em 2 pessoas, o gasto caía pela metade, tínhamos banheiro exclusivo e sono tranquilo.

Ou seja, gastamos menos do que o previsto, é claro que os valores variavam, e de vez em quando apareciam gastos extras com passeios, medicamentos, equipamentos…, mas tínhamos ideia do que era justo ou não, e praticamente nada saía muito da média.

Foram 1500 euros + passagem aérea para um mês de uma grande experiência de vida, viagem pai e filho, mochilão… ou seja lá como você preferir chamar. Só posso dizer que vale muito mais do que se pode gastar.

Se ficou alguma dúvida é só deixar um comentário.

Enzo Amato.

Mountain Do Fim do Mundo – Ushuaia – ARG

A próxima prova que misturará desafio físico com estímulos aos sentidos vai ser o Mountain Do Fim do Mundo, em Ushuaia (a pronúncia correta é ussuaia) 6 de Abril de 2014.

Minha primeira participação no circuito Mountain Do foi no deserto do Atacama em 2013, achei a organização fantástica e na medida certa para uma corrida com 700 pessoas encravada no deserto. Depois resolvi ir pra casa deles, Floripa, e participei da etapa do Costão do Santinho, eles sabiam onde e não desapontaram, nos jogaram num percurso mais difícil ainda. Agora virei fã e sei que os acertos não foram acaso. As inscrições para a etapa Fim do Mundo abrem dia 30 de setembro e prometem esgotar logo, como a do Atacama, que deixou 700 em lista de espera.

Assista ao vídeo!

Pelo que vi, a prova parece rápida com relação ao percurso, fria, porque o vento lá é constante e porque é o fim do mundo!

Vejo vocês lá!

Enzo Amato.

Mountain Do Costão do Santinho 2013.

É pra lá que eu vou ano que vem! 8, 22 ou 42km?

Bem impressionado com a organização da Sports Do na prova no Deserto do Atacama resolvi participar da corrida que eles consideram a menina dos olhos, o  Mountain Do Costão do Santinho.

Em 2013 o formato foi modificado passando de uma prova longa de revezamento para 42km individual, e as opções de 22km e 8km, também individuais.

A prova passa por diversos tipos de terreno, areia da praia, dunas, trilhas, parques, morros e costões. É a prova ideal para quem busca, além de uma bela corrida em contato com a natureza, entretenimento para a família por mais alguns dias no melhor resort de praia do Brasil.

Entrei no clima da prova na noite anterior, sexta,  com a retirada de um ótimo kit, cheio de agrados, o simpósio contou também com um coquetel, que para os que acabavam de chegar do aeroporto como eu, foi uma mão na roda.

Sábado pela manhã os corredores começaram a tomar as dependências do resort, nas três distâncias somávamos cerca de 600 corredores, aumentando a probabilidade de pódio para os que correm forte. Os 42 e 22km largaram as 9h, enquanto os 8km vinte minutos mais tarde. Muita gente bonita, num dia de sol tímido após uma madrugada inteira de chuva. Temperatura amena e todos preparados para seguir suas estratégias, a minha era começar devagar para poder filmar, e desbravar as surpresas do caminho com força nas pernas.

Ainda no início, descendo a trilha entre as praias Ingleses e Santinho.

Em apenas 8km já havia passado por praias, trilhas, dunas e do alto a vista era sempre de tirar o fôlego. Havia um pouco de congestionamento na primeira trilha, pois os desníveis eram acentuados e muita gente usava tênis de asfalto num percurso bem escorregadio, mas que não tardou, logo tivemos tempo suficiente para dispersar ainda  passando por muita areia fofa e dunas antes de chegar a praia do moçambique onde os percursos de 22 e 42 já estavam divididos, muitos surfistas no mar, barulho das ondas e pássaros, um longo trecho na praia mais extensa de Floripa para a turma dos 42km, deu tempo de cair umas gotas de chuva e até de ver o sol, em seguida entramos no parque estadual do Rio Vermelho, ao lado da praia com árvores altas, pinheiros e nós corredores, realmente um presente aos sentidos estar na prova e passar por tantos lugares diferentes, uma das partes rápidas do percurso é a estrada de terra que margeia a praia do moçambique antes de chegar na parte mais difícil, onde você se dá conta de que está numa maratona. O costão que divide moçambique da praia do santinho nos é entregue lá pelo km 36, a subida é sempre com vista para o mar e quanto mais se sobe mais longe se pode ver, o problema é que as pernas já não queriam agradar aos olhos, esse trecho tem desníveis enormes para subir e descer, muita lama e partes escorregadias causadas pela chuva da madrugada anterior, e mesmo correndo bem, e com a ajuda do bastão de trekking o ritmo variava bastante, nada além do que um corredor de trilha quer quando vai para uma prova em trilha, fiquei sujo, dava umas escorregadas de vez em quando, estava cansado, mas feliz da vida.

Ao fim do interminável costão só falta chegar, vibrar, receber a medalha, ir para a massagem e aproveitar os sucos, frutas, açaí, gatorade e toda estrutura montada para o fim de uma prova respeitável, bem organizada, difícil e linda.

No domingo após a cerimônia de premiação, é oferecido um almoço aos atletas de cair o queixo. Enquanto assistia a premiação me encantava com as sobremesas que eram colocadas nas mesas. Após o almoço alguém me beliscou e eu acordei! Será que eu sonhei?

Humilde opinião de um corredor que já corre há uns bons anos e não vai mais para as provas só por causa da camiseta do kit. No Mountain Do Costão do Santinho consegui participar de uma corrida desafiadora, bonita, com percurso variado, ora rápido, ora técnico, sem levar nada além de sal, pois gel da nutrilatina, gatorade, pepsi e água eles ofereciam, ou seja ela se encaixa numa prova para os veteranos que querem sair da mesmice e deparar com algo mais que só uma corrida, e ao mesmo tempo dá todo suporte para os iniciantes, que ficarão mal acostumados com tantos mimos. Além de poder deixar a família desfrutar do bom e do melhor enquanto você faz o que gosta. Juntar corrida e entretenimento foi a grande sacada que me deixou fã do circuito Mountain Do. Eles também aproveitaram para divulgar o Mountain Do Fim do Mundo em Ushuaia, na Argentina. Depois de ter organizado um ótimo evento no deserto do Atacama, só posso esperar ansioso pelo que eles vão fazer em Abril de 2014 na terra do fogo, no fim do mundo.

Considerações finais:

  • Corri com tênis de trilha que me ajudaram nos trechos mais técnicos, porém são trechos curtos levando em conta os 42km. Vi os primeiros colocados correndo com tênis mais leves de asfalto;
  • O mesmo para o bastão de trekking, é útil em trecho técnico já com o cansaço acumulado da prova onde os joelhos sofrem demais. Ter um outro apoio alivia muito a carga nos joelhos. Cabe a você decidir levar por toda prova e usar só no final;
  • Levei sal e gel comigo como precaução, mas se os pontos que eles oferecem encaixam na sua estratégia, não precisa levar nada;
  • Não aconselho ir com música, primeiro para não perder o som da natureza e segundo por ter visto um rapaz escorregar no início da trilha deixando o aparelho cair, desmontar e ir para o filete de água que descia a trilha. Ele o recuperou, mas não sei se voltou a funcionar;
  • Com temperatura amena de cerca de 18° e vento, não passei frio usando short e camiseta;
  • 3h18 e 4h05 primeiro homem e mulher nos 42km, a prova não é fácil;
  • 1h54 e 2h13 primeiro homem e mulher nos 22km, também não é fácil.

Em breve o vídeo da prova no MidiaSport.

Enzo Amato