Ironman BRA 2013, crônica Isaac.

Relato de um atleta amador, sobre os meses que antecederam uma das maiores provas de Triathlon do mundo.

Por Isaac Razzante Junior

O que dizer de uma prova tão longa e ao mesmo tempo tão curta?

O meu primeiro Ironman foi sensacional. Pena que acabou tão rápido. Foram 14 horas e 16 minutos de atividade física ininterrupta, com 3,8km de natação, 180km de ciclismo e para completar, uma maratona de 42,2km de corrida.

Pratico triathlon desde 2011, quando fiz o meu primeiro simulado de Triathlon na Estrada Velha de Santos, próximo ao Clube da GM no Riacho Grande, em São Bernardo do Campo – SP.

De lá para cá, os desafios começaram a tomar dimensões muito grandes, até que no ano de 2012 fui assistir a uma edição do Ironman Brasil em Florianópolis – SC. Ao sair daquela prova, que eu havia apenas assistido, já pensei comigo: “Um dia vou fazer uma prova dessas”, mas não sabia que seria logo no ano seguinte.

Da esq. Zé Renato, Enzo de vermelho, Luciano, Witney, Edu, Piru, Gustavo, Isaac, Léo, Ale e Rafa Dutra

As inscrições para o Ironman são feitas na semana seguinte da prova, ou seja, você se inscreve em 2012 para participar em 2013 e assim por diante. Naquela semana de 2012, eu ainda estava encantado com a prova que eu havia assistido, e os comentários fora do trabalho e em casa, era somente aquela prova.

Na quarta feira eu fui correr um pouco no parque Chico Mendes com meu amigo Luciano e conversando com ele, eu disse: “Vamos fazer a inscrição para o Ironman 2013?” Teríamos um ano para nos preparar e apenas 2 dias para decidir em fazer ou não aquela inscrição, que seria na sexta feira. A princípio achamos loucura, mas concordamos e estávamos certos de fazer aquela inscrição.

E foi o que fizemos. Abriram as inscrições e fizemos nossa inscrição tranquilamente, sem saber que elas iriam terminar em apenas 19 minutos, isso mesmo, 19 minutos foi o tempo que as 2200 inscrições para o Ironman Brasil 2013 se esgotaram.

Pronto, estávamos inscritos. Faltava a parte mais difícil agora, que era treinar.

Nosso treinador, Enzo Amato, que já havia participado de 7 Ironman, e tinha uma equipe de treino foi quem pegou o desafio de nos preparar para cruzarmos a linha de chegada.

Em julho começamos a treinar para a nossa primeira prova longa que seria o Long Distance. Essencial para saber a sensação de uma prova de longa duração, que aconteceu no mês de Novembro, na cidade de Pirassununga, no interior de São Paulo.

Foram 4 meses de treinamento intenso para participar dessa prova, visto que nunca tínhamos feito nem sequer uma maratona. A data chegou. Fomos para Pirassununga para completar nosso primeiro desafio antes do Ironman. E foi sensacional. Tivemos uma experiência muito boa com essa prova. Aprendemos com nossos erros e saímos mais confiantes para o que estava nos esperando em maio do próximo ano.

Os treinos continuaram sem parar, mantendo o volume de treino semanal, muita musculação, natação, corrida e ciclismo.

Em Janeiro de 2013 começamos a treinar efetivamente para o Ironman 2013. Já tínhamos um volume bom de treino, só faltava aumentar ainda mais o volume para ganhar resistência para completar nosso próximo desafio no mês de Maio.

Juntamente com o treinador esportivo, tínhamos um acompanhamento nutricional, feito pela Vanessa Pimentel, que nos fez perder o excesso de peso e nos ajudou a completar a prova com uma boa alimentação e saúde.

Nosso grupo de treino era composto por 10 atletas que participariam do Ironman, sendo que 2 deles já eram veteranos. Além do acompanhamento físico e nutricional, tínhamos também acompanhamento psicológico em grupo, feito pelo Rafa Dutra, que nos ajudou a criar um grupo forte para superar as dificuldades físicas e mentais durante todo o processo de preparação, e da prova em si.

Além de todo esse acompanhamento, o mais importante e essencial durante toda essa preparação, foi o apoio da família. Sempre tive o apoio da minha esposa e dos meus filhos. Desde a inscrição até a passagem pelo pórtico de chegada.

Bom, chegamos à semana da prova. Dia 22 de Maio, estava eu e meus amigos Eduardo Anjos e Leonardo Coriteac, com mais 3 bicicletas e um monte de malas e utilidades que usaríamos durante a prova, seguindo viagem de carro para Florianópolis.

Saímos de São Paulo às 5 horas da manhã e pegamos estrada sem amanhecer ainda. Foram quase 800 quilômetros percorridos até chegarmos à Ilha de Florianópolis em Santa Catarina. O ar que respiramos daquele lugar já é um ar do esporte. Várias pessoas correndo nas ruas, as pessoas andando de bicicleta, experimentando suas máquinas, foi muito bom tudo aquilo.

Na quinta feira tivemos nosso primeiro contato com a prova, aonde fomos retirar o kit do atleta e as sacolas que usaríamos no dia da prova. Além da retirada do kit, nesse dia fizemos um treino oficial de natação, onde saímos do local da largada da prova, e nadamos até a primeira boia localizada a 900 metros da praia, esse treino, para mim, foi essencial, pois sempre fui muito receoso com o mar, e estava ansioso para saber como seria chegar naquela tão sonhada boia, e posso afirmar, foi sensacional!

Sábado foi o dia que fizemos o bike check in, onde entregamos nossa bicicleta e as sacolas contendo as roupas e tudo que usaríamos no dia seguinte durante a prova, como tênis de corrida, capacete para a bicicleta e os outros equipamentos.

O grande dia chegou! 26 de Maio às 4:00 da manhã, meu despertador tocou. Era hora de aproveitar um dia de muita adrenalina e colocar em prática tudo aquilo que havia treinado durante meses.

Tomei meu café tranquilo, me troquei, dei um beijo carinhoso nos meus filhos e esposa, que ficaram no hotel, e partimos para a praia, onde estava toda a estrutura arrumada para a prova. Chegando lá, verifiquei se estava tudo certo com a minha bicicleta, se não havia nenhum pneu furado, e fui para a tenda de troca, onde fui vestir minha roupa de borracha, para ir para a área de largada. Pronto, trocado e ansioso para ouvir o som da buzina que daria o inicio da diversão.

Todo nosso grupo se encaminhou para a praia e tiramos nossa ultima foto antes da prova, todo mundo junto com treinador e psicólogo.

Entramos na área da largada, que é restrita aos atletas, e faltando apenas alguns minutos para as 7 horas da manhã, horário oficial da largada, o sol começou a nascer atrás do morro que fica posicionado a direita da praia. Uma cena inesquecível, ver o sol refletindo no mar, todo aquele clima bom, todos respirando a prova.

Uma recordação para a vida toda sei que vou levar daquele momento.

Dada a largada. Mais de 2 mil atletas juntos para viver uma das maiores provas de triathlon do mundo.

Como não sou um bom nadador, fiz minha largada tranquila. Esperei a maioria dos atletas entrar na água e aí sim me posicionei para começar a minha natação. Aquela água gelada logo se aqueceu, muitos braços e pernas batendo ao mesmo momento, e eu não conseguia conter a emoção. Fazer parte daquela prova era algo grandioso.

Cheguei à primeira boia, 950 metros mar adentro. Fiquei contente, pois olhei no meu cronometro e estava com o tempo dentro do planejado. Parti para voltar à praia com o meu nado tranquilo e aproveitando ao máximo todo aquele mar, que nesse dia, era exclusivo meu e daqueles atletas.

Após 1h24, terminei a natação e parti para a transição, aonde peguei a bicicleta para começar os 180km de pedalada. Se durante 180Km percorridos de carro, acontece muita coisa, imagine de bicicleta!!! Comecei a pedalar e ainda não era 9 horas da manhã. O sol ainda estava ameno e eu estava muito bem fisicamente. Preparado e confiante.

A cada quilômetro percorrido, era uma vitória para minha prova. Presenciei muita coisa durante esses 180 km, como gente passando mal na beira da estrada, ciclista caindo por um descuido, muitos pneus furados, mas vi muita coisa boa também. A torcida na cidade é geral. Todos se mobilizam nas ruas para torcer pelos atletas que estão participando da prova e isso dá uma força enorme. As vezes as pessoas gritam seu nome, te dando incentivo e força para continuar pedalando. Isso me ajudou muito. Após 90 km terminei a primeira volta de ciclismo e essa volta passava pela parte de transição, onde pude, após 3 horas pedalando, ver alguns rostos conhecidos, como do meu amigo Alexandre Gaziola e Enzo Amato, que me incentivaram e deram mais um pouco de força.

A segunda volta da bicicleta foi muito difícil de completar. O vento estava jogando contra em todo o percurso, as subidas pareciam maiores, já não se via tantas pessoas na rua, pois estávamos na hora do almoço, e claro, o cansaço de tudo o que já havia feito estava pesando bastante, mas como tudo uma hora acaba, o meu percurso de ciclismo também acabou. Após 6h37, finalizei os 180 quilômetros do Ironman 2013.

Exausto, sim,mas confiante e ansioso para começar a minha maratona. Pronto, tênis calçado e vamos correr 42.2km até o pórtico de chegada. Comecei minha corrida muito tranquila, tentando manter um ritmo confortável para aguentar a corrida inteira sem precisar andar. Essa era a minha meta, que treinei durante meses.

No quilometro 13 aproximadamente, o percurso de corrida passava em frente ao hotel que eu e minha família estávamos hospedados. Aproveitei e parei para dar um beijo e um abraço na esposa e nos filhos, que já estavam na porta do hotel me aguardando. Como o retorno da corrida era logo em 200 metros à frente, dei a mão para o meu filho Lucas de 8 anos e corremos juntos esses 200 metros. Ver a alegria dele naquele momento foi sensacional. Mais uma parada para beijos e abraços e vamos continuar a corrida.

Terminei a primeira volta de 21k, peguei a primeira pulseira de identificação da volta e fui correr o restante da maratona. Nessa hora, quase 6 da tarde, e 11h de prova, a temperatura já havia caído muito, o sol já havia se recolhido e eu tinha ainda 21 km pela frente. No quilômetro 23 encontrei o Luciano Capas, que estava num ritmo menor que o meu, emparelhei com ele, trocamos algumas palavras e eu segui minha corrida.

Não passaram nem 500 metros, ele me alcançou, disse que iria me acompanhar, para um dar forças para o outro. Concordei com ele, pois sabia que tinha muito chão pela frente ainda e uma companhia na corrida seria muito bem vinda. No quilômetro 27 comecei a sentir dores no joelho esquerdo e começamos a andar um pouco para ver se a dor passava. Doce ilusão, ela não passou,andamos por volta de 5 quilômetros direto, já sentindo um pouco de frio, quando nosso amigo Leonardo Coriteac nos alcançou. Ele estava muito bem na corrida e dissemos para ele seguir em frente para não perder o ritmo, mas ele optou por dar uma força pra gente e acabou nos acompanhando na caminhada.

Andamos por mais 2 quilômetros e decidimos recomeçar a correr bem leve, tentando elevar novamente a temperatura do corpo e das articulações, que já reclamavam muito naquele momento. De passo em passo, nos vimos correndo novamente, é verdade, com num ritmo bem leve, mas estávamos correndo. Já estávamos nos km 35 quando a dor aliviou e só faltavam 7km para completar a tão sonhada maratona do Ironman.

Seguimos lado a lado, até o final. Entramos na Avenida Búzios, que é a avenida principal de Jurerê Internacional. No final dessa avenida estava a nossa vitória. Faltavam apenas 3 quilômetros para completar a prova.

Foram os 3km mais longos e ao mesmo tempo mais curtos da minha vida. Tanta coisa passou na minha mente nesses minutos finais, tantas pessoas curtindo, vibrando pelo caminho, dando força e gritando nosso nome, nos dando parabéns.

Até que, faltando alguns metros para entrar no corredor que levava ao pórtico de chegada, eu encontrei a minha esposa e meus filhos, que me aguardavam ansiosos, para que juntos passássemos o pórtico de chegada e eu pudesse vibrar com aquele novo título que eu estaria recebendo, de ser um Ironman.

Família reunida para cruzar o pórtico de chegada!

Beijei minha esposa, agradeci a ela por estar me suportando por todos aqueles meses de treino e durante toda a prova. Beijei meus filhos, peguei a minha filha menor no colo e entramos no corredor, que em poucos metros, nos levou ao tão grandioso pórtico, e lembro até agora o locutor falando meu nome e dizendo: Parabéns Isaac Razzante, você é um Ironman!!! Passamos juntos, de mãos dadas e abraçados ao mesmo tempo.

Uma emoção imensa tomou conta de mim. Comecei a chorar, e minha filha menor,  sem desconfiar que o  meu era de alegria, também começou a chorar, agradeci muito a Deus, por ter me dado forças de terminar aquela prova. E agradeci a todos que estavam la me assistindo, que mesmo sem me conhecer, sem conhecer a minha história, estavam ali me apoiando e gritando meu nome.

Não consegui me conter e fiz novamente a inscrição para o Ironman Brasil 2014. Com certeza serão novas emoções e novos desafios, mas se Deus quiser, também serão vencidos como esse foi. Um novo relato deve aparecer. Com novos detalhes dessa tão grandiosa prova.

Abraços.

Isaac Razzante Junior

IRONMAN 2013 (assista ao vídeo da prova)

K42 Bombinhas 2013, pensando em 2014.

Comprovei que é a mais bela e desafiadora maratona no Brasil. Temperatura amena, muitas subidas, descidas, lama, mata atlântica, praias, o visual da natureza exuberante e muita gente bonita, confirmam a fama.

Já li vários textos sobre a K42, por isso não vou fazer mais um, prefiro deixar orientações para os que farão ano que vem.

Aprendi que a K42 se corre com estratégia e cabeça no lugar. Numa prova curta podemos até ir a toda velocidade, mas não aqui. A variação de inclinação e percurso é muito grande e constante, e sendo a prova desafiadora como é, temos que fazer o possível para o corpo não sentir os extremos e correr da forma mais equilibrada / regular possível.

Como?

Batimentos controlados e percepção de esforço sempre igual seja qual for o terreno, ou seja, devagar nas subidas, moderado no plano e rápido nas descidas, caso não comprometa a segurança, no caso da K42, devagar nas descidas também. O batimento cardíaco é um bom parâmetro ao invés de se preocupar com ritmo por km.

Careta assustadora como o degrau.

Nas trilhas o mais fácil é subir, se estiver cansado vai ter que subir devagar e pronto, mas as descidas castigam muito mais, por isso procure flexionar um pouco os joelhos nas descidas mais ingrimes, isso dá mais estabilidade, mas não significa 100% dela. Não dê grandes saltos ou passadas largas nas descidas, isso vai te cansar mais, além de ser perigoso. Recomendo os tênis de trilha, mas ainda é comum ver pessoas com os tênis convencionais. Todos completamos, mas talvez eu tenha escorregado um pouco menos.

Apesar dos vários postos de hidratação acabei sentindo sede em alguns trechos e ter levado uma mochila de hidratação ou um cinto, como sugeriram os organizadores, teria ajudado. Apesar da forte recomendação de jogar o lixo no lixo e ter cestos logo após os postos, vi muito rastro de corredor porco nas trilhas, e já acho mais conveniente as corridas em trilha não entregarem copos d’água pelo bem do local que estamos usando para correr. Pagar inscrição não dá direito a descartar lixo em qualquer lugar.

Não havia mata fechada ou single tracks com risco de arranhar as pernas, por isso usar calça só resolveria se estivesse frio mesmo. Fui de short e camiseta regata.

Para proteger os pés usei esparadrapo nas áreas de maior atrito, vaselina nas pontas dos dedos e polvilho granado para manter os pés secos por um pouco mais de tempo. 2 pares de meia, a 1ª de poliamida, a outra mais grossa. Meus pés ficam mais confortáveis, porém ao entrar na água ficam mais pesados. Tomar banho antes da largada vai deixar seus pés mais sensíveis e com alto risco de causar bolhas. Banho no máximo na noite anterior.

A prova começou com garoa e mesmo assim passei protetor solar, em provas longas o clima pode mudar durante a prova e em Bombinhas foi exatamente o que aconteceu. Um boné sempre ajuda caso um galho apareça enquanto você olha pro chão. Apesar de eu não ter usado e não ter passado por lugares com vegetação tão fechada.

Os primeiros colocados levam cerca de 40% mais tempo para concluir a K42 se comparado a uma prova no asfalto, para os amadores percentualmente o valor é menor, mas pode contar algumas horas a mais da sua melhor corrida no asfalto.

No vídeo fica mais fácil de ver como é a prova, a paisagem e a fama que a K42 tem. Levei 5h13 e podia ter sido muito mais porque o visual é hipnotizante e dá vontade de parar e respirar fundo antes de continuar. Feliz por ter conhecido mais um canto do meu lindo país. Espero você lá ano que vem!

Se você fez a prova e quer deixar sua contribuição para os que farão ano que vem, será muito bem vinda.

Enzo Amato.

Ecomotion/Pro em números.

116h 9min tempo de prova da equipe campeã.

A estimativa dos organizadores era de 80h, ou seja, a navegação foi mais difícil que o esperado.

As equipes tinham até 145h (7 dias) para completar os 620km, podendo ser *cortada uma ou duas vezes em alguns trechos, para concluir o percurso dentro do tempo.

*cortar caminho por orientação da organização, para concluir o percurso dentro do tempo. É como se a equipe ficasse “uma volta atrás” das que não tomaram corte.

32 equipes e 128 atletas.

24 equipes completaram o percurso, porém apenas 3 delas sem corte.

1 mulher em cada equipe (exceto a Issy Triathlon que veio com 4 homens querendo participar e não competir).

12 países representados (Brasil, Uruguai, Argentina, Colômbia, Paraguai, Costa Rica, Canadá, França, Suécia, Espanha, China e Nova Zelândia).

10º ano de Ecomotion/Pro sempre em lugares diferentes do nosso Brasil.

45 PCs (pontos de controle) as equipes passam completas por cada ponto. No caso de corte, a equipe é orientada a seguir para um PC mais avançado cortando caminho, mas ainda por seus próprios meios.

É proibido qualquer tipo de aparelhos de GPS. (a organização forneceu um localizador para cada equipe “yellowbrick” para monitorar a localização das equipes, por questões de segurança e para os torcedores seguirem suas equipes em tempo real através do site do evento).

Distâncias em cada modalidade:

  • Trekking               169,2km = 27%
  • Coastering             11,2km = 2%
  • Mountain Bike       277,2km = 45%
  • Canoagem           153,5km = 25%
  • Natação                    3,5km = 1%
  • Travessia em barco 6,2km = 1%
  • Técnicas verticais    0,1km = 0%
  • Caving                      0,3km = 0%

Sequência das modalidades durante a prova:

  • 4km canoagem;
  • 65,2km trekking;
  • 3,5km natação;
  • 35,9km canoagem;
  • 2,8km trekking;
  • 10,6km canoagem;
  • 73,6km mountain bike;
  • 78,9km trekking;
  • 80km mountain bike;
  • 5,3km trekking;
  • 0,3km caving;
  • 50m técnicas verticais;
  • 27,4km trekking;
  • 49,2km canoagem;
  • 130,4km mountain bike;
  • 54km canoagem

= 621km sem contar os erros na orientação cartográfica que é bem comum.

15 transições de modalidade.

A organização começa os trabalhos 6 meses antes da prova.

Mais de 150 profissionais envolvidos nas seguintes áreas:

  • Administrativa / Institucional;
  • Levantamento de percurso e atualização de mapas;
  • Produção;
  • Comunicação;
  • Transmissão online;
  • Captação e edição de imagens;
  • Fotógrafos;
  • Rádios;
  • Médica;
  • Resgate;
  • Logística;
  • Motoristas;
  • Ação social;
  • Fiscais de prova;
  • Técnicos de cada modalidade;
  • Assessoria de imprensa;
  • Direção de prova;
  • Direção de conteúdo.

A estrutura:

  • 9 ônibus;
  • 10 carros;
  • 2 vans;
  • 5 caminhões;
  • 80 caiaques;
  • 6 lanchas de segurança.

Foi uma grande oportunidade poder acompanhar de perto tanto os atletas quanto a organização, a logística é muito complexa dos dois lados e realmente o espetáculo é digno do esforço, capacidade de superação e dedicação de todos.

Enzo Amato

Como foi a prova.

Conhecendo o Ecomotion/Pro 2013

Ecomotion/Pro 2013 foi bárbaro e da Barbara!

Maior vencedora do Ecomotion/Pro, Barbara Bomfim revela que navegação foi o grande diferencial para chegar ao título

A tarefa de superar a Seagate, campeã mundial e atual líder da Adventure World Race, parecia uma tarefa inglória. Só parecia. A vasta experiência na competição e o excelente condicionamento físico de Barbara Bomfim foram fundamentais para desbancar a equipe neozelandesa e alcançar seu terceiro título consecutivo no Ecomotion/Pro, sendo os dois últimos pela hispano-brasileira Columbia Vidaraid.

Barbara e Urtzi após chegada em Comandatuba, com 620km e 116h de prova nas costas.

Ao lado do namorado Urtzi Iglesias, do brasileiro Marco Amselem e do espanhol Jon Arambalza, Barbara deixou a Seagate para trás já no segundo dia de competição. Desde então se manteve na liderança isolada, chegando a abrir cinco horas de vantagem em um dos trechos da prova. Ao falar sobre a receita de sucesso, a brasiliense demonstra toda a sua humildade e reconhece o talento dos rivais.

“Não achávamos que poderíamos superar a Seagate. Eles têm um nível muito alto e lideram o ranking mundial. Fiquei um pouco mais animada quando soube que o navegador oficial deles não viria. O cara é fera e muito importante para guiar a equipe. O fato de ser no Brasil também era um ponto a nosso favor. Ainda assim, durante a prova, achávamos que eles poderiam nos passar a qualquer momento. Foi uma grande surpresa ir percebendo ausência de pegadas, o que indicava que ninguém tinha passado. Eles se perderam muito e isso foi fundamental para a nossa vitória”, explica.

Barbara participou de sua primeira corrida em 2001. Desde então se apaixonou pela aventura e passou a conciliar a carreira de engenheira ambiental com a de atleta. Treina em média duas horas por dia e se aplica mais nos fins de semana. O fato de namorar um companheiro de equipe também ajuda a se dedicar ao esporte.

“A experiência que ganhei em todos esses anos foi fundamental para conhecer meu corpo e principalmente ter controle mental. Em uma prova longa como essa nós chegamos a ter alucinações. A maturidade, junto com a preparação, foi o principal ponto para me ajudar a alcançar essas três conquistas”.

Leia outros textos sobre o Ecomotion/Pro 2013.

Ecomotion/Pro 2013 é pra poucos, mas é de todos.

Em cada um dos 7 dias de Ecomotion/Pro as equipes e atletas me surpreendiam cada vez mais. A primeira equipe chegou ao Hotel Transamérica Comandatuba com 126h de prova tendo dormido apenas 6h acumuladas nesse período. Tinha poucas oportunidades de vê-los pelo caminho a cada dia para trocar algumas palavras, e quando os via, estavam cada vez mais sujos por fora e sem frescuras por dentro, alguns com raciocínio e fala mais lenta, outros ainda com ânimo para responder à perguntas, enquanto outros não abriam mais a boca a não ser para comer.

Toyota Adventure Team Costa Rica – CRI

É um esporte onde aquele espírito de equipe intangível e citado da boca pra fora na sala do escritório não funciona e não serve, no Ecomotion/Pro as palavras comprometimento e equipe são literalmente levadas ao extremo, caso contrário eles simplesmente não terminariam a prova! Estão sempre no limite de tudo, precisam pensar e tomar decisões que podem levá-los a um caminho muito mais longo, gerar muito mais cansaço psicológico e atrito entre eles derrubando o moral. Alguém pode se machucar e todos precisarão ajudar, afinal a equipe avança ao ritmo do mais lento, mesmo que o mais lento esteja ótimo.

Harpya – RJ

Para atletas que estão acostumados com esportes individuais, a corrida de aventura é outro mundo. É preciso que cuidem uns dos outros, além de si mesmos, que todos entendam a importância de incentivar no seu momento de alta sabendo que será incentivado no momento de baixa e até quando os atritos acontecem, saber que devem ser superados sem espaço para ressentimentos, e dessa forma todos avançam! Não é sobre ter parâmetros físicos e se guiar por eles, a corrida de aventura é enxergar o quadro todo, a arte de manter o equilíbrio em muitas variáveis mesmo estando no limite em todas elas.

Equipe BMS Multisport – DF

O Ecomotion/Pro é a evolução do ser humano atleta e por isso, um dia, quero fazer essa prova como um aprendizado pessoal, se vou gostar, odiar, me superar, ainda não sei, mas em qualquer situação será um aprendizado.

Parabéns aos campeões do Ecomotion/Pro 2013, que a meu ver são todas as equipes. Sou fã de todas!

Enzo Amato.

 

Columbia Vidaraid

Quasar Lontra Kailash – SP

Seagate – NZL

Ecomotion/Pro 2013 caça aos líderes.

Hoje pude ver duas equipes, a Seagate, da Nova Zelandia e a Quasar Lontra, de Brasília. Bem na hora em que as equipes acabavam de romper as 72h de prova, com apenas algumas horas de sono acumuladas nesse período.

A primeira era forte candidata, mas por alguns erros do início acabou perdendo posições e agora disseram que estavam na prova para terminá-la, mesmo assim ainda entre as primeiras.

Já a Quasar Lontra pareciam bem animados de, naquele momento, estarem na quarta colocação.

Naquele ponto eles já haviam feito:

  • 4km de canoagem
  • 65km de trekking
  • 3,4km de natacao
  • 36km de canoagem
  • 2,8km de trekking
  • 10,6km de canoagem
  • 73km de mountain bike
  • 79km de trekking, quase por terminar.

Tínham ainda pela frente 80km de mountain bike, 5,3km de trekking + caving e técnicas verticais, 27km de trekking, 49km de canoagem, 130km de mountain bike e finalmente 54km de canoagem.

Isso realmente é pra poucos, mas que pode ensinar a muitos sobre perseverança, persistência, trabalho em equipe etc… Estou ansioso para saber como será o desfecho dessa prova incrível.

Acompanhe em tempo real todo o trajeto das equipes, seus erros, acertos e rotas através de um localizador que eles carregam consigo e que ajuda a organização a saber onde eles estão e a nós a acompanhar de perto o Ecomotion/Pro 2013.

Enzo Amato

Ecomotion/Pro 2013, os líderes.

Hoje, com 48h de prova foi a primeira vez que pude ver a equipe que lidera o Ecomotion/Pro 2013.

A equipe Columbia Vidaraid composta por 2 brasileiros e dois espanhóis, pararam no primeiro dos quatro pontos de descanso obrigatório. Isso mesmo, pararam para descansar (dormir) pela primeira vez em 48h de atividade física ininterrupta. As equipes precisam acumular pelo menos 8h de descanso ao longo dos 620km, algumas conseguiram o “benefício” de dormir apenas 6h, de acordo com as posições alcançadas no prólogo. Dessa vez os líderes pararam por 3h, tempo usado para banho, troca de roupa e sono, mas ao invés de comer as quentinhas que os esperavam na mesa, optaram por enfiá-las nas mochilas para comer em outro momento. A equipe era muito alinhada na comunicação, nos procedimentos e horários, e nem o cansaço quebrava a formação. Disseram que o sono havia sido reparador, pois o raciocínio já estava prejudicado e que os pés estavam bem.

Aparentemente não parecia que estávamos na terça ou que a corrida havia começado domingo e que aquele foi o único descanso que eles tiveram nesse tempo. Surpreendente! Enquanto isso, as equipes com foco em completar o desafio passavam em pontos que os líderes haviam passado 24h antes.

Estou ansioso para ver outras equipes entrando no terceiro dia de prova.

Acompanhe em tempo real todo o percurso das equipes, seus erros e acertos de navegação e a colocação de cada uma.

Veja também as fotos da competição na fanpage do MidiaSport: www.facebook.com/MidiaSport.

Enzo Amato

Ecomotion/Pro 2013. Bikes perdidas.

Logo na chegada ao aeroporto, em Ilhéus, o primeiro causo, que para uma das equipes francesas, a Vaucluse Aventures Lafuma, devia ser o primeiro teste psicológico. Os organizadores passaram no aeroporto para me levar e aproveitaram para pegar as 4 bikes que estavam vagando em conexões em aeroportos diferentes dos seus donos. Isso foi domingo às 15 horas, sendo que a prova havia começado 4 horas antes, às 11. Eles só souberam que as bikes estavam no aeroporto momentos antes da largada.

Fui o primeiro a ver que eles teriam suas bikes depois de fazer 4km de canoagem, 65km de trekking, 3,5km de natação, vestidos e carregando as mochilas, mais 35km de canoagem, e que poderiam seguir na prova. É uma prova pra quem tem nervos de aço.

Siga a prova em tempo real. As equipes carregam consigo um localizador e por isso conseguimos saber por onde passaram, onde erraram a navegação e onde estão agora.

Veja também as fotos da competição na fanpage do MidiaSport: www.facebook.com/MidiaSport.

Enzo Amato

Ecomotion/Pro 2013, 36h e ainda sem dormir.

Passadas quase 36 horas de prova pude acompanhar alguns detalhes interessantes para o pessoal apaixonado por corrida, triathlon e provas longas.

Equipe se prepara para enfrentar 3,5km de natação com equipamentos e mochilas, após 65km de trekking precedidos de 4km de canoagem.

A logística é impressionante e não exite turista nem garotos nessa prova, ela realmente é a mais top corrida de aventura. A exigência física e emocional é enorme. O investimento é muito grande, os equipamentos são de primeira, como bikes, mochilas, tênis, vestimenta, e fora os equipamentos ainda tem a viagem, o excesso de bagagem, os lugares para acomodar cada equipamento durante a viagem pelo país e durante a prova, a quantidade de tralha, pensar em várias transições, pois eles remam, pedalam e correm mais de uma vez durante a prova e em cada uma dessas vezes precisam montar, usar, desmontar e guardar, nesse meio tempo precisam comer, enfim, é realmente muita coisa e a capacidade de improviso e planejamento também impressiona, vi equipes nadando com boias, outras com nadadeiras, mas com os pés em frangalhos as nadadeiras não ajudaram como poderiam.

Agora vou tomar banho e dormir enquanto eles continuam no caminho.

Veja como estão as equipes em tempo real

Outros textos sobre o Ecomotion/Pro 2013

Amanhã tem mais.

Enzo Amato