Patagonian International Marathon, a prova!

Depois de 58km, já correndo bem devagar, prestes a cruzar uma ponte sobre um rio de degelo das montanhas à minha frente, uma corredora chilena passa por mim e diz, – olha que paisagem linda! Só me restou concordar e responder com outro adjetivo – todo o parque é espetacular!

Foi assim a prova inteira, o cansaço da viagem havia valido a pena logo no primeiro km de corrida da 2ª edição da Patagonian International Marathon. O Sacha acompanharia a corrida do carro da imprensa parando para fotografar e filmar enquanto eu correria os 63km, também filmando, dentro do parque nacional Torres del Paine, na patagônia chilena.

Acordamos às 6 e logo fui me arrumar, esparadrapo nos pés, vaselina e 2 pares de meia para proteger e tentar não perder as unhas, escolhi um tênis baixo e leve, mesmo com o percurso sendo totalmente em estrada de terra e pedras, decisão certa, calça, camiseta térmica por baixo da manga longa e outra manga curta, bandana no pescoço e corta vento na mochila de hidratação. Teria pouco tempo entre o café da manhã e a largada às 8, por isso optei por comer pouco, com tudo pronto vários corredores foram para o estacionamento do hotel esperar a van que nos deixaria a 2km da largada, ou seja precisávamos caminhar pelo menos 20min, a temperatura beirava zero grau e um pequeno atraso da van nos obrigou a correr esses 2km para chegarmos a tempo e logo precisei calçar as luvas, pois já não conseguia mexer os dedos. Estávamos ao lado de um glaciar (geleira) e alguns blocos de gelo flutuavam no lago, coincidentemente éramos 63 corredores na distância de 63km, sendo 9 mulheres.

Contagem regressiva e um lindo dia de céu azul e pouco vento começava. Eram 4 distâncias diferentes, 63, 42, 21 e 10km que largavam em horários e locais diferentes para que todas terminassem no mesmo local, aproximadamente na mesma hora. A prova é relativamente plana, quase ao nível do mar, com montanhas de mais de 2mil metros por perto, difícil descrever a sensação de estar lá e fazendo o que gosto, no início nos deparamos com longas retas, um grupo logo se distanciou e me vi sozinho ouvindo meus passos, os pássaros e contemplando um dos lugares mais bonitos do planeta, o primeiro posto de água apareceu depois de 11km, e ao menos pra mim não senti falta dele antes disso, eram dois voluntários com um galão de água apoiado numa mesa, abasteci 300ml na mochila que foram suficientes para me levar até o próximo posto com 21km de prova em 1h45, ainda corria com luvas, era nesse lugar que os corredores dos 42km largavam, usava meus batimentos como parâmetro, aquele frio me fazia correr bem e o plano deixavam os batimentos bem estáveis, quando passei a marca de 42km as subidas e descidas apareceram, e na minha cabeça, só faltava 1/3, o que naquele momento me parecia pouco, mas a partir do km 45 comecei a sentir falta das minhas batatas com sal, nos postos só havia água, banana e as vezes maça, comigo eu tinha 4 sachês de gel, mas depois do 2º eles não desciam mais, o jeito foi seguir comendo banana e tinha que ser só metade por vez para não pesar no estômago.

No km 48 parei para tirar as camisetas e fiquei só com a de poliamida, a máxima daquele dia era de 15º e o sol ajudava, sabia que ainda tinha mais uns 5km de subida até chegar ao ponto mais alto da prova 350m, claro que não é muito, mas naquelas condições era o Everest pra mim, os últimos 10km eram praticamente em descida e apesar de saber que as descidas castigam mais quando os músculos estão esgotados, nesse dia eu voava nas descidas e engatinhava nas subidas, sinal de que faltava comida mesmo.

A paisagem que me conquistou já no primeiro km continuou surpreendendo até o final, 6h50 depois, e sem ter encontrado lixo no chão, a chegada era num dos hotéis dentro do parque com uma linda montanha de mais de 2mil metros ao fundo. De tanque vazio, esgotado e feliz por ter superado 63km, mas principalmente por ter corrido num dos lugares mais bonitos que já vi e com muita vontade de voltar.

Ao final tínhamos a opção de comer um churrasco típico e no dia seguinte, cheio de dores musculares fiz um trekking de 14km por uma das trilhas de montanha do parque e a paisagem, nem preciso repetir! Tudo valeu a pena.

Outros textos interessantes sobre a prova e o lugar estão aqui no blog, basta pesquisar pelo nome da prova.

Enzo Amato

11 ideias sobre “Patagonian International Marathon, a prova!

  1. olá enzo
    estou começando a e ler teus textos e pesquisar, já que fiz minha inscrição e comprei pacote ONTEM com a turismo sob medida, mas irei fazer somente 10km, mas estou muito, muito feliz. minha dúvida é bem de inexperiência: é muito frio mesmo para minha curta distância? como nunca corri em corridas longas nem em lugares inóspitos, iria somente com blusa térmica e meias altas..enfim, não sei o que usar rsrsrs. abraços aguardo tua ajuda

    • Alessandra, legal que vai correr lá.
      Você deve ir preparada para tudo, pode ser que vente muito e isso faça a sensação térmica despencar, ou que esteja sol e pelo horário da sua largada a percepção de que está “calor”.
      Pense em vestir-se com camadas de roupa, assim você maneja se tira uma ou coloca conforme sua percepção na hora. Além da blusa térmica, um corta vento seria muito bem vindo. Luvas, gorro ou boné, bandana no pescoço são peças que ajudam bastante e não te atrapalham.
      Se tiver mais dúvidas me avise.

  2. Estou indo esse ano… Farei somente 21 km…Mas ja vi que vou passar bastante frio… como sou de Goiânia isso será um sofrimento enorme para mim… Vc usou somente 1 calca?

    • Ethienne, tudo bem?
      Sim, usei só uma calça, e naquele dia não era necessário mais que isso. O problema era com extremidades expostas no início da prova, as mãos congelavam se ficasse sem luvas. Preocupe-se em estar protegida enquanto aguarda a largada e pense nas camadas de roupa que pode tirar ou colocar durante a prova caso o clima mude de repente. Leve as roupas necessárias e no dia anterior você vai sentir o que precisará usar ou não. Outro detalhe nos 21km a largada é mais tarde e a temperatura vai aumentando, porém não podemos esquecer que lá é o sul do mundo e sentimos muito as mudanças climáticas.
      Se tiver mais dúvidas escreva.
      Nos vemos lá!

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