9º Prêmio Outsiders

Ontem tive o prazer de participar da cerimônia de premiação dos Outsiders 2014, prêmio idealizado pela revista Go Outside que dá luz a grandes esportistas e pessoas do mundo outdoor.

Eu e Andrea Estevam, Diretora de Redação da revista. Foto: Sacha Nappo / MidiaSport

Pessoas famosas em seus esportes pouco divulgados pelas mídias, mas que não os tornam menos profissionais ou menos apaixonados pelo que fazem. Também pessoas que fizeram diferença ou chamaram a atenção para como enxergamos ou nos locomovemos na cidade, enfim, pessoas que se destacaram em 2013 por terem seu espírito outdoor.

A revista que há 9 anos vem mostrando, aqui no Brasil, que o mundo dos aventureiros e dos esportes vai muito além do que as mídias comuns são capazes de nos mostrar, e a cada edição surpreende com alguém que fez, faz ou vai fazer algo que achamos impossível, e que com isso acaba aumentando nosso mundo de possibilidades. Foi essa minha primeira impressão há 9 anos atrás e talvez seja isso que me mantém assinante fiel desde a primeira edição.

Os premiados da noite. Foto: Sacha Nappo / MidiaSport

Enzo Amato

Kailash Trail Run (KTR) c/ vídeo.

Foi a prova mais técnica que já fiz.

Olhei no relógio ao passar os 10km e não podia acreditar que marcava 3hs de prova, pensei que em algum momento as coisas ficariam mais fáceis, mas passei os 19km com mais de 6hs e precisava chegar nos 30km para completar o percurso.

Saí de SP as 5hs da manhã e cheguei em Passa Quatro – MG 3hs depois, além de muitos mineiros tinham muitos cariocas e paulistas também, estacionamento gratuito no ginásio, onde retirei o kit recheado e peguei uma van que levava os atletas até a largada, no refúgio Serra Fina a 1400m de altitude. Largada as 11hs para os que corriam 30km e as 14hs para a turma dos 15km. Eram mais de 250 atletas no total.

Tessa, sou fã dela!

Largando de 1400m.s.n.m. chegaríamos aos 2500m, mas antes disso, ainda na subida eu e outros 20 corredores nos perdemos lá pelo km 5, haviam fitas demarcando o percurso, mas achei que eram insuficientes e pouco visíveis nesse primeiro morro, o que acabou fazendo com que uma manada errasse o caminho, perdendo uns 20min até voltar para o percurso, mas isso é facilmente corrigível para ano que vem.  A vista lá do alto era impressionante, estava numa crista com paisagens a perder de vista para os dois lados. Voltamos ao ponto de largada para reabastecer, comer algo, para encarar outro morro até 2330m, e enquanto eu completava metade da prova em 4h23, o segundo colocado passava pelo pórtico de chegada, vendo isso achei que a segunda metade seria mais rápida, mas era subida pra valer com muitos obstáculos naturais e até cordas em alguns trechos, o que fazia a prova muito técnica e me deixava bastante lento, por outro lado quando escureceu, já na segunda metade da prova, haviam vários refletores nos tocos e árvores que nos guiavam. Nunca vi tanta gente escorregando na minha frente e nunca caí tanto numa corrida, mesmo vendo onde a pessoa da frente havia pisado e porque tinha escorregado eu não conseguia evitar. Quando lembro do percurso me impressiono mais ainda com os primeiros colocados que fizeram tudo em pouco mais de 4hs.

Faltando meia hora para chegar ao cume do segundo morro um staff nos fazia parar para vestir o corta vento e preparar a lanterna, a temperatura já era de 12º e quando chegamos no alto não se via nada por causa da forte neblina, nesse ponto outro staff nos avisava que estávamos no km 19, olhei no meu relógio que marcava 6h22 de prova, a essa altura já acreditava no relógio por tudo o que havia passado pra chegar naquele ponto, começamos a descer, ainda sem muita velocidade, pois o terreno era muito escorregadio, íngreme e acidentado como todo o resto havia sido. Ainda em casa, quando lia o regulamento, achava exagero levar lanterna para uma prova de 30km que começava as 11hs, mas a cada km feito em mais de 20min. via que não, e paguei caro pelo desleixo, quando liguei minha lanterna ainda faltavam 8km, as pilhas eram velhas e duraram 1min, fiquei um tempo entre 2 atletas, mas vi que era arriscado demais, perguntei se alguém tinha pilhas sobressalentes e logo um trio de amigos, me ajudou, (depois um deles leu esse texto e fiquei sabendo que eram da equipe Pinga Fogo, do Corpo de Bombeiros Militar de São Lourenço – MG, Augusto, Anderson e André), aquelas pilhas valiam ouro pra mim naquele momento e fiquei muito agradecido, o rapaz respondeu que tinha certeza que eu faria o mesmo por ele se ele precisasse, verdadeiro atleta e ser humano. Pois é, minha cabeça foi preparada para correr 30km, mas não imaginava o que vinha pela frente, distribuir esses 30km em 2 morros altos e íngremes me deu uma nova dimensão do que seria a prova, e que não devia dimensioná-la por kms, já que levei mais de 8hs para concluir, mais da metade dos atletas chegaram a noite, todos que pude ver ao meu redor apoiaram as mãos em árvores, no chão e cordas, ou seja, as luvas também não eram exagero, 10% dos 146 que largaram nos 30km desistiram, os 15km não eram menos dignos, os corredores passaram por um dos morros e os primeiros colocados levaram quase 3hs. Os concluintes dos 30km ganharam um fleece (agasalho) da Kailash, que depois que as dores musculares e arranhões passarem ele vai representar tudo o que passamos e o que foi essa prova, uma bela recordação. KTRseries.com.br

Aos que pretendem fazer ano que vem.

  • Roupa de frio, corta vento é essencial na mochila;
  • Proteja as pernas de arranhões usando calças;
  • Boné e óculos protegem a cabeça e olhos;
  • Protetor solar, quanto mais altitude, mais o sol queima;
  • Tênis de trilha, sim ou sim;
  • Muita musculação, agachamento e afundo como parte do treino;
  • Luvas, a todo momento se usa as mãos para segurar e apoiar;
  • Bastão de trekking, nessa prova ajuda mais nas subidas;
  • Comida e líquido para muitas horas;
  • Lanterna de cabeça, com pilhas novas, essa não esqueço mais;
  • Cabeça preparada para várias horas de prova e muito desafio!!!!!!

Assista ao vídeo que fiz durante a corrida.

Enzo Amato

 

Números da Indomit Costa Esmeralda Ultra Trail.

Nesta 1ª edição da prova em 2014, que passará pelas cidades de Itapema, Bombinhas e chegará em Porto Belo – SC, teremos.

  • 6 distâncias, 12, 21, 50, 65, 84 e 100km;
  • 32% mulheres;
  • 68% homens;
  • 51% escolheram as ultra distâncias e quase 120 atletas os 100km;
  • Largada 100km à meia noite;
  • 84km às 2h30;
  • 65km às 6hs;
  • 50km às 8hs;
  • 21km às 11hs;
  • 12km às 14hs;
  • O atleta deficiente visual, Valdemar Matos e sua guia, Rosangela dos Santos desafiarão os 12km;
  • Tempo limite, 22hs para os 100km;
  • 18hs para os 84km;
  • 13hs para os 65km;
  • 10hs para os 50km;
  • 5hs para os 21km;
  • 3hs para os 12km.

Indomit Costa Esmeralda Ultra Trail

Até lá

Enzo Amato

Two Oceans Marathon – África do Sul

Ainda não conheço a prova, mas tive a sorte de conhecer Cape Town recentemente e deixo algumas impressões que podem ajudar a quem vai participar da corrida, autointitulada de - A maratona mais bonita do mundo.

A viagem até Cape Town é longa, por isso se tiver alguns dias livres pré prova, não deixe de dar uma corridinha para desinchar as pernas ao longo do calçadão a beira mar. Caso isso não atrapalhe seu descanso pré prova. Vale a caminhada também.

Do alto da Table Mountain, uma das 7 maravilhas naturais do mundo.

Cultura:

A Paula e eu visitamos Cape Town um dia após a morte de Mandela, quando em vida ele já era muito homenageado no país, talvez agora mais ainda, o apartheid existiu há pouco tempo e perguntando aos locais percebe-se que ainda está impregnado na sociedade. Recomendo assistir ao filme da biografia de Mandela, Long Walk to Freedom e visitar o museu no District Six, pagando pela visita guiada. Isso vai te colocar em sintonia com o que aquele país passou recentemente e te fazer encher os guias dos passeios de perguntas além de sentir a prova com mais intensidade sem dúvida.

Gastronomia:

Acertamos 100%, simplesmente em todos os restaurantes que fomos, comemos muito bem, a qualidade e apresentação dos pratos é incomparável, peixes e carnes eram meus preferidos, o serviço sempre muito bom e os preços justos, nunca gastamos mais que o equivalente a 20 dólares por pessoa numa refeição (muito mais barato que SP). Na hora de tomar um café da tarde, todos os doces eram maravilhosos, nunca comi tão bem numa viagem, simples assim! Sempre prefiro ter dias livres depois da prova para poder aproveitar essas indulgências, mas caso você não tenha, não deixe de provar mesmo assim. Você trará mais recordações do que um tempo no relógio.

Considero o mundo muito grande e dificilmente volto para o mesmo lugar, prefiro visitar um novo, mas deixei muitas atrações a serem visitadas em Cape Town, incluindo a Two Oceans Marathon, isso vai me fazer voltar um dia com muito prazer.

Sobre os passeios que fizemos deixo um link com nossas dicas. Cape Town em 5 dias. Clique e confira!

 

Enzo Amato