Circuito das Serras.

Foi só a primeira de um circuito de quatro etapas, mas já deixou boa impressão.

Local de fácil acesso, o Parque Estadual do Juquery recebeu cerca de 350 atletas para 3 distâncias, 6, 12 e 21km.

Estacionei gratuitamente dentro do parque, peguei o kit e antes das 8h já estava pronto para correr. Cheguei a sair cedo de casa (6h) para evitar atrasos, mas foi tudo super fácil. O parque está há menos de 1h de SP.

Largada pontualmente as 9h. Percurso por estradas de terra e poucos single tracks, ascensão acumulada de 640m nos 21km, o que não é muito. Que acabou deixando a prova rápida para quem é experiente e divertida para quem começa a se encantar por provas fora do asfalto. Dos pontos mais altos era possível enxergar longe e fazer várias fotos legais.

O único equipamento essencial era ter uma garrafinha para garantir a hidratação entre os postos de abastecimento, que ecologicamente não entregavam copinhos descartáveis. Tênis de trilha é aconselhável, mas não chega a ser de primeira necessidade. Dá pra se virar bem sem ele. Esse baixo investimento inicial possibilita que corredores experimentem esse tipo de corrida na natureza. Antes de se jogar de cabeça ou ter que gastar uma fortuna com equipamentos diferentes dos que normalmente usa para asfalto. O local e organização atendem bem a esse público também.

Quatro estreantes e eu pouco antes da largada.
Rogério, Mônica, eu, Isaac e Andrea.

Inscrição com preço acessível e uma boa prova para ir em grupo e se divertir. Ainda voltei a tempo de almoçar em casa.

O Circuito das Serras de Corrida de Montanha ainda terá mais três provas em 2015:

  • 18 de outubro, serra da mantiqueira – São Francisco Xavier;
  • 08 de novembro, serra de Paranapiacaba – Santo André.
  • 06 de dezembro, serra do Japi;

Vídeo desta primeira etapa em breve.

Enzo Amato.

235km Ultramaratona dos Anjos Internacional

Meu depoimento da UAI. Ultramaratona dos anjos internacional 2015

235 KM –  X HARD SURVIVOR

 Por Cleber Z. Evangelista

Sexta feira 03 de julho, cidade de Passa Quatro em Minas Gerais, largada às 8 horas da manhã, abasteço as garrafas de água, toca o hino nacional e inicia a corrida. Primeira parada em Itamonte km 25, subidas longas no começo, não fiz esforço nos primeiros trechos da prova, mantive uma estratégia de completá-la próximo ao tempo limite de 60 horas. 11h30min da manhã entro na cidade de Itamonte abasteço as garrafas e levo uma extra na mochila, comi banana, maça e suplementos.

Próxima parada PC 2 em Alagoa no km 65, são 15 km de subidas intermináveis.

Nos primeiros 5 km fiquei preocupado com a água, freqüência cardíaca subindo, boca seca, porém sabia que teria um lugar para me alimentar e abastecer de água. Foram mais 2 km até encontrar o bar. Devoro um x-egg salada e tomo uma coca cola para enfrentar 8 km de subidas até a entrada do parque estadual serra do papagaio. Levo bastante água e a mochila pesa, um tremendo incômodo nos ombros, subidas longas, freqüência alta e respiração no ritmo certo. Na parte mais alta da serra, faço um soro de glutamina, pastilha de sal, isotônico, água, bicarbonato, e bcaa. Tenho que tomar um gole a cada 40 minutos até o final da prova.

22 km de descida até Alagoa no km 65, gosto de correr nas descidas, e mantive um ritmo bom. Ventava bastante e me obrigou a vestir o corta vento. Descidas íngremes e perigosas de ponta de paralelepípedo. Foi onde torci meu tornozelo ano passado então fiquei bem atento.

Entro numa estrada de asfalto uns 6 km de descida e o anoitecer, lanterna na cabeça e mantenho o ritmo, mas ando um pouco. Chego na cidade de Alagoa às 7 da noite e antes de passar pelo PC paro num restaurante para me alimentar. Comi arroz, feijão, macarrão, frango, tomate, e coca cola.

Ando até o PC3 uns 300 mts, tiro os tênis, as meias, passo hipoglos em tudo, virilha, embaixo dos braços, nos pés, e pomada balsamex nas coxas, lombar e panturrilhas… Tomo os suplementos necessários, abasteço com muita água, faço um novo soro, e sigo rumo aos 95km.

São 30 km de escuridão e sem casas, todo cuidado é pouco, fiz esse trecho acompanhando várias equipes de atletas fazendo os 235 km com apoio, uns 6 atletas, e em especial a equipe de Renato e seu pacer Victor, atletas do RJ. Conforme a madrugada avança o frio aumenta bastante. Alterno caminhada com corrida e sinto desconforto no estômago. Comi demais e a refeição está pesando.

De madrugada, cansado e com sono, preciso descansar, chego na cidade de Aiuruoca às 2 da madrugada, passo pelo PC, e vou para uma pousada a uns 200mts. Ao chegar tomei uma dose forte de whey protein, descansei por umas 2 horas, e ao levantar sinto muitas dores nas pernas. Tomo um banho, passo as pomadas necessárias, tomo um café, com pão e queijo branco, uma dose forte de gel de carbo e abasteço de água.

Agora são 10 km até o ponto de parada obrigatório a cachoeira dos Garcia. Está frio e devo ter subido uns 4km. Ao amanhecer tenho um visual maravilhoso. As subidas ficam tão íngremes que tenho dores na lombar. Com o solo de pedras pontiagudas tenho que ficar atento para não me machucar. Minha freqüência estava altíssima, e esquenta muito, tiro algumas camisetas.

Chego à casa de apoio km 105 às 8 da manhã completando as primeiras 24hs de prova, e sou super bem atendido pelo morador e cuidador da cachoeira dos Garcia, o Juninho, que  fez uns ovos fritos, ainda comi arroz, frango caipira, fava de mel e doce de abóbora. Toda essa alimentação me deixou super animado e forte.

Parte mais alta da prova, 1900m. km 110, cachoeira dos Garcia.
Foto: Arquivo pessoal

Agora são 3 km de subidas até o topo do pico depois só descidas até a casa rosa, casa de apoio de peregrinos e da prova. Na parte mais alta da montanha (foto acima) tenho que parar um pouco para admirar a paisagem que é maravilhosa… tiro umas fotos e desço a montanha. Corro num ritmo forte, me empolgo um pouco, passo por vários atletas, muitos já mancando e machucados.

Na casa rosa tomo uma coca cola, suplementos, alongo um pouco as pernas no chão, abasteço as garrafas de água, e sigo viagem, agora são 8km até Baependi km 135.

Nesse PC tenho um container com todas as coisas que deixei com a organização um dia antes da competição, contendo suplementação, meias limpas, pilhas novas, remédios, castanhas, rufles, pego o necessário, deixo a roupa suja e o que não usaria mais, deixo a mochila sempre com um peso leve de 3 a 4 quilos no máximo.

Tomo um banho, almoço um pratão de arroz com macarrão, ovo frito, bebo mais uma coca cola bem gelada e suplementos. Passo as pomadas, converso com a galera e relaxo um pouco. Tudo sob controle, corpo reagindo bem, cabeça no lugar, concentração total e sempre no foco.

Agora são 12 km até a cidade de Caxambu velha, depois mais 5 km até Caxambu nova PC 6.

Sempre preocupado com a água, por isso sempre levo uma garrafa a mais, corro um bom trecho, e a essa altura da prova sempre ando nas subidas. Em Caxambu velha anoitece e esfria, paro num boteco para comprar água e comer uns doces que levava. Uva passa, damasco, castanhas e bananinha. Pego uma estrada de terra bem plana, mas na escuridão total, só a luz da lanterna de cabeça e chego na rodoviária de Caxambu nova onde está o PC 6.

Entro na cidade de Caxambu às 8 da noite cansado e preocupado, preciso descansar, tento procurar uma pousada e nada. Durmo no chão perto da rodoviária por 2 horas, passo analgésico spray nas pernas, tomo uma dose de whey protein e apesar das dores consigo descansar num sono profundo.

Acordo travado e preocupado lá pelas 10 da noite, pois tenho uma caminhada de 28 km, uma pernada de 6 a 7 horas de madrugada pela estrada real com muita escuridão, sem lugar para abastecer com água e ninguém por perto.

Antes de sair rumo a São Lourenço tomo um termogênico para tirar o sono. Muito frio na estrada de terra, muitas pedras soltas e acabava chutando várias por causa do escuro. Pego a lanterna reserva na mochila, toda vez que parava pra descansar travava tudo por causa do frio, não podia ficar parado, andava, corria e parecia que não saía do lugar. Água acabando e ninguém por perto, começo a racionar a hidratação e do nada aparece o carro de apoio da prova…Viva!!! Graças a Deus, era a Monica e o Tio Chico.

Já havia percorrido uns 15km, depois que saí de Caxambu, já passava das 2 da madrugada, estava no km 170 e poucos. No carro de apoio pego um maçã, abasteço de água, troco as pilhas das lanternas e sigo bem mais tranqüilo.

Na entrada de São Lourenço, sinto as bolhas nos pés incomodando, paguei um preço alto pelas descidas rápidas e desnecessárias, elas me causaram bolhas na sola do pé.

Troco de meias, passo hipoglos, faço curativos e quase congelo de frio. Tenho dores e câimbras no abdômen, já era 4 da madrugada, atravesso a cidade inteira até o PC 7, no km 180 já com 44hs de prova.

Estava exausto, dores, frio, fome, tento arrumar abrigo e nada, a salvação foi o meu cobertor térmico, me embrulho nele e o frio passa rápido. A equipe do PC faz uma sopa vono, e descanso ali mesmo no chão, até as 6 da manhã.

Antes de sair fui até a padaria comprar dois pães de queijo e 4 polenguinhos. Tomo água de coco, abasteço de água, tomo os suplementos e sempre pequenos goles do soro.

Mancando muito saio da cidade rumo ao PC 8, bar da cachaça 24km à frente sem ninguém por perto e nada para comprar.

Estou preocupado já não consigo mais correr, só andar. As bolhas estão me metralhando, paro para tirar as meias encharcadas. Passo pomada e coloco os manguitos do antebraço nos pés. Nessa hora tento de tudo para não sentir as alfinetadas nos pés, mas nada melhora e começo a ficar preocupado com o tempo limite da prova de 60hs.

O sono bate forte e penso em deitar na beira da estrada de terra, desespero total, tomo uma dose cavalar de termogênico para não cair no sono. Tardou uns 30 minutos até bater o efeito que me tirou o sono na hora, mas também a fome, e isso é bem preocupante…

Perto do km 200 passa a equipe de apoio da prova com Paola e Newton. Viva, viva! Abasteço com água, não como nada e converso um pouco com eles. Faltavam 5 km para o PC 8 km 204, caminhando senti as bolhas estourarem e uma ardência queimando a sola do pé. 

PC no km 204.

PC 8, meio dia e 52hs de prova. A equipe de apoio o Tio Chico faz curativo nos meus pés, feito com absorventes e esparadrapos (foto acima). Calcei meias novas, que Monica arrumou pra mim… salvou!!!!

Almoço arroz, feijão, carne assada e macarrão, descontrai com o pessoal sempre me animando muito. Abasteço as garrafas com bastante água, um soro novo com meia garrafa de isotônico e o resto da solução.

Mais 31km até Passa Quatro, 9 km de plano, 8km subindo a serra e 14km descendo. Sai andando bem lentamente e mancando até sentir o efeito do curativo, passo a um ritmo rápido de caminhada e começo a trotar leve, não sinto mais as dores das bolhas, que maravilha!!!!

Na subida da última montanha, paro um pouco para descansar, tomo suplementos e como um pedaço de rapadura.

A subida foi  rápida, mantive um ritmo bom e animador até o topo. Agora faltam 14km de descida e 5 horas para esgotar o tempo limite da prova, já passava das 3 da tarde.

Km 231, caminhando sentido Passa Quatro.
Foto: Wagner Pnl

A cada passada na descida da serra meus pés gritavam de dor, meu ritmo diminuiu bastante e o vento fez a sensação térmica despencar. Quase escurecendo encontro outra equipe de apoio, abasteço com água, algumas fotos e só restam 3 km até a cidade e o pórtico de chegada. Sem pressa agora, tudo vai dar certo, cabeça no lugar.

Escurece e minha visão está cansada, pego a lanterna, desço pela trilha uns 2km e entro na cidade de Passa Quatro. Começo a pensar em tudo que passei no percurso e choro de alegria, agradeço a Deus por tudo.

Domingo dia 5, às 6 e meia da tarde completo os 235km em 58 horas e 30 minutos ….Viva viva viva!!!

Campeão por ter completado o desafio.
Foto: Wagner Pnl

Aprendi na ultra maratona dos anjos, que não importa a dificuldade que passamos, o importante é olhar para frente sempre, um passo de cada vez, sem olhar para trás, pensar sempre positivo, ignorar os problemas, ter humildade e respeitar a natureza e as montanhas.

 NO PAIN NO GAIN

Cleber Z. Evangelista

Maratona do Rio

 Maratona CAIXA da Cidade do Rio Janeiro

A prova triplicou o número de participantes nos últimos dez anos. Serão 26mil pessoas nas três distâncias, 6, 21 e 42km. Por ser toda pela orla da praia, é considerada uma das maratonas mais bonitas do mundo. (clique e visite o site do evento)

Foto: Thiago Diz

Hoje é nossa maratona mais popular deixando a de SP em segundo lugar. Outro dado interessante é que a participação das mulheres vem crescendo vertiginosamente. Nos EUA as mulheres já representam mais de 60% nas provas de 21km e no Rio elas serão 49%.

Outros números interessantes:

  • 7500 corredores na maratona, sendo 30% mulheres;
  • 12mil nos 21km com 49% de mulheres;
  • 6500 nos 6km com 63% de mulheres;
  • 61 países representados sendo 300 argentinos, 120 chilenos e 100 estadunidenses;
  • Dos competidores brasileiros, 35% são do Rio de Janeiro, 26% de São Paulo, 11% de Minas Gerais e 4% de Brasília;
  • A prova de 42km terá a primeira largada às 6h55 (cadeirantes) na Praça do Pontal do Tim Maia, no Recreio dos Bandeirantes, passando pelas praias do Recreio, Reserva, Barra da Tijuca, São Conrado, Leblon, Ipanema, Copacabana, Botafogo e chegando ao Aterro do Flamengo;
  • 480 mil copos d’ água;
  • 100 mil sacos de isotônico Gatorade.
  • + cinco toneladas de massa/macarrão (entregues com o kit dos participantes);
  • 35 mil pacotes de biscoito;
  • + 210 mil frutas distribuídas na largada e chegada.
  • 22 toneladas de tecidos utilizados para camisas e outros materiais;
  • + 7.000 m² de lonas para tendas;
  • 7.500 grades;
  • 4.000 cones;
  • 2.500 integrantes do staff da prova;
  • + 210 ônibus para transporte até a largada;
  • 10 mil metros quadrados de área construída nas 03 arenas (Recreio, Barra e Aterro);
  • 300.000 unidades de material gráfico;
  • 1 tonelada de plásticos;
  • 146 pessoas envolvidas na equipe médica, socorristas e ambulância.

A edição de 2016 já tem data marcada 29/05 e inscrições abertas, mas fique atento, pois neste ano as inscrições se esgotaram com 6 meses de antecedência.

Enzo Amato

Circuito das Serras, neste domingo.

Inscrições terminam hoje (23). Evento, na Serra da Cantareira, abre a série de eventos do Adventure Camp 2015.

Circuito das Serras
Foto: Divulgação

A etapa de abertura do Circuito das Serras de Corrida de Montanha acontece neste domingo, dia 26, a partir das 9h, no Parque Estadual do Juquery (em frente a Escola Superior de Bombeiros), no Município de Franco da Rocha, da Serra da Cantareira, já conta com 350 participantes, divididos pelas disputas Solo de 6, 12 e 21km.

O Circuito das Serras ainda terá mais três provas no ano: 30 de agosto, na Serra do Japi; 27 de setembro, na Serra da Mantiqueira; e 8 de novembro, na Serra de Paranapiacaba.

Nos vemos domingo!

Crônica da prova e vídeo em breve.

Enzo Amato

K21 Maresias 2015.

Maresias é uma praia badalada de São Sebastião, cidade do litoral norte paulista quase na divisa com o RJ. O caminho já é lindo, o visual da estrada, as praias, isso já te faz curtir a prova muito antes dela começar.

Quase 700 corredores nos 5, 10 e 21km. As mulheres representaram 45% do total, um número bem alto para os padrões nacionais.

1ºkm na praia de Maresias.
Foto: MidiaSport

Areia, trilhas, morros, rios, pedras e até um pouco de asfalto. Com isso tudo a prova se torna muito rápida em alguns trechos e incrivelmente lenta e íngreme em outros, tanto para subir quanto para descer. Foram quase mil metros de desnível positivo acumulado. Pode ser um grande desafio para quem não está acostumado com a distância. Calcule 2x o tempo da sua melhor meia maratona no asfalto (nada fácil). Como também um ótimo treino na preparação para distâncias maiores. Mata atlântica exuberante, várias praias e visuais marcantes. Para mim isso define a K21 Maresias.

Recomendo fortemente tênis de trilha, cinto de hidratação ou mochila, pois os postos de água podem tardar a chegar. Óculos de sol, boné, protetor solar e algo para comer, levei damascos secos. Repelente antes de largar também foi importantíssimo.

Organização cumpriu bem seu papel. Com largada as 9 tive tempo suficiente para sair de SP as 5:30 e pegar meu kit com camiseta, viseira e meia antes da largada. Percurso desafiador e bem marcado, 4 postos de água e um com água de coco.

2h55
Escaladas e descidas apavorantes aumentam o grau de dificuldade da prova.
Foto: MidiaSport (vídeo em breve)

A prova vale a pena, mesmo para quem vai só para correr, como foi meu caso este ano, mas se der para aliar com o fim de semana completo e um pouco de turismo ou descanso, fica até com cara de férias. Julho é época seca e a probabilidade de sol com temperatura agradável é maior.

O que usei:

  • Tênis: Asics Gel-Fuji Racer 3
  • Meias de poliamida: Quechua
  • Cinto de hidratação: Salomon
  • Óculos de sol: Briko
  • Camiseta e viseira do kit da prova.

Enzo Amato

Álbum Ultra Fiord

Juntar fotos de profissionais acabou resultando numa linda recordação da Ultra Fiord. Vou guardar com muito carinho e agradecer quem teve a brilhante ideia.

Foi a experiência mais difícil e selvagem pela qual já passei e as imagens conseguem contar tudo isso.

Apareço nas páginas 187, 189 e 226.

Quedó claro que no es un evento para todos. Ultra Fiord es una experiencia dura y salvaje, diseñada especialmente para aquellos que buscan grandes desafíos, para los que disfrutan explorando sus límites personales, para los que tienen espíritu de aventura y para los que se apasionan con la naturaleza salvaje… Para esos minimalistas capaces de enfrentar todas las adversidades que puede imponernos la naturaleza… Stjepan Pavicic (diretor da prova).

Enzo Amato

1º Trivelha

Dia 04/07/2015 aconteceu a primeira edição do Trivelha (triathon na Estrada Velha) no Parque Estadual da Serra do Mar – Riacho Grande em São Bernardo do Campo – SP.

Por Otavio Lazzuri

Prova organizada por atletas, que frequentemente treinam no local e tinha como principal objetivo uma confraternização pós Ironman. A prova teve um circuito de 3.4km de natação, 96km de ciclismo e 16km de corrida. Os staffs deram show de bola e tudo saiu perfeito.

Otávio num dia qualquer treinando no local.                                                                                           Foto: Renata Nunes

Trivelha frio com garoa e névoa no início.
Foto: Fernando Bolla, que foi staff dos atletas.

A organização iniciou os planos contando com no máximo 30 atletas convidados, que pagaram R$ 150,00 reais. Este valor serviu para cobrir os custos com hidratação (água, isotônico, Coca-Cola e banana); Medalha (linda por sinal) e camiseta de Finisher de boa qualidade. Como o principal objetivo era a confraternização, ao final da prova churrasco e cerveja para os atletas e familiares, tudo dentro do Clube dos Borracheiros, tradicional ponto de encontro dos atletas na Estrada Velha.

Bike check-in das 07:15 às 08:00, um pequeno breefing das 08:00 às 08:15 e largada as 8:30. No bate papo antes da prova a organização repassou os pontos de retorno, deixando todos à vontade com relação às distancias, só pedia que quem não cumprisse toda a quilometragem avisasse posteriormente, não houve marcação de tempos e todos já estavam ansiosos para a brincadeira, que contou com boas disputas, algumas estreias e muito asfalto molhado…

Bater a mão no pé da ponte e voltar.
Foto: Fernando Bolla.

A gelada natação, contou com apoio de 2 jet-skis, pilotados por staffs, prontos para qualquer eventualidade. A T1 e T2 foram dentro do Clube dos Borracheiros.

Hidratação na bike acontecia na saída do clube, por onde passávamos na ida e volta, assim, ficamos com dois pontos, em um percurso de 16km, muito bom.

Na corrida a hidratação aconteceu na T2, no km 4, 8, e 12… perfeita também!!!
Ao final o churrasco para esquentar, cerveja para reidratar e muita história boa pra contar… Parabéns a todos que encararam o dia frio e chuvoso e palmas de pé para a organização, pela iniciativa e conclusão de uma ideia brilhante!!!

Que venham as próximas edições!

APTR Ultra do Itacolomi 2015.

55km de natureza e história.

O Parque Estadual do Itacolomi pertence às cidades de Mariana e Ouro Preto e fica a uns 620km de SP.

Cheguei ao parque na noite anterior, peguei meu kit, ouvi o congresso técnico com explicações detalhadas dos percursos, da história do parque, participei do jantar de massas e fui descansar.

Amanhecer na arena e café da manhã quase pronto para receber os atletas.
Só correr e sorrir.
Foto: Danylo Goto

Na manhã da prova levei toda minha roupa de frio. Tomei café da manhã, oferecido pela organização, já na arena da prova enquanto alguns corredores retiravam seus kits. Aos poucos fui me dando conta que poderia abrir mão de alguns acessórios de frio, como manguito e luvas. Quando deixei minha mochila no guarda volume estava vestido quase como numa corrida de verão. Temperatura muito agradável para correr, céu azul e garantia de paisagens lindas. As 7:10 foi dada a largada dos 55km, que por motivos técnicos viraram 53. Até aí tudo bem porque foi cortado um trecho de estrada e não de montanha, a diversão estava garantida e ia demorar…

Estradas de terra, muito verde, algumas trilhas e morros definem essa prova, que ano que vem terá o percurso de 55 e 25km direcionados ao pico do Itacolomi, ponto mais alto e turístico do parque, com mais de 1700m. Esse ano subimos ao morro do cachorro (antenas) com pouco mais de 1500m. A vista do entorno era simplesmente fantástica. Estava no Quadrilátero Ferrífero (conjunto de serras interconectadas que formam um quadrado que tem grande concentração de ferro nas rochas, daí o nome) resumindo, morros até onde a vista alcança!

Essa prova pode ser feita por corredores acostumados com o asfalto e que querem começar a se aventurar off road, não por ser fácil, coisa que não é, mas por ter postos de abastecimento bem carregados, staff em várias bifurcações, que evitam corredores perdidos, tempo limite para que todos terminem de dia, enfim, pequenos detalhes que facilitam a vida e a logística de corredores menos experientes fora do asfalto. Dá pra se virar bem com apenas alguns equipamentos para trilha, sem chuva dá até pra ir com um tênis qualquer, mas não arriscaria se tivesse chovido um dia antes. A altimetria não alivia a vida de inexperientes, foram mais de 2000m de desnível nos 55km e em 2016 passará dos 3mil.

A quentinha de purê de batata com carne moída disponível no km 33 parecia o palito premiado, pensava em pegar uma barrinha de cereal e de repente me ofereceram um prato quente!!! Comi tudo e logo começou “A” subida que me tomou mais de 1h. Foi a hora certa de comer, pois não havia outra opção a não ser caminhar. Barriga cheia, coração contente, mas pernas queimando com a inclinação feroz. O cansaço foi acumulando e compulsoriamente lá pelo 37º km reduzi o ritmo. Nessas horas é sempre importante pensar em coisas boas, entreter a mente com qualquer coisa que tire a atenção do sofrimento físico, no meu caso e no lugar que estava, apreciava a paisagem, escutava os pássaros e o vento batendo nas folhas das árvores, pensava na família, fingia que nada doía e seguia correndo.

Cheguei com 7h17 muito contente por ter conhecido o parque. Organização muito cuidadosa com os corredores, entregando não só um desafio, mas também cuidando de detalhes que encantam e cativam. Kit legal, camiseta de poliamida do tamanho que pedi, jantar de massas, café da manhã… valor de inscrição muito acessível pelo que foi oferecido e possibilidade de conhecer as cidades históricas da região com a família.

Sem dúvida vou participar de outras provas do circuito APTR e voltar ao parque 02/072016 para enfrentar esse percurso novo.

Próxima etapa em Ilha Grande 15/8/2015.

Clique e assista ao vídeo.

Enzo Amato.