Andes Infernal 2016

Não é uma corrida convencional, mas se é aventura que você procura, bem vindo a Andes Infernal.

O valor da inscrição foi irrisório, no kit só o número, não teve medalha na chegada, não teve camiseta da prova, muito menos de finisher, não teve massagem no final, nem mesa de frutas, ou isotônico, mas teve toda a aventura do trajeto.

O organizador Marcelo Rojas de branco, René Castel, Karl Egloff, Jaime Hume, Nicolas Miranda e eu.
Foto: Solo Running

O organizador, Marcelo Rojas, tentou até o último momento fazer com que a prova fosse gratuita, só com a ajuda de voluntários e poucos patrocinadores, mas há poucos dias do evento foi obrigado a cobrar um valor mínimo de inscrição, o que na minha opinião não foi um incômodo, pois o valor cobrado foi bem menor que de outras provas, US$ 34 dólares na maior distância, com a possibilidade de chegar ao cume de uma montanha de 5400m, uma pechincha. E se notava a intenção dele de fazer dar certo, mas não foi dessa vez, e nem será ano que vem, pois em 2017 ele pretende entregar medalhas, oferecer mais comida no trajeto etc…

Todos apresentaram atestado médico na retirada de kit. Eu conheci pessoalmente Karl Egloff, favorito na prova e simplesmente o cara que subiu e desceu o Aconcágua e Kilimanjaro mais rápido que qualquer um até hoje (de azul na foto).

A previsão do tempo era perfeita para chegar ao cume do Cerro El Plomo, a 5400m. Na edição anterior não foi possível pelo mal tempo. O que é completamente normal em se tratando de alta montanha, e estávamos cientes dessa possibilidade. Antes da largada alguns atletas foram checados para ver se portavam todos os equipamentos obrigatórios.

A concentração foi em Valle Nevado, que fica mais ou menos a 1h30 de Santiago, a 3000 metros de altitude. 6 da manhã, ar rarefeito e uma forte subida deixou a todos ofegantes com menos de 1km de prova. Logo os corredores dos 28km seguem um caminho e os de 51km outro. Éramos apenas 43 nos 51km, ou querendo chegar aos 5400m.

As subidas são duríssimas e os bastões essenciais. Os tempos de corte cruéis, tinha 4h para chegar ao posto de controle no km 14 a 4200m (foto). Nessa barraca todos descansavam compulsoriamente por 5min. para que os médicos checassem a saturação de oxigênio 2x (um aparelho que abraça seu dedo marca quanto de oxigênio tem no sangue). 81 na entrada e 79 depois dos 5min. Um número acima de 75 me liberava para seguir, me sentia bem e fui.

14km a 4200m chegando na tenda para controle médico.
Foto: Patricio Valdés

Estava só com 40min de folga e comecei a prestar atenção no relógio. Chegar ao cume não seria apenas seguir adiante. Tinha que parar o mínimo possível, mesmo que o corpo pedisse descanso, e a essa altitude ele pede sem cerimônia. Já havia passado por corredores sentados descansando, já afetados pelos efeitos da altitude e esforço da corrida.

Começava a parte mais difícil da prova, o verdadeiro teste que queria experimentar, chegar aos 5400m. Qualquer 5min de subida fazia enxergar o ponto anterior muito mais abaixo, seguia um zigue zague interminável e já sem marcações da prova, era só subir e subir pela trilha marcada por outras pessoas que sobem todos os dias.

Mais um posto avançado de apoio com dois voluntários a 4600m, descansei alguns minutos enquanto um deles checava a coordenação de um dos corredores e lhe fazia algumas perguntas. Chegou minha vez, tudo em ordem, ele ainda me avisou que tinha apenas 1h30 para chegar a 5100 onde se cruza o glaciar. Quem não chegasse até o meio dia teria que dar meia volta.

Segui no ritmo que era possível, uma caminhada vigorosa, mas lenta que a cada dezena de passos me obrigava a parar para respirar ofegantemente. Parecia que eu terminava um tiro de 1km a cada 10 passos. Num momento me confundi e segui uma trilha que não levava a lugar algum, outro corredor me avisou enquanto me passava tranquilamente, no ritmo que a altitude permitia. Foram minutos preciosos que perdi tentando voltar a trilha, pois o terreno era íngreme, de pedras soltas e de difícil progressão.

Cheguei ao glaciar e escutei o voluntário dizer – depois desse ninguém sobe, fecharemos a passagem. – Fui o último a ter permissão para seguir, há apenas 2min antes do meio dia. Comemorei como se fosse uma vitória. Agora tinha a certeza que chegaria ao cume. Calcei os crampons, (espécie de corrente com cravos que firmam os tênis na neve) emprestado pela organização, e cruzei os 100 ou 200m do glaciar, uma queda me faria descer a mil por hora por mais de mil metros montanha abaixo, não sei se sobraria algo para contar história… mais trilhas e a altitude se fazia sentir forte agora, sentia uma leve tontura e precisava fazer paradas muito frequentes para respirar. Sorte que o clima ajudou e não estava tão frio quanto se espera a mais de 5mil metros, mesmo assim calcei a luva que achei no chão por cima das minhas que eram muito finas.

Alguns corredores descansavam e admiravam a paisagem de céu azul e montanhas nevadas dos Andes. Uma breve filmagem lá de cima, cumprimentos e um dos voluntários me diz – neste ponto temos metade da pressão atmosférica que há ao nível do mar – estava louco para comer o lanche de salame e queijo que carregava na mochila, mas o vento  era constante, e Leandro, um amigo do Brasil, que já estava no topo há mais tempo queria descer logo e fazer a parada com mais oxigênio.

Descer foi muito mais fácil, não precisava mais das paradas frequentes, só cuidar para não cair, mas escorregões eram normais nas pedras soltas.

Fiz o retorno do glaciar sem crampons, pois não haviam naquela hora, fui com mais cuidado ainda, cravando os pés onde os outros haviam passado e apoiando firme os bastões.

Já na dscida a 4600m com glaciar ao fundo. A foto não mostra a imensidão da massa de gelo.

Ao terminar nos sentamos por alguns minutos a 5100m para comer metade do lanche e apreciar o visual. Logo chegamos de volta aos 4600m e mesmo nessa altitude, a sensação era de poder respirar bem melhor. Terminamos o que havia sobrado do lanche e continuamos a descida, nesse trecho bem perigosa. Era fácil pegar uma trilha qualquer que some aos poucos e te deixa em maus lençóis. Sem querer pegamos uma trilha diferente da que havíamos subido e a situação ficou tensa, vários corredores descendo uma trilha quase reta de pedras soltas montanha abaixo, escorregando e levantando, mas depois de um bom tempo assim, chegamos de volta a tenda médica a 4200, quando nos checaram 2x novamente. Uma leve euforia e sensação de alívio nos contagiou, talvez por ter regressado em segurança ou por pensar que era mais descida que subida o que nos faltava. Era km 23 e já haviam passado mais de 9hs de prova, impressionante, mas essa é das corridas que quilômetros não são parâmetros, são apenas um número.

Estávamos errados, ao sair da tenda várias montanhas ainda nos esperavam, mas desta vez com bons trechos de corrida. Passamos por outros pontos de turismo, como o Cerro Pintor, que tem esse nome por suas várias cores. Até regressar a Valle Nevado completando 36km.

Pseudo chegada, querendo mais 15km. Leandro e eu.

Para a prova ser considerada a ultra mais alta do mundo, ela precisa ter mais de 42km, por isso nos faltava uma volta de 15km para concluir os 51km. Mas haviam passado 12hs desde a largada, esses 15km nos custaria mais umas 3h, éramos só Leandro e eu, e todos que trabalhavam eram voluntários. Por fim Marcelo nos convenceu de que tínhamos feito o mais difícil… e acatamos a decisão de encerrar por lá mesmo.

Os 15km finais massageariam o ego, mas tudo o que passamos bastou para só regressar com boas memórias.

Estávamos felizes por ter passado todos os obstáculos daquele percurso infernal, coincidindo com a mãe natureza nos brindando céu azul e permissão para subir El Plomo. 19 corredores chegaram ao cume e só 7 concluíram os 51km. Karl venceu com 7h58.

Assim foi uma corrida infernal nos Andes, chamada Andes Infernal.

Vídeo da prova em breve.

Para 2017 a Andes Infernal vai ter a distância de 36km como oficial e outras maiores para continuar sendo a ultra mais alta do mundo. A distância de 15km, chega a 3700m e pode ser experimentada por iniciantes que querem saber como é correr em altitude. Os 28km chega a 4200m e é necessário ter certa experiência, pois além de poder passar facilmente de 6h, o terreno começa a complicar. A partir dos 36km é necessário muita experiência. O risco de morte é real pelo terreno e o frio que pode fazer. Ter os equipamentos corretos significa muito nessa corrida. Voltaria nos 36km sem dúvida.

O que usei:

  • Tênis: Asics Fuji Attack 4 (era o terreno perfeito para destruir qualquer tênis, mas ele permaneceu intacto).
  • Relógio: Tomtom runner cardio (sabia que não duraria a prova toda, mas estava testando) Meu Polar V800 está na assistência técnica por defeito de fabricação, mas ainda bem que arrependimento não mata.
  • Bastões de trekking: Doite. Preferia ter um com trava ao invés de rosca, pela rapidez no desmonte, mas usei quase em tempo integral.
  • Mochila: Raidlight 5L. Se a previsão fosse de frio, uma de 8 ou 10L seria ideal.
  • Óculos de sol: Briko.
  • Câmera: GoPro Hero 3
  • Segunda pele: Ansilta e Columbia.
  • Corta vento: Montagne.
  • Calça: Adidas running.

Enzo Amato

Assista ao mundial de corrida de aventura no Pantanal.

ARWC Pantanal Experience 

É como acompanhar o Tour de France… A final do circuito mundial de corrida de Aventura será no Pantanal e a organização pensou num pacote turístico para acompanhar a prova. Enquanto as equipes ralam para avançar no percurso de mais de 600km a organização te leva para os pontos de transição de modalidades e pontos de controle. Tenho certeza que será a maneira mais aventureira de conhecer o pantanal e se impressionar com uma corrida de aventura.

A prova acontece entre 15 e 21 de novembro.

Pude acompanhar a etapa brasileira em 2013 no sul da Bahia e o que mais me chamava a atenção era a força mental e física do trabalho em grupo, e claro, o estado deplorável que eles conquistavam com o passar dos dias. De quebra conheci lugares maravilhosos.

O Adventure Race World Championship 2015 será realizado no extremo Oeste do País, na fronteira com a Bolívia em uma região única de extrema riqueza natural e abundante diversidade biológica. O Pantanal, mais precisamente, a Serra do Amolar, tem paisagem variada, unindo com formações vegetais da Amazônia, Mata Atlântica, Cerrado e Bosque Chiquitano abriga centenas de espécies de animais.

Pantanal numa das visitas técnicas da Shubi para selecionar o percurso da prova.
Foto: Shubi Guimarães.

Esta será uma corrida de aventura no sentido mais real da palavra!

Devido as peculiaridades logísticas do Pantanal, estamos fretando um barco hotel que terá acesso as principais Áreas de Transição da prova.
Os pacotes podem incluir:
- Acesso a pontos específicos da prova;
- Acomodação e alimentação durante a prova;
- Traslados de ida/volta para os AT’s;
- Acesso a todos os eventos pré e pós prova do ARWC Pantanal;
- Atividades: Passeios “Pantaneiros” / Trechos da Prova.

Caso você tenha interesse em participar desta oportunidade, entre em contato com a Liga Outdoor o mais breve possível para disponibilidade e preços, pois a logística é complexa e as vagas limitadas. www.ligaoutdoor.com.br

Ecomotion/Pro em números.

116h 9min tempo de prova da equipe campeã.

A estimativa dos organizadores era de 80h, ou seja, a navegação foi mais difícil que o esperado.

As equipes tinham até 145h (7 dias) para completar os 620km, podendo ser *cortada uma ou duas vezes em alguns trechos, para concluir o percurso dentro do tempo.

*cortar caminho por orientação da organização, para concluir o percurso dentro do tempo. É como se a equipe ficasse “uma volta atrás” das que não tomaram corte.

32 equipes e 128 atletas.

24 equipes completaram o percurso, porém apenas 3 delas sem corte.

1 mulher em cada equipe (exceto a Issy Triathlon que veio com 4 homens querendo participar e não competir).

12 países representados (Brasil, Uruguai, Argentina, Colômbia, Paraguai, Costa Rica, Canadá, França, Suécia, Espanha, China e Nova Zelândia).

10º ano de Ecomotion/Pro sempre em lugares diferentes do nosso Brasil.

45 PCs (pontos de controle) as equipes passam completas por cada ponto. No caso de corte, a equipe é orientada a seguir para um PC mais avançado cortando caminho, mas ainda por seus próprios meios.

É proibido qualquer tipo de aparelhos de GPS. (a organização forneceu um localizador para cada equipe “yellowbrick” para monitorar a localização das equipes, por questões de segurança e para os torcedores seguirem suas equipes em tempo real através do site do evento).

Distâncias em cada modalidade:

  • Trekking               169,2km = 27%
  • Coastering             11,2km = 2%
  • Mountain Bike       277,2km = 45%
  • Canoagem           153,5km = 25%
  • Natação                    3,5km = 1%
  • Travessia em barco 6,2km = 1%
  • Técnicas verticais    0,1km = 0%
  • Caving                      0,3km = 0%

Sequência das modalidades durante a prova:

  • 4km canoagem;
  • 65,2km trekking;
  • 3,5km natação;
  • 35,9km canoagem;
  • 2,8km trekking;
  • 10,6km canoagem;
  • 73,6km mountain bike;
  • 78,9km trekking;
  • 80km mountain bike;
  • 5,3km trekking;
  • 0,3km caving;
  • 50m técnicas verticais;
  • 27,4km trekking;
  • 49,2km canoagem;
  • 130,4km mountain bike;
  • 54km canoagem

= 621km sem contar os erros na orientação cartográfica que é bem comum.

15 transições de modalidade.

A organização começa os trabalhos 6 meses antes da prova.

Mais de 150 profissionais envolvidos nas seguintes áreas:

  • Administrativa / Institucional;
  • Levantamento de percurso e atualização de mapas;
  • Produção;
  • Comunicação;
  • Transmissão online;
  • Captação e edição de imagens;
  • Fotógrafos;
  • Rádios;
  • Médica;
  • Resgate;
  • Logística;
  • Motoristas;
  • Ação social;
  • Fiscais de prova;
  • Técnicos de cada modalidade;
  • Assessoria de imprensa;
  • Direção de prova;
  • Direção de conteúdo.

A estrutura:

  • 9 ônibus;
  • 10 carros;
  • 2 vans;
  • 5 caminhões;
  • 80 caiaques;
  • 6 lanchas de segurança.

Foi uma grande oportunidade poder acompanhar de perto tanto os atletas quanto a organização, a logística é muito complexa dos dois lados e realmente o espetáculo é digno do esforço, capacidade de superação e dedicação de todos.

Enzo Amato

Como foi a prova.

Conhecendo o Ecomotion/Pro 2013

Ecomotion/Pro 2013 foi bárbaro e da Barbara!

Maior vencedora do Ecomotion/Pro, Barbara Bomfim revela que navegação foi o grande diferencial para chegar ao título

A tarefa de superar a Seagate, campeã mundial e atual líder da Adventure World Race, parecia uma tarefa inglória. Só parecia. A vasta experiência na competição e o excelente condicionamento físico de Barbara Bomfim foram fundamentais para desbancar a equipe neozelandesa e alcançar seu terceiro título consecutivo no Ecomotion/Pro, sendo os dois últimos pela hispano-brasileira Columbia Vidaraid.

Barbara e Urtzi após chegada em Comandatuba, com 620km e 116h de prova nas costas.

Ao lado do namorado Urtzi Iglesias, do brasileiro Marco Amselem e do espanhol Jon Arambalza, Barbara deixou a Seagate para trás já no segundo dia de competição. Desde então se manteve na liderança isolada, chegando a abrir cinco horas de vantagem em um dos trechos da prova. Ao falar sobre a receita de sucesso, a brasiliense demonstra toda a sua humildade e reconhece o talento dos rivais.

“Não achávamos que poderíamos superar a Seagate. Eles têm um nível muito alto e lideram o ranking mundial. Fiquei um pouco mais animada quando soube que o navegador oficial deles não viria. O cara é fera e muito importante para guiar a equipe. O fato de ser no Brasil também era um ponto a nosso favor. Ainda assim, durante a prova, achávamos que eles poderiam nos passar a qualquer momento. Foi uma grande surpresa ir percebendo ausência de pegadas, o que indicava que ninguém tinha passado. Eles se perderam muito e isso foi fundamental para a nossa vitória”, explica.

Barbara participou de sua primeira corrida em 2001. Desde então se apaixonou pela aventura e passou a conciliar a carreira de engenheira ambiental com a de atleta. Treina em média duas horas por dia e se aplica mais nos fins de semana. O fato de namorar um companheiro de equipe também ajuda a se dedicar ao esporte.

“A experiência que ganhei em todos esses anos foi fundamental para conhecer meu corpo e principalmente ter controle mental. Em uma prova longa como essa nós chegamos a ter alucinações. A maturidade, junto com a preparação, foi o principal ponto para me ajudar a alcançar essas três conquistas”.

Leia outros textos sobre o Ecomotion/Pro 2013.

Ecomotion/Pro 2013 é pra poucos, mas é de todos.

Em cada um dos 7 dias de Ecomotion/Pro as equipes e atletas me surpreendiam cada vez mais. A primeira equipe chegou ao Hotel Transamérica Comandatuba com 126h de prova tendo dormido apenas 6h acumuladas nesse período. Tinha poucas oportunidades de vê-los pelo caminho a cada dia para trocar algumas palavras, e quando os via, estavam cada vez mais sujos por fora e sem frescuras por dentro, alguns com raciocínio e fala mais lenta, outros ainda com ânimo para responder à perguntas, enquanto outros não abriam mais a boca a não ser para comer.

Toyota Adventure Team Costa Rica – CRI

É um esporte onde aquele espírito de equipe intangível e citado da boca pra fora na sala do escritório não funciona e não serve, no Ecomotion/Pro as palavras comprometimento e equipe são literalmente levadas ao extremo, caso contrário eles simplesmente não terminariam a prova! Estão sempre no limite de tudo, precisam pensar e tomar decisões que podem levá-los a um caminho muito mais longo, gerar muito mais cansaço psicológico e atrito entre eles derrubando o moral. Alguém pode se machucar e todos precisarão ajudar, afinal a equipe avança ao ritmo do mais lento, mesmo que o mais lento esteja ótimo.

Harpya – RJ

Para atletas que estão acostumados com esportes individuais, a corrida de aventura é outro mundo. É preciso que cuidem uns dos outros, além de si mesmos, que todos entendam a importância de incentivar no seu momento de alta sabendo que será incentivado no momento de baixa e até quando os atritos acontecem, saber que devem ser superados sem espaço para ressentimentos, e dessa forma todos avançam! Não é sobre ter parâmetros físicos e se guiar por eles, a corrida de aventura é enxergar o quadro todo, a arte de manter o equilíbrio em muitas variáveis mesmo estando no limite em todas elas.

Equipe BMS Multisport – DF

O Ecomotion/Pro é a evolução do ser humano atleta e por isso, um dia, quero fazer essa prova como um aprendizado pessoal, se vou gostar, odiar, me superar, ainda não sei, mas em qualquer situação será um aprendizado.

Parabéns aos campeões do Ecomotion/Pro 2013, que a meu ver são todas as equipes. Sou fã de todas!

Enzo Amato.

 

Columbia Vidaraid

Quasar Lontra Kailash – SP

Seagate – NZL

Ecomotion/Pro 2013 caça aos líderes.

Hoje pude ver duas equipes, a Seagate, da Nova Zelandia e a Quasar Lontra, de Brasília. Bem na hora em que as equipes acabavam de romper as 72h de prova, com apenas algumas horas de sono acumuladas nesse período.

A primeira era forte candidata, mas por alguns erros do início acabou perdendo posições e agora disseram que estavam na prova para terminá-la, mesmo assim ainda entre as primeiras.

Já a Quasar Lontra pareciam bem animados de, naquele momento, estarem na quarta colocação.

Naquele ponto eles já haviam feito:

  • 4km de canoagem
  • 65km de trekking
  • 3,4km de natacao
  • 36km de canoagem
  • 2,8km de trekking
  • 10,6km de canoagem
  • 73km de mountain bike
  • 79km de trekking, quase por terminar.

Tínham ainda pela frente 80km de mountain bike, 5,3km de trekking + caving e técnicas verticais, 27km de trekking, 49km de canoagem, 130km de mountain bike e finalmente 54km de canoagem.

Isso realmente é pra poucos, mas que pode ensinar a muitos sobre perseverança, persistência, trabalho em equipe etc… Estou ansioso para saber como será o desfecho dessa prova incrível.

Acompanhe em tempo real todo o trajeto das equipes, seus erros, acertos e rotas através de um localizador que eles carregam consigo e que ajuda a organização a saber onde eles estão e a nós a acompanhar de perto o Ecomotion/Pro 2013.

Enzo Amato

Ecomotion/Pro 2013, os líderes.

Hoje, com 48h de prova foi a primeira vez que pude ver a equipe que lidera o Ecomotion/Pro 2013.

A equipe Columbia Vidaraid composta por 2 brasileiros e dois espanhóis, pararam no primeiro dos quatro pontos de descanso obrigatório. Isso mesmo, pararam para descansar (dormir) pela primeira vez em 48h de atividade física ininterrupta. As equipes precisam acumular pelo menos 8h de descanso ao longo dos 620km, algumas conseguiram o “benefício” de dormir apenas 6h, de acordo com as posições alcançadas no prólogo. Dessa vez os líderes pararam por 3h, tempo usado para banho, troca de roupa e sono, mas ao invés de comer as quentinhas que os esperavam na mesa, optaram por enfiá-las nas mochilas para comer em outro momento. A equipe era muito alinhada na comunicação, nos procedimentos e horários, e nem o cansaço quebrava a formação. Disseram que o sono havia sido reparador, pois o raciocínio já estava prejudicado e que os pés estavam bem.

Aparentemente não parecia que estávamos na terça ou que a corrida havia começado domingo e que aquele foi o único descanso que eles tiveram nesse tempo. Surpreendente! Enquanto isso, as equipes com foco em completar o desafio passavam em pontos que os líderes haviam passado 24h antes.

Estou ansioso para ver outras equipes entrando no terceiro dia de prova.

Acompanhe em tempo real todo o percurso das equipes, seus erros e acertos de navegação e a colocação de cada uma.

Veja também as fotos da competição na fanpage do MidiaSport: www.facebook.com/MidiaSport.

Enzo Amato

Ecomotion/Pro 2013. Bikes perdidas.

Logo na chegada ao aeroporto, em Ilhéus, o primeiro causo, que para uma das equipes francesas, a Vaucluse Aventures Lafuma, devia ser o primeiro teste psicológico. Os organizadores passaram no aeroporto para me levar e aproveitaram para pegar as 4 bikes que estavam vagando em conexões em aeroportos diferentes dos seus donos. Isso foi domingo às 15 horas, sendo que a prova havia começado 4 horas antes, às 11. Eles só souberam que as bikes estavam no aeroporto momentos antes da largada.

Fui o primeiro a ver que eles teriam suas bikes depois de fazer 4km de canoagem, 65km de trekking, 3,5km de natação, vestidos e carregando as mochilas, mais 35km de canoagem, e que poderiam seguir na prova. É uma prova pra quem tem nervos de aço.

Siga a prova em tempo real. As equipes carregam consigo um localizador e por isso conseguimos saber por onde passaram, onde erraram a navegação e onde estão agora.

Veja também as fotos da competição na fanpage do MidiaSport: www.facebook.com/MidiaSport.

Enzo Amato

Ecomotion/Pro 2013, 36h e ainda sem dormir.

Passadas quase 36 horas de prova pude acompanhar alguns detalhes interessantes para o pessoal apaixonado por corrida, triathlon e provas longas.

Equipe se prepara para enfrentar 3,5km de natação com equipamentos e mochilas, após 65km de trekking precedidos de 4km de canoagem.

A logística é impressionante e não exite turista nem garotos nessa prova, ela realmente é a mais top corrida de aventura. A exigência física e emocional é enorme. O investimento é muito grande, os equipamentos são de primeira, como bikes, mochilas, tênis, vestimenta, e fora os equipamentos ainda tem a viagem, o excesso de bagagem, os lugares para acomodar cada equipamento durante a viagem pelo país e durante a prova, a quantidade de tralha, pensar em várias transições, pois eles remam, pedalam e correm mais de uma vez durante a prova e em cada uma dessas vezes precisam montar, usar, desmontar e guardar, nesse meio tempo precisam comer, enfim, é realmente muita coisa e a capacidade de improviso e planejamento também impressiona, vi equipes nadando com boias, outras com nadadeiras, mas com os pés em frangalhos as nadadeiras não ajudaram como poderiam.

Agora vou tomar banho e dormir enquanto eles continuam no caminho.

Veja como estão as equipes em tempo real

Outros textos sobre o Ecomotion/Pro 2013

Amanhã tem mais.

Enzo Amato

Ecomotion/Pro 2013, detalhes e estratégias.

Numa prova de 6 dias non-stop com 620km, muitos “detalhes” podem, e fazem diferença na classificação, deixo alguns desses detalhes e pontos de vista que me foram gentilmente explicados pela Talita, uma atleta de aventura que conhece boa parte dos atletas que estarão no Ecomotion/Pro 2013.

A novidade para 2013 é que as equipes estarão sem equipe de apoio, ou seja, terão que se virar sozinhos para comer, montar e/ou consertar equipamentos e fazer as transições de modalidade. As estratégias são variadas e plano A e B já devem estar pensados, mas serão escolhidos a partir do recebimento do mapa da prova, um dia antes da largada que acontece neste domingo 11/8. Ou seja numa prova onde mal se dorme, eles já começam a corrida com privação de sono pois ficarão a noite toda analisando o mapa. É certo também que cada estratégia pode variar ao longo da prova dependendo de como os integrantes da equipe se sintam.

O que, quando e como comer? Cozinhar, comer no caminho ou comprar comida em restaurantes ao passar pelas vilas? Esse será um ponto interessante pra ficar ligado, veremos como as equipes vão otimizar o tempo e conseguir recarregar as energias.

Longos trechos de trekking e canoagem castigam pés e mãos, se um dos atletas sofrer com bolhas ou tiver algum inconveniente, poderá atrasar toda a equipe, e isso pode interferir muito no psicológico dos atletas, no comportamento e trato entre eles.

Que estratégia adotarão para dormir? Alguns podem optar por dormir de 1 a 2h por dia, outros tentarão parar só a partir do terceiro dia. A falta de sono deixa tudo mais intenso e erros na navegação são frequentes, sendo esse, outro ponto muito importante nas corridas de aventura.

Direto da Costa do Cacau, no sul da Bahia vou ficar ligado no que rola durante a prova que larga no Domingo dia 11, às 11 da manhã e só termina Sábado dia 17. Fique ligado aqui no Blog!

Como é a prova?

Veja como foi.

Enzo Amato