De 102 para 88kg e um Ironman nas costas.

Na coluna Minha História do Eu Atleta. Um dos grandes que já treinei para concluir o Ironman.

Sempre digo que uma pessoa dedicada consegue fazer um Ironman, essa é parte da história do Leandro.

Reportagem de Igor Christ

Ex-fumante e ex-sedentário, Leandro Dasler via o ponteiro da balança subir a cada dia e cultivava maus hábitos. Profissional de tecnologia da informação, ele começou a se preocupar com a saúde e notou que a corrida poderia fazer parte da vida dele. Por isso, o novo Leandro começou a treinar, fez provas curtas no início, encarou uma maratona um tempo depois e conseguiu a proeza de completar um Ironman (principal triatlo do mundo). Nesse período, emagreceu 14kg (de 102 para 88kg) e se transformou numa outra pessoa. Clique e leia a reportagem completa.

O Ironman dos Leandros.

Por Leandro Dasler

“Hum… Meia… Quatro… Isso mesmo!!! Hum Meia Quatro Nove!” Foram com essas palavras proferidas pelo Carlos Galvão apontando para minha esposa que segurava meu número de peito do ano anterior que meu Ironman 2015 começou. Depois de ganhar uma inscrição tão cobiçada não havia outra escolha. Pois é, ganhei a inscrição de 2015 num sorteio que rolou durante o lançamento do DVD oficial em julho de 2014, nesse dia ficou sacramentado que haveria uma história para ser contada em 31 de maio de 2015. Esta história aqui.

Embarquei para Floripa na quarta-feira em três pessoas. Fabíola, esposa, co-coaching, co-nutri, co-pacer, co-médica, co-enfermeira e companheira que acompanhava dois homens. Um deles era o Leandro P3, aguardado para a prova desse ano, era o centro das minhas atenções quando calculava as previsões de prova, requisitado em todos os bate-papos com amigos, zeloso com seu equipamento e cauteloso nas perspectivas de médias para os 180km. Falava, elogiava e era elogiado. Ninguém sabia o que poderia ser feito, mas todos apostavam que Leandro P3 seria o diferencial de um Iron para o outro. De 2014 para 2015. A aposta certa para baixar o tempo de 2014 em 1 hora. A terceira pessoa foi o Leandro corredor, quieto, calado e sem holofotes, chegou no aeroporto e, somente foi útil quando precisou carregar alguma mala ou segurar alguma porta para acomodar uma bagagem ou a bike. Ficou quieto. No grupo, sempre andava um pouco para trás e sempre prestava atenção para não ser deixado pra trás. Dormimos nós três no quarto e passamos os dias juntos. Fabí, Leandro P3 e Leandro corredor.

Domingo levantei cedo. Dentro do horário e tudo previsto. Havia dormido bem e meu relógio biológico estava acostumado a acordar cedo. Tomei café e voltei pro quarto. Banho rápido e fomos para Jurerê. Haviam muitas dúvidas sobre quais as roupas para pedalar e como estaria a temperatura. As dúvidas só não eram maiores que o assédio ao Enzo para arrancar, talvez como último suspiro, algum conselho que pudesse ser útil para a prova.

Preparação feita e todos encaminhados para a largada. O clima na minha cabeça era tranquilo. Sabia que precisava somente nadar. Diferente do ano passado onde a natação era o grande desafio, esse ano sabia que nada de surpreendente nem de decepcionante poderia acontecer. Eu simplesmente nadaria e pronto. Estava tranquilo. E assim foi. Haviam ainda dois Leandros me esperando. Um lá quieto na T2, Leandro corredor, sentado em uma das cadeiras amarelas da transição aguardando sua vez. Na T1 estava quem mais me pressionava para terminar: Leandro P3 ia e vinha, conversava com um, batia foto com outro, apertava novamente os pneus, voltava, alongava, arriscava falar em 32km/h de média…

Aquele som da buzina que emana às 07:00 é um dos motivos que fazem os atletas voltarem ao Iron no ano seguinte. Ele é seguido de uma gritaria de todos os lados e uma corrida orgânica pra água. Start no Garmin! Ajeitei o óculos, afirmei a touca mais uma vez. Toquei a água: me benzi, pedi ao pai lá em cima que protegesse à mim e todos os atletas. E fui pro mar. A água não estava tão gelada quanto parecia. Mas o mar parecia mais vazio do que estava.

A organização mudou o formato da natação colocando boias intermediárias. Com isso todos os atletas ficaram afunilados e o bate-bate foi mais constante. Graças a Deus não tomei nenhuma pancada forte. Nem dei nenhuma. Fui nadando. Os primeiros 300 metros nadei exatamente ao lado do Ronaldo. Depois minha navegação me mandou pra outro lado e nos perdemos. Continuei em frente. Virei a primeira boia, contornei a segunda e parti em direção à praia. Comparado com o Iron do primeiro ano essa primeira perna demorou demais. Nadava, nadava, nadava e não chegava. Ao fazer o contorno na areia olhei no garmim: Vi o tempo mas não processei nada. Não havia perspectiva. Não sabia se estava indo bem ou se estava ruim. Olho pro lado e vejo o Bolla. ESTOUREI! Sabia que ele nadava bem e fiquei feliz. Mais feliz ainda quando ele me disse que estava 3 ou 4 minutos abaixo do que ele tinha previsto!! Vamo que vamo! Demos um abraço forte e caminhamos para a água. Partimos para a segunda perna. O mar estava mais mexido na segunda volta e os estímulos foram diferentes. Foi mais legal, pois deu uma cara de mar na natação. Quando reparei estava saindo da água. Olhei no relógio e estava 1h15min. PQP!! mais de 5 minutos abaixo do que eu previa e não havia feito esforço. Ótimo. Bora pra T1 que o Leandro P3 esperava seu momento.

Encontrei a Fabí na saída da água. Legal! Bom ela saber que está tudo bem comigo…rs Pego a sacola e corro para a tenda. LOTADA. LOTADA. Perdi uns 2 minutos com os staffs atrapalhados tentando acomodar todos. Fiz minha T1 no chão mesmo. Foram 10 minutos. Paciência. Agora era a hora!!

Leandro P3 subiu na bike e vamo que vamo! Encontrei com a Fabí ainda na Búzios novamente. Aquela força extra que faltava. No começo estava ventando um pouco e olhava atenciosamente para a média, que começava baixa. Muito baixa. Aí pegamos a estrada e foi abrindo um pouco o caminho. Já quase na beira-mar olho para alguns atletas voltando e vejo o Ale. Noto que o retorno não estava muito longe e pensei: Estou bem! A primeira volta passou muito rápido. Alimentação a cada 10 km. Tudo certinho. No retorno de Canasvieiras na primeira volta vejo o Witney bem à frente. Retorno e percebo o Ale já atrás de mim. Possivelmente eu o tenha ultrapassado quando ele fez alguma parada. Legal! Logo ele vai colar e vou ter uma boa referência. Entro em Jurerê e encontro o Enzo no mesmo ponto que o ano passado. Junto com o Dú Coimbra. Pela cara dos dois eu estava bem kkkk. Viro nos 90km e não achei a Fabí. Fiquei um pouco preocupado. Gritei para o Enzo avisar que eu já tinha passado caso encontrasse com ela.Olho no relógio e estava com 33.1km/h de média. Pensei: Pelo vento no início e a sensação de esforço que eu fiz está ótimo! Me alimentando certinho ainda e seguindo tudo como previsto.

Na segunda volta as dores que eu esperei na lombar e no pescoço não vieram. No km 140 consegui alcançar o Witney. Pedalamos juntos uns 10 minutos, batendo papo e curtindo a prova. A vontade de martelar os pedais era muito forte, mas fiquei calmo e segurando a vontade. A média foi caindo até 32km/h e eu sempre pensando que a prova estava boa e não havia necessidade de arriscar. Depois da última subida me perdi do Witney e resolvi apenas fazer um esforço para manter a média acima de 32km/h e pensar somente na maratona. Estava no km 170 e a alimentação estava 100%. Dava pra pedalar mais uns 50km fácil. Nesse Iron, assim como no ano passado, acabei pedalando próximo há alguns atletas a prova inteira. Sempre tive uma subida forte e com isso passava muita gente. Depois na descida sempre fui conservador (nas duas últimas nem clipado eu estava..rs) e era ultrapassado. Ainda brinquei com um carinha que pedalou perto de mim desde o km 10: “Vou telefonar pra Latin e pedir para colocar mais uns 60km pra ter graça! Missão cumprida” brinquei com ele.. Chegando na virada da Búzios encontro o Enzo e sinalizo que estava tudo bem. Avistei ainda a Fabí chegando e fizemos muita festa! Estava muito feliz de ter entregue a bike em primeiro da turma. Cheguei na área de desmonte sem inventar de tirar a sapatilha andando. Nada disso. Simples! Menos é mais. Pedal para 5h36min. 32.1 km/h de média. Ótimo.

Esses próximos 10 minutos de prova foram determinantes pra mim. O final da bike, os 4min59seg de T2 e os primeiros 5min da corrida. Sabia que estava bem e que chegaria inteiro pra maratona. No final da bike eu só pensava no livro No ar Rarefeito, de Jon Krakauer, reforçava que nessa hora não podemos tomar decisões e devemos seguir o que foi planejado. Pensava muito no trabalho que fiz esse ano novamente com o psicólogo Rafa Dutra, na frase “Deu duas horas vc vira e volta”. Lembrava da música que trabalhamos no último encontro: Simples Assim, do Lenine. Calma. Segura. Calma. Segura. Só que quem estava pensando nisso ainda era o Leandro P3.

Sub 11h foi sim um objetivo que apareceu depois que os treinos começaram a encaixar. Só que para isso dar certo, segundo minhas contas, eu precisava SAIR da T2 com 7 horas de prova. Faria uma fantástica maratona para sub 4h e tudo certo. Porém eu saí da T2 com 7h07min. Leandro P3 comentou: “Fiz o que pude para deixar vc inteiro! Corre bem aí e não quebra que dará 11h baixo. Só que ele não contava com uma coisa…

O Leandro corredor resolveu mostrar serviço. Lembrei de todos os treinos de pista que fiz, ainda garoto, lá no São José. Das muitas corridas que participei. Da pasta com diversos números de peito. Que correr sempre foi algo orgânico pra mim. Saí sem frescura. Garmin, tênis, comida e só. Leandro P3 ainda fazia contas para 11h15min quando o corredor falou baixinho pra ele: “Sossega o facho aí que vc ainda é garoto. Tenho umas coisinhas aqui que eu preciso te mostrar”. E o que aconteceu daqui pra frente foi algo que eu não esperava.

Encontrei com a Fabí depois de uns 500m e vi o Enzo no primeiro km. Ele foi bem enfático: “Vai assim que vai dar Sub 11h”. Os primeiros km foram por volta de 5’00” p/km. Só que meu foco estava no bpm. Sabia que não deveria passar dos 140. Então não liguei pro pace. Estava mais rápido do que eu planejei, mas o importante era o batimento. Religiosamente essa regra foi cumprida. Vagaroso nas subidas pesadas da primeira parte e constante nas retas. A meia foi fechada para 1h53min. Sabia que o Sub 11 estava garantido já. Passei pelo Dú Coimbra e as palavras dele ficaram fixas na minha cabeça: “Leandrão, tá animal meu velho!! Tá animal!!”

No retorno falei com o Enzo que estava confortável, mas que eu não iria abusar. Mantendo aquele ritmo eu trabalharia uma margem de folga do Sub 11h para algum imprevisto como um banheiro ou algo assim. Novamente eu passei pelo Enzo no km 30 e confirmei para ele: “Vou manter isso aqui para não colocar nada em risco!”. Até dá, mas eu não quero.

Foi uma maratona para 3h43min. Em nenhum momento o bpm passou de 140. Não andei nenhuma vez e não fui ao banheiro. Não tive dores nem câimbras. Nem sede nem fome (isso tem um nome e se chama Ricardo Zanuto). Nenhum problema de estômago. A única dúvida que fica é: Será que eu poderia fazer abaixo? Ainda não posso responder essa pergunta. Mas em 2014 eu disse que veria o pórtico novamente. Um dia. Esse dia chegou. Teve nome tb. 31/maio/2015. Cheguei feliz! Lembrei do Enzo falando pra curtir o tapete. Lembrei da minha esposa e do quanto ela se dedicou para que tudo isso desse certo.

Atravessei o tapete olhando para o pórtico e afirmando: “Eu vou sentir muuuita saudade. Mas valeu tudo”.

(Fabíola Gomes + Enzo Amato + Ricardo Zanuto) / 3 = Leandro Dasler

Leandro

Ironman, 5 dicas para ser sonho e não pesadelo.

Há poucos dias de mais um Ironman Brasil deixo as dicas do Edu Coimbra novamente aqui no Blog. São textos curtos que podem fazer toda diferença na sua prova, afinal 98% dos atletas são amadores. Serve para qualquer amigo/a que vai para uma prova longa. 

Largada Ironman Brasil 2012
Foto: MidiaSport

  •  Qual sua Vibe? 

…É muito fácil você ficar nervoso e qualquer detalhezinho te deixar muito pilhado.
Uma simples publicação de um treino fantasioso, um texto de jornal ou revista, uma projeção climática, uma piadinha de mal gosto dos amigos, um sarrinho da turma do trampo, uma mentirinha de outro atleta etc, podem te deixar a mil… para que você não caia nessa pilha desvairada, em primeiro lugar você tem que definir sua VIBE, o que você está procurando nessa prova… o que nela te deixará feliz… e o que você deve fazer pra que tudo saia conforme planejado (Clique para ler o texto).

  • Acabou antes de começar

Mais fácil do que chegar inteiro para a prova é chegar quebrado, cansado física e emocionalmente (Clique para ler o texto).

  • Amole bem seu machado

Se tenho três dias para cortar uma árvore, passarei dois deles amolando meu machado… Essa é a máxima!

Num evento tão grande como esse não dá para abrir mão de um bom planejamento. Tente elencar todos os eventos que envolvem a prova. Família, estadia, traslado, alimentação, equipamentos, acessórios, pessoas, trabalho, dinheiro etc, etc, etc. Desmembre cada em desses eventos em sub-eventos até chegar ao menor nível possível. Daí para frente separe esses micro eventos em dois times: variáveis controláveis e variáveis não controláveis (Clique para ler o texto).

  • 4ª Certeza que dá para (se) ajudar

Se tem “algo” que respeito no Ironman é a sempre espetacular participação dos voluntários.

É muito bacana o envolvimento e o compromisso que eles têm com o que estão fazendo. São atenciosos, e muito prestativos, estão lá por vários motivos, já fizeram a prova, sonham em fazer um dia, tem amigos fazendo, gostam do esporte e principalmente porque gostam de ajudar pessoas. Todos os postos de abastecimento no Ironman tem alto astral e se você demonstrar carinho eles retribuem em dobro (Clique para ler o texto).

  • 5ª Cuidado com o Cyborg

Até o km 90 da bike todo mundo é Ironman… até quem não treinou direito chega lá.

O perigo dessa fase é você exagerar na intensidade, é você achar que o cyborg que existe dentro de você (fruto da sua preparação) lá permanecerá até o fim. O erro capital é você dimensionar a pegada pelo “aqui e agora” e começar a fazer o que nunca fez. Se o seu horizonte for apenas o “aqui e agora” você poderá imaginar o seguinte: ” nossa, como estou bem… vou ganhar um tempinho”… campo minado!!! (Clique para ler o texto)

 

Vácuo no Ironman.

Vácuo em Floripa tem seus dias contados se deixarem de punir só com eficiência e passarem a punir com eficácia!

É verdade que não pode, que é trapacear, levar vantagem, é um doping visível…mas o que está errado é a forma de punir e não a regra nem os atletas.

Vou colocar meu ponto de vista tendo feito 6x o Ironman em Floripa e uma em Cozumel, não posso comentar sobre as outras etapas do circuito porque nunca fui, mas o organizador da prova de Floripa já participou de algumas etapas fora do país e acredito que tenha visto alguns exemplos, apesar de tentar algumas modificações por aqui, elas não tem surtido o efeito desejado pelos atletas. Uma prova limpa, pelo menos onde os olhos podem ver.

Foto: Mario Sérgio / MidiaSport

Vou citar a forma mais efetiva de punição para vácuo que já vi em Ironman, não sei se é possível fazer isso nas etapas brasileiras, mas por enquanto não vejo motivo para não tentar.

Em Cozumel ao longo do circuito da bike haviam 3 tendas sinalizadas chamadas de Penalty box, igual a de Floripa que fica dentro da transição, lá também haviam motos com os árbitros na garupa carregando consigo um rádio, prancheta e caneta. Eles também ficavam 20 segundos atrás de um pelotão pra ver quem realmente estava se beneficiando do vácuo, pois bem, até agora tudo parecido, mas se o árbitro achasse que todos do pelotão estavam se beneficiando, ele gritava o número da cada atleta, anotava na prancheta e passava um rádio para as tendas, e se você atleta escutasse seu número, isso significava que você havia levado um “cartão amarelo” e que teria que parar por conta própria no penalty box para cumprir os minutos de penalização. Isso pulverizava pelotões e fico imaginando porque não temos algo parecido por aqui, já que todos os anos após o evento chovem vídeos, textos e insultos nas redes sociais de atletas contra outros atletas e contra a organização. Gente querendo inventar regras, desclassificar, torturar, matar quem ficou no vácuo…pára, simplifica, já é feito assim em Cozumel, não precisa criar regra! O árbitro na moto gritou seu número, procure a próxima tenda, avise o árbitro da tenda que você vai pagar seu tempo, tome uma água, descanse e se cuide para não tomar outra penalização, porque na segunda tá fora, como já acontece aqui.

Achei válida a tentativa de aumentar o tempo de penalização, mas não é a regra que está errada, é a forma de punir, ao ver que uma alternativa não deu certo, espero pela outra que já funciona em outro lugar. Da mesma forma que vi outras coisas em Cozumel que poderiam copiar o que já fazemos aqui no Brasil, já que considero a prova daqui muito bem organizada.

Fácil de explicar, justa, eficaz, sem recorde, mas sem vácuo.

Enzo Amato

Ironman, dica pré prova nº5.

Cuidado com o Cyborg!!!!!

Por Edu Coimbra

A prova é muito grande e a preparação não poderia ser diferente.
Todos nós estamos bem treinados, supercompensados no carboidrato, com o tanque cheio de energia, estoques 100% de glicogênio muscular e com fome de asfalto. A cabeça já está empurrando!

Até o km 90 da bike todo mundo é Ironman… até quem não treinou direito chega lá.

O perigo dessa fase é você exagerar na intensidade, é você achar que o cyborg que existe dentro de você (fruto da sua preparação) lá permanecerá até o fim. O erro capital é você dimensionar a pegada pelo “aqui e agora” e começar a fazer o que nunca fez.Se o seu horizonte for apenas o “aqui e agora” você poderá imaginar o seguinte: ” nossa, como estou bem… vou ganhar um tempinho”… campo minado!!!

Bom, a grande sacada em uma prova como essa é o exercício constante da sabedoria. É não limitar-se em avaliar a condição de momento, mas sim em como prorrogar ao máximo uma condição boa (ou como melhorar uma ruim). Em miúdos… é ter a consciência de que, “não basta eu estar bem” mas sim “o que eu tenho que fazer para permanecer bem!”

Se você dimensionar a intensidade  da prova no “aqui e agora” poderá ser o começo do fim, principalmente até a primeira metade.

Portanto, a dica de hoje é a seguinte: utilize sua sabedoria para prorrogar ao máximo sua boa condição física desde o inicio da prova, não caia na empolgação do cyborg que largou junto com você as 7 da matina, ele te deixará na mão quando mais você precisar.

Ironman, dica pré prova nº4.

Certeza que dá para (se) ajudar!

Por Edu Coimbra

Se tem “algo” que respeito no Ironman é a sempre espetacular participação dos voluntários.

É muito bacana o envolvimento e o compromisso que eles têm com o que estão fazendo. São atenciosos, e muito prestativos, estão lá por vários motivos, já fizeram a prova, sonham em fazer um dia, tem amigos fazendo, gostam do esporte e principalmente porque gostam de ajudar pessoas. Todos os postos de abastecimento no Ironman tem alto astral e se você demonstrar carinho eles retribuem em dobro.

Em contraste infelizmente, há atletas que acham que a prova e tudo que faz parte dela existe porque ele existe. Pensando assim eles tratam os voluntários com muita falta de respeito, arrogância e ignorância. E o que é pior… vê-se essa extrema falta de educação com uma frequência muito grande.

Por tudo isso é que respeito ainda mais o voluntariado… procuro retribuir ao máximo a atenção por eles dispensada.

Uma forma bastante eficiente de otimizar a contribuição deles é bem simples.

Na natação:

Assim que você sair da água e for procurar ajuda para tirar sua roupa de borracha não deixe os voluntários confusos… aponte o dedo indicador para um deles e diga firme: “VOCÊ!!!!!”   A partir daí ele terá total atenção direcionada para você e a “operação” como um todo terá mais sucesso e será mais eficaz.

Sobe a ladeira rindo quem vai pra curtir a prova. Enzo e Edu no Ironman BRA 2011 lá pelo km 60.

Na bike:

Ao se aproximar de um ponto de transição você verá uns 10 voluntários olhando pra você esperando um pequeno sinal para poder atendê-lo da melhor forma possível, pois bem… quanto mais tempo você demorar, mais complicada vai ficando a situação para os dois lados.
Defina previamente sua necessidade e repita o procedimento da saída da natação… aponte para um voluntário e diga firme “VOCÊ ÁGUA!!!!” ou “VOCÊ GATORADE!!!”.

O bacana disso é o seguinte… sem definir um voluntário todos estão mais ou menos concentrados em você. Na medida em que você define uma pessoa a atenção deste passa a ser 100% sua e você libera os outros 9 voluntários para atenderem os demais atletas. Simples e eficaz!!!!

Na corrida:

Repita o procedimento, mas com uma diferença, como a velocidade é menor do que a da bike, dá tempo de você agradecer e retribuir um pouco da gentileza e carinho dispensados.

Acredite, agradecer aos voluntários (staff) vai te motivar muito na prova, faça o teste e me conte depois.

Galera Show, nos vemos logo mais!!!!

Edu Coimbra

Leia também as outras dicas:

 

Ironman, dica pré prova nº3.

Amole bem seu machado!

Por Edu Coimbra

Daqui para frente a preocupação não deve ser exclusivamente com o corpo. Nossa cabeça está a milhão podendo facilmente entrar em colapso.

Essa tensão existe e é inevitável, porém podemos facilmente aliviá-la. A dica é: amolar bem o machado!
Como assim?

Se tenho três dias para cortar uma árvore, passarei dois deles amolando meu machado… Essa é a máxima!

Num evento tão grande como esse não dá para abrir mão de um bom planejamento. Tente elencar todos os eventos que envolvem a prova. Família, estadia, traslado, alimentação, equipamentos, acessórios, pessoas, trabalho, dinheiro etc, etc, etc. Desmembre cada em desses eventos em sub-eventos até chegar ao menor nível possível. Daí para frente separe esses micro eventos em dois times: variáveis controláveis e variáveis não controláveis. 

As variáveis controláveis dependem quase que exclusivamente de você: revisão da bike, compra da suplementação da prova, contratação do taxista, itens de reserva, pagamento da estadia, quem vai ficar com o cachorro, quem vai tratar do periquito, fardamento se frio, fardamento se calor, simulação de transição, simulação de troca de pneu etc.
As variáveis não controláveis são aquelas que não dependem de você: condições climáticas, trânsito, atraso do vôo etc. Para essas você tem que ter um bom plano de contingência.

Por quê essa papagaiada?

Simples: uma variável controlável negligenciada e que aparece na hora errada estraga tudo! Frita sua cabeça e você entra em parafuso, portanto, livre-se de todas elas na medida do possível.

Lembro de um exemplo que aconteceu em 2011: o horário em que chegamos para a largada da prova é uma variável controlável, depende de nós. É nosso hábito chegarmos 1h30 adiantado (alguns preferem chegar atrasados). Assim que chegamos na transição e fomos abastecer as bikes o Prunonosa gritou: “kct… meu pneu furou!” Correria geral…” kd mecânico?”…” tiro tudo da bolsinha ou não?”… “quem tem bomba?” E o locutor dizendo: a transição fechará em 20min… 15min… 10min… 5min… Socorro!!!!!

Resumo: Se você negligenciar a hora de chegada para a largada não há problema… desde que não ocorra nenhum problema…Mas se Deus cochilar ou não conseguir acudir todos ao mesmo tempo tua vaca vai pro brejo com chifre e tudo. Ah… e nenhum amigo vai poder te ajudar porque ele também está no “salve-se quem puder” 

Amole bem seu machado antes de cortar a árvore!!!!!! Livre-se das variáveis controláveis o quanto antes possível e estabeleça um bom plano de contingência para as incontroláveis!!!!!

Edu Coimbra

Leia também as outras 4 dicas do Edu.

Ironman, dica pré prova nº2.

Acabou antes de começar.

Por Edu Coimbra

Agora não é mais físico, faltando duas semanas a atenção deve ser redobrada… Atenção com o corpo e a mente.

Mais fácil do que chegar inteiro para a prova é chegar quebrado, cansado física e emocionalmente.

Descanse para chegar bem disposto e de tanque cheio.

No atual momento pouca coisa pode ser feita para melhorar o seu desempenho na prova, um bom descanso, p.ex, pode ajudar bastante, mas menos coisas ainda poderão ser feitas para arruinar com tudo… p.ex. errar na intensidade ou no volume de um único treino daqui para frente não será mais perdoado, nem dará para ser consertado… pagarás a conta na prova… certeza absoluta!

Na dica 1 falei do cansaço emocional… livre-se das variáveis controláveis.  Hoje estou falando do cansaço físico… obedeça seu treinador e compartilhe com ele a sua percepção sobre si mesmo.

Eu uso a estratégia de quase sempre treinar sozinho… não tenho referências  dos colegas… não tenho motivação para acelerar… não tenho uma competiçãozinha caseira para vencer… não tenho parâmetros técnicos, fisiológicos e principalmente emocionais que possam me desmotivar ou me levar ao cansaço.

Na dúvida tenha uma certeza: o descanso te fará melhor proporcionalmente do que treino errado.

Portanto, NÃO DEIXE SUA PROVA ACABAR ANTES DE COMEÇAR, DESCANSE!!!!!

Edu Coimbra

Leia também as outras 4 dicas do Edu.

Ironman, dica pré prova nº1.

Tive a oportunidade de poder treinar o Edu para seus primeiros 3 Ironman. Para muitos o Ironman é um desafio individual, mas se feito em grupo sob uma certa perspectiva ele se torna uma experiência de vida, o Edu sabe colocar as palavras melhor do que eu pude fazer nesses 7 anos ligado à essa prova, e gentilmente se ofereceu para dar dicas ao meu grupo de atletas que vai debutar em 2014, essas dicas foram pingando no grupo do Whatsapp, mas de tão úteis e bem descritas não podia deixá-las ali, para um pequeno grupo de pessoas, por isso vou dividi-las com vocês, espero que gostem tanto quanto eu.

 

Qual é sua VIBE?

Por Edu Coimbra

Faltando 2 semanas a “tensão” aumenta. Esse estresse é muito diferente daqueles do dia-a-dia. É especial paca… mas traiçoeiro paca. Todo o circo é motivador, faz parte, é muito gostoso, deve ser curtido e degustado e acima de tudo deve te fortalecer, entretanto, se não for domado pode ter o efeito contrário.
É muito fácil você ficar nervoso e qualquer detalhezinho te deixar muito pilhado.
Uma simples publicação de um treino fantasioso, um texto de jornal ou revista, uma projeção climática, uma piadinha de mal gosto dos amigos, um sarrinho da turma do trampo, uma mentirinha de outro atleta etc, podem te deixar a mil…
Chegando em Floripa essa situação é multiplicada por 100. Aquilo respira esporte, respira triathlon. Os pelos ficam de pé. Todas as bikes parecem ser melhores do que a sua, todos os atletas (com roupinhas de marca) parecem estar mais treinados e fortes do que você. Bate um sentimento de inferioridade catastrófico.  Alguns nadando, outros correndo e muitos pedalando e ostentando suas “poderosas” magrelas.
De fato… uma pequena parte disso acontece,  mas uma parte gigantesca é fantasia, emerge da sua cabeça,  das suas fraquezas internas… e nesse momento se alguém te fala algo, se você vê ou lê algo… a pilhagem vem a milhão!
O que fazer então nessas duas semanas?
Simples… para que você não caia nessa pilha desvairada, em primeiro lugar você tem que definir sua VIBE, o que você está procurando nessa prova… o que nela te deixará feliz… e o que você deve fazer pra que tudo saia conforme planejado.
Ao definir bem a sua VIBE você começa a perceber que cada um dos atletas que lá estão têm as suas. Da elite é: tudo ou nada, ganhar, ou no mínimo chegar no pódio… parar no meio da prova (se poupar para próxima se não for possível atingir o objetivo).
Dos amadores… aí tem de tudo: vaga pra Kona, recorde pessoal ou, simplesmente, chegar.
Quando fiz meu primeiro Iron eu defini meus objetivos… meu tesão era chegar feliz, inteiro, curtir e celebrar minha saúde,  minha família, meus amigos e minha relação de 35 anos com o esporte. E para isso minha bike era perfeita, minha dieta perfeita, minha roupinha sem marca perfeita, minha  Nutricionista, Coach e Psicólogo perfeitos. Foquei, blindei e domei  as emoções com foco na minha VIBE. Me senti o cara mais forte do mundo… Minha prova foi MARAVILHOSA!!!
Tudo deu perfeitamente certo… mas eu ainda tinha uma bala na agulha, mas não precisei usar… a prova é muito longa e muitos imprevistos podem acontecer… e nessa hora seu arsenal de contenção é indispensável para que você se mantenha motivado e com foco no seu resultado. 
Portanto… a primeira dica é simples, mas ao mesmo tempo muito delicada:
NÃO SE DEIXE PILHAR ALÉM DAQUILO QUE É “SAUDÁVEL” E MOTIVADOR. UMA BOA ESTRATÉGIA É DEFINIR CLARAMENTE SUA VIBE E ENTENDER QUE CADA UM TEM A SUA. FOQUE NO SEU RESULTADO E DEFINA UM ABRANGENTE ARSENAL DE CONTENÇÃO.  ENTENDA TODO O RESTANTE COMO SENDO UM GRANDE CENÁRIO ARMADO PARA A CELEBRAÇÃO DA SUA VITÓRIA.

Ótima prova!!!!!!

Edu Coimbra

Leia também as outras 4 dicas do Edu.

Enxergar uma prova longa como experiência de vida. IRONMAN BRASIL 2014.

Sendo 98% das pessoas que participam de um Ironman amadores, é fácil encontrar treinadores e atletas nos principais locais de treino e que são unânimes no discurso de que essa prova envolve superação física, mental etc… Porém acabei descobrindo que meu diferencial como treinador foi consequência de algo que acredito e pratico, que é transformar uma prova em experiência de vida, e cuidar para que os atletas a vejam assim, por isso incluo na preparação, desde 2010, encontros em grupo com o psicólogo Rafa Dutra.

Será meu 8º ano de preparação, e nesse tempo percebi que qualquer pessoa persistente e disciplinada pode completar um Ironman por isso me preocupo tanto com o que se pode aprender e levar para a vida pessoal depois que esses 5 meses de preparação e a linha de chegada ficam pra trás. O que deve ser feito desde já para saber o que vem depois do título “você é um Ironman”?

Se essa forma de enxergar uma prova longa lhe interessou.

Convido você a participar de um café da manhã onde o Rafa e eu explicaremos sobre a preparação física e psicológica do grupo que vai para o Ironman de 2014. Veja os vídeos de edições anteriores.

Será dia 19/01/2014, às 9 horas.

Rua General Osório 494 – São Caetano do Sul (travessa da Av. Goiás)

Fácil estacionamento

Término previsto para as 10:30hs.

Poucas vagas, favor confirmar presença.

Para mais informações, entre em contato comigo:

Enzo Amato (11) 99647-8166