Corridas em trilha

Há muito tempo fui fisgado pelo diferente mundo das corridas em trilha, são provas únicas onde apenas um ponto em comum as definem, o contato com a natureza. No início dos anos 2000 participei da maratona trilheira em Ribeirão Pires, cidade do grande ABC, era uma prova de 42km, que depois passou para 35, 26km até virar meia maratona, com 21km, deixando a prova mais abrangente para novos corredores. Não sei se a prova ainda existe, mas lembro bem da sensação de interação com a natureza e de que tudo era bem diferente das provas de asfalto que eu conhecia, como ritmo variável, sons, cansaço, umidade, lama… tudo era diferente do que eu entendia como corrida. De um tempo pra cá muitas provas de trilha surgiram, ou passaram a ser mais divulgadas pelos meios, as organizações estão cada vez mais especializadas em oferecer boas experiências, mesmo que isso seja sinônimo de dificultar cada vez mais os percursos, mas enfim.

Deixo algumas provas que já fiz dentro da minha curta experiência nessa vertente da corrida que só cresce.

El Cruce. Da Argentina ao Chile em 3 dias, totalizando 100km com trechos demarcados para cada dia. Você só precisa estar treinado, a organização é perfeita e o preço alto da inscrição vale cada centavo. Já inclui alimentação e barraca. Fiz em 2010 e o percurso muda a cada ano.

Ultra Maratón de los Andes no Chile. Parte do circuito Endurance Challenge, tem 10, 21, 50 e 80km. Em 2010 fiz a maior distância que larga do subúrbio de Santiago e logo entra na trilha, a organização muito boa, preço justo e facilidade nos voos etc…

Mountain Do Costão do Santinho. Era revezamento e passou a ser individual em 2013, com 8, 22 e 42km, percurso variado, ora rápido ora travado, destaque para a organização que pensa em tudo.

Mountain Do Atacama. Organização surpreendente, mesmo longe de casa os caras mandam bem demais e a experiência de correr no deserto do Atacama, seja você iniciante ou não, é demais, outro mundo. 6, 23 ou 42km. Em 2013 foi a segunda edição da prova que atinge o limite de inscritos bem cedo.

Desafio Praias e Trilhas. Foi minha primeira prova realmente longa, em 2005 eu e cerca de 100 corredores fizemos 84km em dois dias atravessando Florianópolis do sul até o norte da ilha sempre por praias ou trilhas, visual incrível. Atualmente a prova é realizada a cada 2 anos e conta pontos para a Ultra Trail du Mont Blanc.

K42 Bombinhas - SC – 17 de agosto 2013. 12 e 42km Considerada a mais bela e desafiadora maratona brasileira.

Patagonian International Marathon - Puerto Natales – Chile – em setembro. 10, 21, 42 e 63km. Um dos lugares mais bonitos do mundo, corrida dentro do parque nacional Torres del Paine com paisagens de tirar o fôlego.

Endurance Challenge Argentina - Bariloche – Argentina, em novembro. 10, 21, 50 e 80km.

Assita outros vídeos feitos em 2013.

Enzo Amato

Fotos da Ultra Maraton de Los Andes.

Algumas fotos para ilustrar.

Antes da largada

Pronto para largada

Mais da metade da prova

O visual recompensa o cansaço.

 

Subir na pedra foi fácil, difícil foi chegar até ela, km50 e quase a 2400 mertos.

 

Depois de chegar ao ponto mais alto, tinha que descer o outro lado da montanha até os 900 m.

Última foto antes de entrar no asfalto e cruzar a linha de chegada.

Ultra Maratón de Los Andes, como foi. (parte 1)

Finalmente!!!
Depois de muito esperar e treinar, chegou a hora. Partimos para Santiago dia 14 pela manhã e na hora do almoço já estávamos instalados num hostel (tipo albergue da juventude) num bairro muito charmoso, chamado Providencia. A opção de ficarmos num hostel partiu da Paula, minha namorada. Apesar de ser muito mais simples que um hotel, tínhamos uma cozinha a disposição, que às vésperas de uma corrida que exige alimentação especial, veio bem a calhar.
Santiago é uma cidade muito bonita e certamente quero voltar para aproveitar mais, comer peixes do pacífico e fazer passeios de turista, já que desta vez tivemos que abrir mão.
Essa prova é muito particular em diversos sentidos, como a largada era as 2 da manhã, sabia que tinha que dormir no meio da tarde para acordar renovado no início da noite, jantar e ir para a corrida, mas lógico que não foi bem assim que aconteceu. Acordamos na sexta de manhã e saímos para passear um pouco, pois não queria ficar no quarto o dia todo. Para mim já era o dia da prova e estava todo meticuloso com os horários de comer e principalmente reparando onde ia comer, são coisas que não damos valor quando estamos perto de casa, mas em outro país e no dia de uma corrida extrema se torna um ponto chave, mas enfim fizemos um lanchinho no meio da manhã e almoçamos com a amiga da Paula, meu cardápio dos últimos dois dias era macarrão. Depois disso caminhamos meia hora de volta ao hostel, para minha “noite” de descanso. Consegui dormir das 16 às 18 horas e a partir daí já comecei a arrumar a mochila e alimentação para a prova. Preparei o jantar no hostel, meio pacote de macarrão com molho pronto, uma delícia. Enquanto cozinhava preparei os sanduiches que levaria na corrida, uns de queijo branco, outros de geléia, tinha também umas castanhas do Pará e só, o resto ia pegar nos postos de hidratação. Nesse momento percebi que estava ansioso porque vi que me faltavam as batatas cozidas que queria levar na mochila, esqueci de comprar no mercado e só lembrei quando fazia os lanches, nesse ponto parti para o plano B, a Paula foi ao mercado comprar mais pão porque a essa hora já não daria tempo de cozinhar as batatas e lá estava eu com quase 1kg de pão porque cada um pesava quase 100gr. No final das contas tinha comida suficiente e não me preocupei por isso.
As 22 horas a amiga da Paula foi nos buscar no hostel e 40 minutos depois estávamos no local de largada, perto da montanha num bairro afastado e muito exclusivo de Santiago, fazia muito frio naquela noite e o vento ajudava a baixar a sensação térmica. Faltava muito tempo para a largada e eu não queria sair do carro para me arrumar, mas logo me despedi da Paula e da Laura e a partir desse momento o tempo passou muito rápido, praticamente não matei tempo, fiquei me arrumando, depois arrumei a sacola que me entregariam no km 33 da prova, nessa sacola deixei a maioria dos lanches, protetor solar, óculos de sol e papel higiênico, pois nunca se sabe. Essa sacola seria mais usada para eu deixar coisas, pois nesse ponto o dia já estaria claro e não precisaria mais de lanterna e do corta vento.
Pouco antes da largada o Leonardo de BH se apresentou, pois viu minha bandeira do Brasil na mochila, com pouco tempo de conversa percebi que ele faria uma ótima prova e assim o fez.
Ouvimos os últimos detalhes do organizador, lanternas de cabeça ligadas, nada mais a fazer ou esquecer, e pontualmente as 2 horas, nós, os 72 homens e 6 mulheres, largamos.
O que rolou na corrida conto no texto 2.

Leia também o texto 3.

Veja algumas fotos da prova